Estudo mostra que algumas algas se alimentam de enxofre orgânico


Certas algas microscópicas marinhas atuam como bactérias e se alimentam de enxofre orgânico, reduzindo as emissões desta substância à atmosfera e contribuindo para a refrigeração do planeta, segundo um estudo feito por uma equipe de cientistas espanhóis do Centro de Pesquisas Científicas.

O trabalho, cujas conclusões foram publicadas hoje na revista “Science”, servirá para conhecer melhor o impacto do ciclo dos compostos de enxofre marítimos na regulação natural do clima.

O estudo descreve uma nova via no ciclo do enxofre oceânico considerada “fundamental” devido ao seu papel na refrigeração do planeta, segundo os autores da pesquisa (três cientistas do Instituto de Ciências do Mar, em Barcelona, que trabalharam em colaboração com uma equipe americana).

Estes pesquisadores descrevem uma nova via metabólica nos oceanos e explicam que algumas algas se comportam como se fossem bactérias: absorvem o enxofre liberado por outras algas e o aproveitam para seu próprio crescimento.

Até agora se pensava que todas as algas produziam enxofre orgânico a partir dos sais marinhos. “As respectivas funções dos diferentes organismos no mar não estão distribuídas de forma simples. Cada um deles foi se adaptando durante a evolução para aproveitar ao máximo todas as fontes disponíveis de alimento e energia, o que significa que acabam desempenhando múltiplas funções”, explicou Maria Vila-Costa, uma das autoras do estudo. 

Vila-Costa disse que o papel das algas unicelulares no oceano é similar ao papel que as plantas desempenham em terra (com ajuda da luz, transformam o sulfato inorgânico dos sais do mar em enxofre orgânico, usado para seu funcionamento).

Este enxofre, assim que é descomposto pelas algas, pode ser transformado pelas bactérias em um gás, o dimetilsulfeto (DMS), responsável, entre outras coisas, pelo característico cheiro de mar que acompanha a brisa marinha.

A emissão deste gás à atmosfera intervém na formação de nuvens, contribuindo para regular a quantidade de radiação solar que chega à superfície do mar. Vila-Costa resume as conclusões da pesquisa: “uma maior emissão de DMS, como resultado da ação dos microorganismos marítimos, implica um céu mais encoberto e, portanto, em mais reflexão da radiação solar, com a conseqüente refrigeração do planeta”.

A equipe trabalhou com mostras obtidas no oceano Atlântico e no Observatório Microbiano da baía de Blanes, no mar Mediterrâneo.

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fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15437.shtml