ENTREGA TOTAL

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ENTREGA TOTAL

 

ENTREGA TOTAL

Partilhava algo muito íntimo com uma amiga minha; algo que partilhara muito poucas vezes, pois é um assunto que ainda mexe muito comigo, e ela, tendo se identificado com a minha experiência, disse-me que também havia sentido isso numa fase da sua vida, e que isso tinha a ver com o facto de não se entregar ao que estava a fazer. Essa partilha foi muito importante para mim, pois nunca mais me esqueci dessa frase que ela me disse, e durante o dia, várias vezes me recordo dessa palavra chave: ENTREGA.

Realmente não havia pensado nisso, e uma simples partilha respondeu-me a todas as questões, uma solução perfeita para todos os meus problemas: a entrega!

Pois por vezes ponho tantas defesas, procurando seleccionar aquilo que acho que é bom para mim e o que não é, que acabo por não me entregar plenamente á vida.

Por exemplo, se tenho frio e vou vestir-me para me proteger do frio, e se sinto calor e vou-me despir porque sinto calor: parece um acto perfeitamente normal, mas a diferença é que acabo por não sentir nem um nem outro! E não faz parte da vida sentir os dois? O frio e o calor? A alegria e a tristeza, a solidão e o se estar acompanhado, a esquerda e a direita, todas essas dualidades, que fazem parte da existência, não poderia existir uma sem a outra, e as duas são necessárias! Não há como fugir a uma delas, só anulando as duas, e é isso que eu sinto que faço muitas vezes, a anulação das duas, pois ao pôr tantas defesas acabo por estar em fuga de tudo, passando por elas, mas sem as sentir, ou melhor, sentindo algo que é uma criação minha, do que eu acho que é.

Já tive essa experiência com o frio; sempre tive uma relação complicada com ele, preferindo o calor ao frio, aliás, para mim nunca existiria o frio! Tal não era a minha rejeição a ele…mas de qualquer forma, o que eu sentia não era frio, mas sim uma ideia de frio, pois quando me pré-disponibilizei realmente, um dia, a sentir o frio, apercebi-me de que não precisava me defender dele. Não é nada como eu imaginava: o que eu sentia, acima de tudo, não era o frio, mas uma rejeição ao frio. O “frio” que eu sentia não era frio, era uma revolta enorme contra o facto de ele existir, e uma protecção/defesa, e era isso que me fazia sentir mal, e não o frio em si, pois não o sentia sequer. Ele não conseguia passar através dessa barreira que eu havia posto. Eu sei que parece estranho, mas sabemos que tudo o que existe é energia; apesar de parecer sólido, tudo é constituído do mesmo: vibração. E imagine-se uma rocha no meio de uma grande corrente: é um grande desgaste, ela faz um bloqueio, é um obstáculo á corrente, não flui com ela, tenta rompê-la. O que acontece é quase como que duas forças contrárias. Assim somos nós quando rejeitamos algo: aplicamos uma força contrária, e o que sentimos não é essa mesma coisa, mas sim essa força contrária.

Já quando vemos uma cana de bambu a ser balançada pelo vento, vemos que ela dança ao seu sabor, adaptando-se e ajustando-se ao seu balancear. Ela não rema contra a maré, ela deixa-se ir pela corrente, não sendo uma barreira, um obstáculo! Aplica uma força a favor da corrente! E é aí nesse ponto que eu quero chegar! Aqui entra a entrega! O viver plenamente! Utilizar todos os nossos sentidos para receber o que nos é oferecido!

A ENTREGA: Ela pode ser aplicada a todas as áreas da nossa vida; é ela que comanda o nosso grau de ligação com tudo o que nos envolve e connosco próprios. È ela que comanda a Felicidade, pois sem a entrega total ao momento, não existe VIDA!

 

Obrigado

Elisabete Milheiro 


2 Comments

Mafalda Carvalho

Abril 9, 2011at 4:43 pm

Amiga, é impressionante o que senti ao ler as tuas palavras, eu vi aquela Elisabete que estava sempre com imenso frio e que não deixava que ninguém entrasse no "domínio" dela, isto não é uma crítica é apenas um reflexo do espelho, pois eu também me via assim.
A dualidade de tu falas existe em tudo na vida, não dá para saber qual é o prazer do doce se não experienciármos o amargo, não é?
Beijo Mafalda

Elisabete

Abril 14, 2011at 3:45 pm

Obrigado Amiga, pelas tuas Palavras! Sim, essa Elisabete faz parte de mim, é a Elisabete que tem medo de sentir a vida, pois acha que ela é uma ameaça. Para ela, a cada esquina existe um perigo, que tem de ser evitado, portanto, a vida deve reger-se por um plano de fuga ou contra-ataque. Essa Elisabete está sempre lá, pronta para se fazer ouvir. A não ser que eu ponha acção nessa palavra-chave: Entrega Total. Aí tudo se torna mais suave, as cores sobrepõem-se, vejo que tudo são bênçãos, que nada é o que parece, e que tudo o que a vida me Oferece é para meu bem! Mas, como tu disseste, tudo é uma dualidade (pelo menos podemos ver assim, por enquanto), e de que forma poderia eu “avaliar” uma Elisabete, sem a outra?…E como poderia existir uma sem a outra? Como pode existir a Felicidade sem a Tristeza? Dá que pensar não?…
Obrigado Amiga, pelo teu comentário!

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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!