Espaço/tempo

 

Olhemos à nossa volta. Realmente tudo está a crescer a um ritmo alucinante – as plantas crescem a cada dia, as marés enchem e vazam, o sol nasce e põe-se, o vento limpa o céu, o progresso contínuo da ciência… Tudo está em pleno e continuo movimento, numa dança ritmada e harmoniosa…

Mas muitas vezes nem paramos para observar tudo isso e Agradecer a Benção que é estar Vivo e poder usufruir de cada momento.

Embrulhamo-nos na azáfama do dia-a-dia, como se isso tivesse alguma coisa a ver com viver. Logo que acordamos começamos a pensar em tudo o que temos que fazer durante esse dia, estipulamos tarefas, encontramos lugares onde precisamos de ir, descobrimos problemas para resolver; fazer almoço, jantar; ir para o trabalho; concentrarmo-nos no que não queremos – na falta, na insegurança, no medo, na raiva; horas para tudo – todos os minutos contabilizados, tudo para não estarmos nem um segundo connosco mesmos nem com o Universo.

Essa azáfama nada tem a ver com a evolução – é uma fuga.

Esse envolvimento tira o tempo e o espaço para podermos evoluir, crescer. Tudo parece tão ocupado. Todos estão muito atarefados e apressados para não viverem. Chegamos ao fim do dia cansadíssimos e dizemos para nós mesmos que conseguimos atingir os objetivos…Mas que objetivos? Os objetivos de não-vida?

Desculpamo-nos com o: não tenho tempo! Não estou em tal espaço!

Espaço ou tempo não existem. São meras ilusões – uma forma que a sociedade arranjou para ter o seu povo controlado.

Não me estou a queixar, apenas referindo um facto.

Criámos as nossas próprias prisões interiores – cheios de regras e leis terrenas; os nossos atos são totalmente regidos por crenças, paradigmas; parecemos mais autómatos do que outra coisa…

Criamos o nosso próprio sofrimento!

Espaço ou tempo não existem!

Quantas vezes não me desliguei do tempo, espaço, e consegui fazer muito mais coisas, de forma presente e com intenção, do que se estivesse sobre a gestão das horas ou do espaço?

Faz sentido andar embrulhados nessa roda-viva do dia-a-dia? Onde isso nos leva? A um sabor a amargo, que muitas vezes queremos disfarçar colocando máscaras bonitas – roupas lindas, perfumes, cores, etc.

Uma vida que não seja sentida não vale a pena, é desperdício de átomos… Átomos que podiam estar formando flores belíssimas, ou pertencer a águas cristalinas; átomos que podiam formar notas de euros, ou diamantes, estão sendo desperdiçados em formas que não querem viver?

Viver implica envolver-se com a vida, não envolver-se com a azáfama. Uma não tem nada a ver com a outra. Pelo contrário.

E quando tomamos consciência de que tempo e espaço não existem, podemos largar tudo, fazendo realmente o que importa – o que nos leva a evoluir. Deixamos as preocupações, as obrigações, a preguiça, o medo, a culpa, e colocamos a nossa atenção no que importa.

Elisabete Milheiro