As doenças graves do sistema cardiovascular

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As doenças graves do sistema cardiovascular

As doenças graves do sistema cardiovascular 

a) Enfarte do miocárdio ou crise cardíaca 

A função do coração é fazer circular o sangue, de modo a que todos os órgãos disponham dos nutrientes e do oxigénio de que ne­cessitam. Mas o próprio coração, como músculo, tem igualmente necessidade de oxigénio, de glicose e de nutrientes para poder realizar o seu trabalho.

Os vasos encarregados de o irrigarem são as artérias coronárias. Estas são as mais importantes do corpo, uma vez que abastecem o próprio coração, órgão do qual dependem todos os outros. Se as artérias coronárias, que se dividem em vários ramos com o propósito de irrigarem a totalidade do tecido cardíaco, ficam obstruídas e impedem que o oxigénio chegue ao coração, esta deixa de bater e, neste caso, ocorre a morte.

A obstrução dos vasos (embolia) produz-se quando nas próprias veias se forma um coágulo, ou se este, deslocando-se na corrente sanguínea, for estabelecer-se numa outra veia. Um coágulo pode circular longamente pelo corpo, pois a corrente sanguínea promoverá a sua deslocação enquanto o diâmetro das veias for superior à sua dimensão. Quando encontrar um vaso de diâmetro inferior, não poderá continuar a sua deslocação e, neste caso, depen­dendo do tipo de bloqueio que produza, impedindo parcial ou total­mente a circulação do sangue, assim será a gravidade dos transtornos que produzirá.

Quando uma ramificação lateral das artérias coronárias se encontra obstruída por um coágulo, o coração poderá ainda funcionar relativa­mente bem, pois continua a ser irrigado pelos troncos grossos das artérias coronárias. Todavia, dada a diminuição da sua capacidade, apresentará perturbações (angina de peito) sempre que se produzam esforços físicos exagerados (desporto ou refeições demasiado pesa­das), ou num momento de grandes emoções. Se o coágulo obstruir um tronco grosso das artérias coronárias. uma parte mais ou menos extensa do músculo cardíaco (parte contráctil da parede cardíaca, designada por miocárdio) não receberá sangue, deixando de se contrair e, neste caso, manifestar-se-á o enfarte do miocárdio.

Só um tratamento sintomático, administrado com a urgência requeri da, permitirá que o doente sobreviva. Contudo, apesar de todo o esforço, a parte do músculo que deixou de receber sangue terá endurecido irremediavelmente, causando uma diminuição da capaci­dade de funcionamento do músculo cardíaco.

Após o tratamento de urgência, existirá ainda a possibilidade de compensar os inconvenien­tes desta lesão localizada, reeducando o resto da musculatura cardíaca que, uma vez bem desenvolvida e tonificada com treino físico, com­pensará as deficiências da parte endurecida.

b) Hemorragia cerebral ou apoplexia

Não basta que o sangue se encontre nas veias, é necessário que circule. O coração, encarregado deste trabalho, vela sem cessar para que o sangue possa circular e irrigar sempre todos os tecidos com normalidade. Quando surge um obstáculo que impede o avanço do sangue, o coração aumenta imediatamente a sua pressão propulsora, com o objectivo de vencer as resistências que se opõem à sua progres­são.

No caso de um obstáculo permanente, como os ateromas, haverá necessidade de um esforço compensador constante. O estado de hipertensão crónica que daí deriva salva o doente, mantendo uma cir­culação mais ou menos normal. No entanto, todas as veias e os órgãos por elas irrigados continuamente estarão submetidos a uma pressão anormalmente elevada que se manifestará de modo desagradável, com dores de cabeça, vertigens, zumbido, ruídos nos ouvidos e, muito pior, com a ruptura de um vaso.

Uma ruptura poderá produzir-se em qualquer parte do corpo, mas será especialmente perigosa se se localizar no cérebro. A parte do cérebro por onde se derrama o sangue fica destruída e, com ela, todos os conhecimentos que aí se encontravam armazenados.

Como cada zona do cérebro é especializada no armazenamento de informações específicas, aquela em que se produziu a ruptura dos vasos provocará perturbações muito variáveis: perca de memória de alguns factos, perturbações da visão ou da fala, paralisia parcial ou total de um membro, paralisia de metade do corpo (hemiplegia) ou coma. A paragem brusca e mais ou menos total das funções cerebrais (ataque de apoplexia ou ataque cerebral) é frequentemente causada pela ruptura de um vaso e, o que é mais raro, por uma embolia ou uma trombose de uma artéria cerebral.

Arteriosclerose e decadência psíquica e intelectual

o ser humano não é apenas um corpo. Possui, também, uma vida psíquica que pode ficar completamente perturbada e, inclusivamente, destruída, quando o instrumento que lhe serve de suporte, o cérebro, deixa de funcionar correctamente.

A arteriosclerose dos vasos que irrigam o cérebro conduz a uma grave diminuição da sua capacidade funcional. A decadência intelec­tual e psíquica que daí deriva manifesta-se desagradavelmente de múltiplas formas. A capacidade de memória diminui bastante, o doente não se lembra do que disse e repete constantemente as mesmas coisas. Do mesmo modo, não se lembra igualmente do que se lhe disse e tem grandes dificuldades de concentração. Toma-se impossível manter uma conversa com nexo.

Incompreensões, confusões e esquecimentos aliam-se para tomar a vida quotidiana cada vez mais penosa. O com­portamento do doente toma-se irracional e imprevisível, por vezes, até, agressivo. Poderá apresentar obsessões, a sensação de ser perse­guido ou outras perturbações. Semelhante estado de incapacidade poderá prolongar-se por mui­tos anos, durante os quais a pessoa deixa de ter um comportamento responsável. Vemo-nos obrigados a dizer que vegeta e desperdiça o final da sua vida.

Tal situação, embora por um lado possa classificar-se de grave e dramática, por outro não pode ser considerada como uma doença no sentido normal da palavra, quer dizer, como um acontecimento terrí­vel que atinge sem motivo aquele que com ela sofre. Efectivamente, admite-se agora em todo o mundo que as doenças cardiovasculares são doenças da civilização, quer dizer, doenças que se devem à vida que as pessoas levam.

Não se trata de uma fatalidade, nem de consequências inevitáveis do envelhecimento, mas sim do resultado de uma escolha errada da higiene de vida. As culpas atribuem-se principalmente à superalimentação em lípidos, ao abuso de excitantes, ao sedentarismo e ao stress.

Doenças cardiovasculares: um problema de canalizações

Como vimos antes, as doenças cardiovasculares têm como deno­minador comum uma obstrução, mais ou menos pronunciada, dos vasos sanguíneos e da bomba cardíaca. Por outro lado, constituem um exemplo patente das doenças de sobrecarga. Por conseguinte, o pro­blema é análogo àquele que se apresenta aos canalizadores: o que teria entupido a canalização e como desentupi-la?

Além disso, as soluções que se podem adoptar são do mesmo tipo: desfazermo-nos dos “tam­pões”, comprovarmos a pureza do líquido em circulação e evitarmos um entupimento demasiado prolongado. Para um doente, isto significa limpar as suas veias, proporcionar ao sangue uma maior fluidez atra­vés de um regime alimentar e da estimulação dos órgãos-filtros, e, finalmente, libertar-se dos seus hábitos sedentários.

As doenças cardiovasculares são doenças da civiliza­ção e não consequências inevitáveis do envelhecimento.

De: Christopher Vasey

Do livro Compreender as doenças Graves Editorial Estampa Lda.

 

 


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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!