ABERTURA AO NOVO

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ABERTURA AO NOVO

 

Abertura ao Novo

 

Quando nos distraímos dos nossos objectivos, propósitos, da nossa missão, damo-nos, por vezes, conta de andar á procura das coisas grandes. Procuramos então os grandes acontecimentos: uma viagem a um lugar paradisíaco, o comprar a casa dos nossos sonhos, o ter filhos, o ter um emprego de sucesso, que amemos e que nos traga uma situação de abundância, etc.

Não há nada de errado em ter objectivos para o futuro, e muito menos desejar ser-se abundantes, mas por vezes cortamos as raízes da nossa felicidade momentânea, afirmando que só seremos felizes quando atingirmos algo.

Essas situações (as coisas grandes) acontecem com algum tempo de intervalo entre elas, e a dimensão desse tempo tem a ver com o quão estamos emprenhados no nosso bem-estar! Isto porque podemos escolher ver, sentir, determinada experiência como uma coisa grande ou pequena na nossa vida! Temos essa escolha; a todo o momento estamos a decidir se a experiência pela qual estamos a passar é realmente importante para nós ou não.

Lembro-me perfeitamente de quando fui viajar aos Açores. Era a primeira viagem que fazia após iniciar um novo processo na minha vida, e queria usufruir de tudo o que conseguisse. Então pus essa mesma postura: absorver o máximo, viver o máximo, pois não saberia quando teria outra oportunidade de visitar tal destino.

O resultado foi fenomenal! Um estado de Aceitação, de gratidão, de contemplação! Não havia pensamentos destrutivos, não havia fome, não havia medos, raivas, porque não havia espaço para eles! Toda a minha concentração era nesse novo; não havia mais nada, só um objectivo: viver o que tinha nesse momento, pois não saberia se teria oportunidade de voltar a vivê-lo!

Lembro-me dessa viagem com muito carinho, gratidão, saudade, foram momentos em que me senti muito bem. Mas senti-me bem pela postura que decidi tomar.

Aquilo era tudo novo para mim, e eu queria absorver tudo!

Então, mas e Agora? No Agora não é tudo novo também? Eu não sou uma pessoa nova? Tudo o á minha volta não é sempre novo?

Se os átomos de um corpo nunca são os mesmos, como posso eu ser a mesma?

Realmente, não poderei mais repetir essa viagem aos Açores. O lugar não é mais o mesmo; eu não sou mais a mesma, nada é o mesmo, e todos os dias são diferentes porque tudo é diferente e único!

Não faz sentido procurar a mesma experiência pelos mesmos resultados pois além de ser limitativo, a mesma experiência não será possível! Eu posso fazer mais mil viagens aos Açores, e nenhuma delas será igual àquela.

E é isso que torna esta vida bela! Como seria se tudo fosse assim, igual? Como seria?

Seria da forma como tanta gente se ilude de que tudo é sempre igual e tudo é sempre o mesmo! Achamos que a cama onde nos deitámos é a mesma, que o quarto que nos alberga é o mesmo, que as pessoas que vemos e falamos são as mesmas, que o nosso trabalho é o mesmo, que as situações pelas quais passamos são as mesmas… e depois dizemos: estou cansada disto! É sempre o mesmo!

Não, não é o mesmo! Nunca!

Tudo está a mudar a uma velocidade louca! Tiremos os óculos!

Comecemos por dar atenção ao que se passa á nossa volta! Só parece o mesmo porque a nossa visão é limitada! A nossa perspectiva do que está á nossa volta é que torna tudo igual!

É como que se formássemos uma imagem estática, dentro da nossa mente, e sempre que olhamos para esse sítio, lugar, coisa, reabrimos essa imagem, e o que vemos é apenas essa mesma imagem, que gravámos!

Porque é que quando vamos a um lugar novo, nos sentimos tão bem, e estamos atentos, a procurar absorver tudo? Porque ainda não temos uma imagem formada sobre esse lugar, nunca o vimos, então estamos abertos a recebê-lo!

Mas quando achamos que já o conhecemos, porque estivemos lá 2 ou 3 vezes, ou porque passamos por lá todos os dias, o que vemos é apenas essa imagem que gravamos, fechando-nos completamente a algo novo que aí exista!

Quantas vezes já me aconteceu, passar por um lugar todos os dias, e nunca ter reparado em algo; e um dia, estou numa postura mais aberta e vejo! E fico perplexa: de onde saiu aquilo que nunca tinha visto aqui?

Eu nunca tinha visto mas ela estava lá…

Por isto, tenho a certeza que a maior parte do tempo andamos a dormir, a reviver constantemente a mesma imagem, achando que tudo o que está lá fora, é sempre o mesmo…

Mas se nos abrirmos á possibilidade de que existe mais do que aquilo que vemos…isso abrirá a nossa mente, a nossa perspectiva, o nosso coração, a que possamos receber mais e ver com mais clareza!

Tudo passa apenas por abrirmo-nos á possibilidade de que há algo mais do que aquilo que eu acho que existe! E então observar. Observar só. E aí vamos ver o que temos andado a perder: um leque infindável de novas possibilidades!

Obrigado!

Composto e postado por:

Elisabete Milheiro

Nota: o que é aqui escrito é a minha experiência. O que se pretende aqui é dar a conhecer experiências do dia-a-dia, que poderão ser úteis a quem se identificar com elas. Isto não invalida o facto de que a verdade está em constante alteração, assim como também a nossa consciência, que com as nossas experiências vai evoluindo.

Não se esqueçam: As únicas coisas que temos como garantia, nesta vida, é a mudança.


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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!