AS CARÊNCIAS

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AS CARÊNCIAS

 AS CARÊNCIAS

AS CARÊNCIAS

 

O corpo não contém nos seus tecidos todas as substâncias nutri­tivas de que necessitará durante a sua existência. Assim, depende, necessariamente, das coisas que provêm do exterior. Os alimentos que ingerimos devem proporcionar-nos, regular e suficientemente, todos os nutrientes (ácidos aminados, glúcidos, gorduras, minerais e vitaminas, etc.) que são indispensáveis para a formação e manutenção dos NOSSOS órgãos, bem como ao seu funcionamento.

Quando o organismo se encontra privado de um destes nutrientes, o seu funcionamento fica perturbado: em primeiro lugar, na diminuição da velocidade das suas funções; em seguida, se o estado de carência se prolongar, algumas funções orgânicas podem ser interrompidas, sobrevindo então a morte. Deste modo, dependendo das carências, os tecidos não se recompõem, diminui a resistência das mucosas, a mus­culatura perde a sua tonicidade, a actividade das enzimas reduz-se, esgotam-se as secreções, o sangue empobrece e os glóbulos brancos perdem as suas capacidades defensivas.

Nas enfermidades provocadas por carências, nada pode travar a evolução dos transtornos nem a degradação do terreno, excepto a administração da substância em falta. Enquanto esta substância não for administrada, o organismo continuará no seu processo de deterioração. Como o corpo depende totalmente do nutriente que lhe falta, nenhum outro medicamento será capaz de substituí-lo. O facto de a solução dos transtornos ser fácil se forem administrados alguns mi­ligramas da substância em questão não lhes retira a gravidade que possam ter, enquanto durar o estado de carência.

Até mesmo a carência de um único nutriente pode acarretar con­sequências catastróficas. Com efeito, os nutrientes dependem uns dos outros. A ausência de um deles pode anular a utilização de outro e, mediante uma reacção em cadeia, desembocar num estado de carên­cias múltiplas.

Apesar de vivermos numa época de abundância, os estados de carência são muito mais comuns do que se imagina. Trata-se tanto de uma carência de aporte (os alimentos proporcionados ao organismo não contêm todos os nutrientes), como de uma carência de utilização (o organismo recebe os nutrientes, mas não pode utilizá-los).

AS CARÊNCIAS

As carências de aporte

No caso mais simples, não se consomem os alimentos que contêm a substância em falta. No passado, isto acontecia com os habitantes de regiões muito isoladas e que dispunham de um número restrito de alimentos. Nos nossos dias, as carências de aporte devem-se mais a uma escolha deliberada. Muitas pessoas, baseando-se em informações mal compreendidas, proscrevem totalmente um alimento ou uma categoria de alimentos e acabam por praticar regimes unilaterais que os conduzem directamente às enfermidades de carência. Alguns supri­mem indiscriminadamente da sua alimentação todas as gorduras, após terem lido, par exemplo, que os ácidos gordos estavam implicados nas doenças cardiovasculares; outros não comem fruta, por medo de se intoxicarem com os produtos de tratamento, etc.

Os regimes praticados por razões filosóficas ou estéticas podem igualmente conduzir a graves carências, se não se tiverem em conta os imperativos fisiológicos.

Outra causa de carências de aparte, muito corrente hoje em dia, provém do facto de que os alimentos que consumimos já não contêm todos os nutrientes que deveriam. Foram deles privados pela utiliza­ção de qualquer dos múltiplos procedimentos usados para modificar o seu aspecto exterior ou para aumentar o seu tempo de conservação. Pode tratar-se da refinação dos cereais que, embora permita obter uma farinha mais branca, priva, no entanto, o consumidor dos preciosos nutrientes do grão, nutrientes esses que se encontram principalmente na parte que é desperdiçada no momento da refinação. Os óleos ve­getais são também submetidos a toda uma série de transformações mecânicas, calóricas e químicas que lhes fazem perder as suas vita­minas e os seus oligoelementos. Acontece o mesmo com os açúcares refinados que, privados de qualquer elemento vivo, se podem conser­var quase indefinidamente. Há que citar, igualmente, a desnaturação dos alimentos devida a meios de cultivo ou criação inadequados que diminuem fortemente a sua proporção de nutrientes, a secagem dos frutos a altas temperaturas, a cocção sistemática dos alimentos e o desperdício da água dessa cocção.

As carências de utilização

Este tipo de carências tem origem na impossibilidade que o orga­nismo demonstra em utilizar alguns dos nutrientes que lhe são admi­nistrados.

Algumas vezes, inc1usivamente antes de serem absorvidos pelo sangue, os nutrientes são destruídos nos intestinos pelas substâncias tóxicas procedentes das fermentações e das putrefacções intestinais e, outras vezes, o meio interno está tão saturado de resíduos que as trocas se fazem deficientemente: os nutrientes não conseguem chegar ao seu lugar de utilização.

Numerosas substâncias químicas, provenientes dos aditivos, da poluição e dos medicamentos, actuam de forma inibidora sobre as vitaminas ou sobre os oligoelementos. Os nutrientes estão, pois, pre­sentes no corpo, mas inactivos ou destruídos pela contaminação quí­mica. Por mais correctamente que a pessoa carenciada se alimente, o consumo destes inibidores, para além dos seus efeitos tóxicos, condu­-la ao estado de carência.

O simples consumo de excitantes provoca carências, pois a sua utilização exige um aporte superior de nutrientes para que o organismo possa neutralizar os seus venenos. O consumo de tabaco aumenta as necessidades orgânicas de vitamina C; o álcool, de vitamina B; etc. E, sublinhemos, as carências de vitamina C diminuem as possibilida­des de defesa do organismo, desequilibram o sistema nervoso e favo­recem a contaminação humoral, por provocarem a má utilização dos alimentos.

Outras razões pelas quais o corpo se mostra incapaz de se bene­ficiar do aporte de nutrientes provêm do facto de que estes lhe são subtraídos, antes de poder utilizá-los. Efectivamente, numerosos ali­mentos com carências, como açúcar refinado, farinhas brancas e óleos refinados, juntamente com todos os produtos alimentares com eles preparados, são designados por “ladrões de vitaminas”. Por serem carenciados, não contêm as enzimas (vitaminas, metais-catalizado­res … ) necessárias para que se faça a sua digestão. Deste modo, as substâncias vitais serão extraídas do próprio corpo, com o propósito de tornar possível a degradação digestiva dos alimentos com carên­cias. Estes, em vez de fornecerem ao corpo as substâncias nutritivas que poderiam proporcionar-lhe, acabam por lhe retirar as que contém. Quando se consomem regularmente produtos deste tipo, as reservas do corpo são saqueadas e podem produzir-se graves situações de carência.

O funcionamento do organismo perturba-se quando se encontra privado de um dos nutrientes indispensáveis.

Texto do livro COMPREENDER AS DOENÇAS GRAVES

De CRISTOPHER VASEY

 

 

 


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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!