DORES E ALEGRIAS

DORES E ALEGRIAS

DORES E ALEGRIAS

Rudolf Steiner

 

Dores e Alegria

“Os prazeres e alegrias nos acontecem na vida como algo que nos é dado pela sábia direção dos mundos, sem a nossa participação. Algo que temos que receber como uma graça e algo do qual devemos reconhecer que está determinado para nos colocar dentro do cosmo todo.  Então, enquanto através das dores e sofrimentos chegamos a nós mesmos e nos tornamos mais perfeitos, através de nossos prazeres e alegrias desenvolvemos, mas só se os tomamos como graças, aquele sentimento que só pode ser caracterizado como um sentimento de um repousar inefável nos poderes divinos e forças do Cosmo. E a única atitude correta perante os prazeres e alegrias é a gratidão. Ninguém se relaciona corretamente com os prazeres e alegrias, sem as horas solitárias do auto conhecimento...”

Rudolf Steiner

 

Quem olha para o seu destino com sentimentos despreconceituosos, como se tivesse querido as suas dores, experimenta algo muito particular quando observa seus prazeres e alegrias. Ele não se concilia com estes últimos, como com seus sofrimentos. Para nós é fácil achar consolo no sofrimento, e quem não acredita nisso tente se aprofundar . Mas é difícil se conciliar com alegrias e prazeres. Se alguém quiser se interiorizar profundamente no estado de ânimo de ter querido seus sofrimentos, ele não poderá deixar de se sentir profundamente envergonhado se projetar isso para seus prazeres e alegrias.

Ele experimentará um correto sentimento de vergonha e esse sentimento de vergonha não poderá ser superado a não ser que se diga: não gerei meus prazeres e alegrias por meio do meu próprio Carma! Esta é a única cura, do contrário o sentimento de vergonha poderá ser tão intenso que nos destrua a alma. A única cura está em não se supor mais esperto, pelo fato de ser levado para as alegrias. Com este pensamento se percebe que assim é, pois com este pensamento o sentimento de vergonha desaparece.

Os prazeres e alegrias nos acontecem na vida como algo que nos é dado pela sábia direção dos mundos, sem a nossa participação. Algo que temos que receber como uma graça e algo do qual devemos reconhecer que está determinado para nos colocar dentro do cosmo todo. Os prazeres e alegrias devem agir de tal forma em nós nos momentos festivos da vida, nas horas solitárias, como uma graça. Uma graça das potestades, todas do Cosmo, que querem nos acolher em si.

Então, enquanto através das dores e sofrimentos chegamos a nós mesmos e nos tornamos mais perfeitos, através de nossos prazeres e alegrias desenvolvemos, mas só se os tomamos como graças, aquele sentimento que só pode ser caracterizado como um sentimento de um repousar inefável nos poderes divinos e forças do Cosmo. E a única atitude correta perante os prazeres e alegrias é a gratidão. Ninguém se relaciona corretamente com os prazeres e alegrias, sem as horas solitárias do auto conhecimento.

Se associarmos estes prazeres e alegrias ao nosso Carma, nos entregamos a um erro que enfraquece o espiritual em nós e nos paralisa. Cada pensamento de que os prazeres e alegrias são merecidos por nós, nos enfraquece e paralisa. Isso pode parecer duro, pois alguns gostariam, que da mesma forma que associam a sua dor com algo que foi desejado para si mesmo e como algo que lhes chegou através de sua própria individualidade, gostariam de se sentir senhores de suas alegrias e prazeres.

A observação comum da vida nos ensina que prazeres e alegrias tem algo de dissolvente. Nunca este elemento dissolvente do prazer e da alegria conseguiu ter sua melhor expressão do que no “Fausto” de Goethe, onde este elemento paralisante na vida humana se torna perceptível com as palavras: “Assim cambaleio eu dos apetites para os prazeres e nos prazeres anseio por apetites”.

Quem reflete um pouco sobre a influência do prazer, quando é tomado pessoalmente, perceberá que o prazer tem algo que nos leva a uma vida titubeante e dissolve a nossa individualidade. Mas isto não deve ser uma recomendação para nos submetermos a auto flagelação e para nos fixar com tenazes ardentes. Não deve ser assim. Mas o fato de reconhecermos corretamente uma coisa, não significa que tenhamos que fugir dela. Nós temos que aceitá-la tranquilamente, assim como ela nos aparece, mas temos que desenvolver o ânimo de que experimentamos como uma graça e quanto mais for assim, tanto melhor seremos capazes de penetrar no divino.

De forma que estas palavras não são ditas para predicar o ascetismo, mas para despertar o ânimo correto perante o prazer e a alegria.Não deve ser assim. Mas o fato de reconhecermos corretamente uma coisa, não significa que tenhamos que fugir dela. Nós temos que aceitá-la tranquilamente, assim como ela nos aparece, mas temos que desenvolver o ânimo de que experimentamos como uma graça e quanto mais for assim tanto melhor seremos capazes de penetrar no divino. De forma que estas palavras não são ditas para predicar o ascetismo, mas para despertar o ânimo correto perante o prazer e a alegria.

Quem afirmar que o prazer e a alegria tem algo de paralisante, dissolvente, por isso ele se afasta do prazer e da alegria o ideal do falso ascetismo, da auto flagelação, se afasta da graça que lhe é presenteada pelos Deuses. E no fundo, as auto flagelações dos ascetas, dos monges e das freiras, são contínuas rebeliões contra os Deuses. O certo é que nós sintamos as dores como algo que nos provém do nosso carma e que sintamos as alegrias como uma graça como uma inclinação do Divino para nós. O prazer e a alegria devem ser encarados como um sinal de quanto Deus se aproximou de nós, e a dor e os sofrimentos devem ser encarados como um sinal do quão longe estamos daquilo que temos de atingir como seres humanos.

Esta visão dá o ânimo fundamental perante o Carma, e sem esse ânimo fundamental perante o Carma nós não podemos em verdade progredir na vida. Temos que sentir que por trás daquilo que o mundo nos trás como bom, como belo, se encontram os poderes dos quais a Bíblia escreveu: “…e eles viram que ele era belo e era bom, o mundo ”. Mas enquanto nós precisarmos sentir o sofrimento e a dor, temos que reconhecer no decorrer das encarnações o que o homem fez no mundo, o qual era bom no começo e que ele deve melhorar enquanto ele se educa para uma enérgica tolerância das suas dores.

 

Fonte: http://www.antroposofy.com.br/forum/rudolf-steiner-dores-e-alegrias/

Postado por Isabel Pato

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