Como o Sistema Cardiovascular Adoece

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Como o Sistema Cardiovascular Adoece

Como o Sistema Cardiovascular Adoece

Analisando o Sistema Cardiovascular

De: Christopher Vasey

Do livro Compreender as doenças Graves

Antes de atingir o estado de lesões graves (gangrena, enfarte do miocárdio, hemorragia cerebral…), a degradação do sistema Sistema Cardiovascularcardiovascular passa por várias etapas, caracterizadas por diferentes tipos de pequenos incómodos e lesões, sinais precursores dos trans­tornos graves.

Estes sinais representam outras tantas advertências para que o doente modifique o seu modo de vida, de forma a salvar o seu sistema circulatório e, com ele, a própria vida.

1. Alteração do sangue

É sempre a primeira etapa do início da degeneração do sistema circulatório. Recordemos que a composição do sangue está de acordo com os nossos hábitos de vida, isto é, dos alimentos, das bebidas, dos excitantes, das drogas e dos medicamentos que consumimos, do ar que respiramos, da nossa actividade física, dos nossos pensamentos, etc.

Tudo quanto introduzimos no nosso corpo é também introduzido no nosso sangue. Quando a forma de vida ultrapassa as capacidades orgânicas, os resíduos acumulam-se no sangue.

Quanto mais se amontoam as toxi­nas, os refugos e os resíduos dos metabolismos, mais espesso e vis­coso será o sangue, facto que, como é evidente, dificulta a circulação. Os riscos da diminuição da velocidade e do estancamento da corrente sanguínea aumentam e, com eles, o risco de coagulação do sangue, no interior dos próprios vasos (trombose).

2. Formação de sedimentos nos vasos sanguíneos

Como efeito de uma viscosidade sanguínea permanente, os resídu­os aderem às paredes dos vasos. É o mesmo que acontece com um rio, quando arrasta, no seu caudal, muito lodo e detritos vegetais. Quanto mais numerosos forem os resíduos, mais lenta será a corrente e mais saturado de limos e detritos estará o leito do rio.

No sistema circulatório do homem actual, os sedimentos são cons­tituídos, principalmente, por matérias gordas (colesterol, por exem­pIo). Outros tipos de refugos (minerais residuais e resíduos nitrogenados … ) também aí se acumulam, quando tropeçam contra os sedimentos que lhes dificultam a passagem. Estas placas de resíduos que se formam contra as paredes dos vasos designam-se por ateromas.

Inicialmente isolados, acabarão por se expandir e, logo, unir-se. Quanto mais aumentar o seu volume, mais se reduzirá o diâmetro dos vasos sanguíneos. Desta forma, o espaço disponível para a pas­sagem do sangue diminuirá também. Face à agressão que representa a formação de ateromas, os vasos defendem-se, calcificando as suas paredes ao nível destes sedimentos. Deste modo, tomam-se duros e rígidos (arteriosclerose).

Os músculos localizados nas paredes vasculares perdem a elasticidade que lhes permitia contraírem-se, acabando por paralisar e atrofiar-se. Com o endurecimento das paredes vasculares e a perda de elasticidade, dei­xam de poder auxiliar a circulação.

3. Deformação dos vasos sanguíneos

Irritados pela acção dos resíduos arrastados pelo sangue, asfixiados pela diminuição da velocidade da corrente sanguínea e anémicos devido à falta de nutrientes, os vasos ficam consideravelmente debilitados.

Aqueles cujo contributo é mais solicitado deixam de poder resistir normalmente à força da pressão sanguínea que sobre eles se exerce. As suas paredes, lassas, dilatam-se de modo permanente formando vesículas, como se fossem caminhos laterais sem saída (varizes, hemorróidas, aneurismas, etc.).

Estas deformações diminuem a velo­cidade da circulação do sangue, dificultando a irrigação dos tecidos.

4. A obstrução progressiva dos vasos

Os ateromas poderão tornar-se tão importantes que causarão o tamponamento progressivo dos vasos. Os tecidos orgânicos que de­pendem destes vasos sentem-se cada vez mais privados de oxigénio e de substâncias nutritivas.

A falta de oxigénio far-se-á sentir rapida­mente: os músculos suboxigenados não conseguem contrair-se nor­malmente e, com isto, produzem-se cãibras e espasmos dolorosos.

lnclusivamente, as cãibras poderão manifestar-se após um pequeno passeio, quando as necessidades de oxigénio aumentam devido ao esforço, podendo levar o doente a coxear (coxeadura intermitente). Este fenómeno também pode produzir-se no músculo cardíaco. Ao espasmo do músculo cardíaco, devido a uma entrada de oxigénio insuficiente, associa-se uma sensação de angústia muito intensa, uma opressão torácica e dores fortes que se transmitem ao braço esquerdo, ao maxilar e às costas (angina de peito).

O alívio obtém-se através do repouso, uma vez que, nestas condi­ções, diminuem as necessidades de oxigénio, mas os transtornos rea­parecerão a cada esforço. Se não se efectuar uma reforma séria no sistema de vida, com o intuito de dificultar o desenvolvimento dos ateromas, alguns vasos acabarão por se obstruir completamente.

O sangue deixará de circular, ocasionando a morte de toda a região de tecidos dependente desses vasos. Poderão, até, apodrecer ou, melhor, gangrenar (principalmente nos membros inferiores, pois o sangue precisa de vencer a força da gravidade para abandonar os pés e percorrer o caminho de volta ao coração). A obstrução total de um vaso poderá também ocorrer bruscamente, em geral devido à formação de um coágulo (trombose) numa zona em que a vascularização esteja sensivelmente diminuída e na qual o san­gue sobrecarregado se encontra parado.

A presença do coágulo e dos ateromas contribui para interromper completamente a circulação no vaso que está afectado. Derivam daqui dores violentas, cãibras, infla­mação das paredes vasculares e fortes riscos de infecção. Se a obs­trução ocorrer numa veia, trata-se de uma flebite; se for numa artéria, será uma arterite.

5. Esgotamento do coração

Para manter uma circulação normal nesta rede de canais obstruídos por sedimentos e que transportam um sangue denso, o coração terá que aumentar a potência das suas contracções.

Deste modo, o sangue que é expelido com maior força poderá vencer com mais facilidade os obstáculos que para ele representa a passagem dos ateromas e dos órgãos congestionados pelos resíduos, como o fígado e os rins.

Esta hipertensão compensadora, ainda que consiga manter uma vascularização suficiente dos tecidos, não deixa, contudo, de ser uma situação anormal, tanto para os vasos como para o coração, os quais poderão ceder sob o peso do trabalho. Nos vasos sanguíneos, esta situação manifestar-se-ia pela ruptura de uma parede vascular, produ­zindo uma hemorragia (hematoma, púrpura, hemorragia nasal, hemoptise … ).

No coração, as válvulas que comandam a entrada e a saída do sangue separam-se (cardiopatias diversas). O sangue, não podendo ser propulsionado correctamente, em vez de avançar continuamente, re­trocede. A onda sanguínea já não possui a força nem o impulso su­ficientes (insuficiência cardíaca), amolecendo perante os obstáculos. A irrigação dos tecidos toma-se cada vez mais deficiente, porque a “bomba” já não funciona correctamente.

De: Christopher Vasey

Do livro Compreender as doenças Graves

Editorial Estampa Lda.

Como o Sistema Cardiovascular Adoece


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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!