Os efeitos da vergonha!

Os efeitos da vergonha!

Os efeitos nocivos da vergonha

Não entendo! Primeiro, dizem que não se pode bater.

E agora, que não pode pôr de castigo, não pode gritar, ser rude. Afinal de contas, como vou educar? Sabemos que precisamos ensinar as crianças a serem bem comportadas.

Elas precisam de disciplina!

vergonha

Muito se fala sobre castigos físicos em crianças. Os seus efeitos já têm sido estudados por um bom tempo. Vários países implementaram legislações para proibir o uso de castigos corporais e organizações internacionais têm debatido a eliminação dessa prática.vergonha

Porém, não é incomum que pais e educadores considerem castigos psicológicos como uma alternativa plausível para os castigos físicos.

 

Mas serão os castigos psicológicos realmente uma alternativa para os castigos físicos?

Será isso que prega a disciplina positiva?

 

Humilhar/envergonhar/constranger crianças é um hábito muito antigo. Na Idade Média, o ritual de batismo incluía o exorcismo do demônio do corpo da criança. Alguns padres diziam que, se o bebê chorasse um pouco mais do que era considerado normal, ele estava cometendo um pecado. No século XVII, achava-se que os bebês nasciam cheios de sujidade de pecados herdados dos pais.

Portanto, é uma antiga tradição culpar a criança pelos inúmeros desafios e dificuldades encontrados pelos pais. Infelizmente, essa forma de pensar persiste até hoje (embora de modo menos extremo). Por exemplo, é comum rotular uma criança que tem um ataque de birra (ou explosões emocionais, como preferimos chamar) de mimada, ou dizer que ela está desafiando os seus pais, ou acusá-la de só fazer isso para chamar atenção…

Nesse artigo vamos discutir um pouco sobre castigos psicológicos. Discutiremos a vergonha (o que é, quais possíveis efeitos de envergonhar/constranger a criança na tentativa de ensiná-la alguma coisa), discutiremos algumas alternativas mais saudáveis a usar castigos psicológicos na educação.

 A vergonha

Nas punições físicas, o fator limitador é a dor: a criança é machucada fisicamente para parar de fazer o que estava fazendo. Já nos castigos psicológicos, o fator limitador é a vergonha/constrangimento ou humilhação que a criança sente.

Ridicularizar, envergonhar, humilhar ou constranger a criança é uma tática poderosa para modificar o seu comportamento. É fácil: é só fazer a criança sentir que não tem valor, não tem poder, não tem amor, ou não tem controle sobre seu ambiente. Então, quando a criança se sente assim, ela rapidamente tentará ganhar a atenção, o amor de seus pais. E quando isso acontecer, voilá! Os pais terão a ilusão de que a tática funcionou! E é por isso que envergonhar as crianças é tão comum.

Os insultos: “Seu menino safado!”, “Você está sendo infantil!”, “Sua menina mimada!”, “Bébé chorão!”

As comparações: “Por que você não pode ser mais assim, ou assado?”, “Nenhuma outra criança age como você!”, “Seu irmão jamais faria isso, ele é muito melhor que você”.

As desmoralizações: “Bons meninos não fazem isso”, “Menina ruim!”, “Sua estúpida, burra!”

As expectativas de maturidade precoce: “Cresça!”, “Pare de se comportar como um bebê!”, “Engole esse choro, seja forte”, “Meninos grandes não choram”, “Grande assim e ainda usa fralda?”.

As expectativas baseadas no gênero: “Aja como homem!”, “Não seja uma menininha!”, “Não está parecendo um menino, mas uma mariquinha!”

As expectativas baseadas em competências: “Você não tem jeito!”, “Seu desastrado!” “Tinha que ser o/a fulano/a que fez isso!”

Mensagens de vergonha e humilhação (sejam verbais, ou conseguidas através de desdenhar, ignorar, mostrar desgosto) são significativamente difíceis de apagar. Poucas coisas podem ser mais destrutivas do que comparar um irmão ao outro ou uma criança a outra para ridicularizá-la, para afirmar que suas aptidões são escassas, para apontar falhas e pouca iniciativa. Isso gera sentimentos negativos que podem resultar não apenas em ódio em relação aos pais, mas em sentimentos de inferioridade e outros efeitos a longo prazo.

 

Quero conversar muito sério aqui: a verdade é que esses sentimentos de desvalorização e depreciação (causados pelos castigos psicológicos) podem causar cicatrizes profundas que podem demorar muito tempo para sarar (isso se um dia sarar). Isso porque as crianças são mais vulneráveis.

Vamos a seguir analisar porque essas atitudes têm potenciais efeitos danosos a curto e longo prazo e não são educativas.

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O que é envergonhar?

A vergonha tem como função fazer com que a criança modifique seu comportamento através de sentimentos negativos sobre si mesmas. Geralmente envolve um comentário (direto ou indireto) sobre o que a criança é, fazendo com que ela se sinta mal, inferior. Ou seja, envergonhar dá à criança uma imagem negativa sobre o que ela é, não sobre o que ela fez (seu comportamento). E quando focamos em tratar só o comportamento, rapidamente pensamos em usar castigos ou táticas de envergonhar a criança, para que ela faça o que queremos.

Como pais, tendemos a usar a vergonha quando nos sentimos exaustos, irritados, frustrados, e quando sentimos a necessidade de controlar nossos filhos. Ou seja, atos que envergonham funcionam como válvula de escape para frustração dos pais: envergonhar libera raiva, e faz o envergonhador se sentir melhor – mas só temporariamente.

Embora seres humanos nasçam com a capacidade de sentir vergonha, ninguém nasce envergonhado. A vergonha é uma emoção aprendida, que começa a se manifestar por volta dos 2 anos de idade, quando a criança aprende uma linguagem e percebe sua própria imagem. A propensão de se envergonhar numa situação específica é aprendida, ou seja, sempre que há vergonha, há um envergonhador. Nós aprendemos a nos envergonhar porque alguém que nos é importante nos envergonhou. Mensagens de humilhação são muito mais poderosas se vierem de quem é próximo, de quem amamos, admiramos, e é por isso que o seu uso pelos pais pode ter efeitos muito profundos nas crianças (embora mensagens humilhantes de professores, irmãos e colegas possam também machucar a autoestima da criança).

Se consideramos que as punições verbais ‘funcionam’ porque mudam o comportamento da criança, estamos limitando perigosamente nossa visão da criança ao que conseguimos ver. Só vemos (e tratamos) a ponta do iceberg e ignoramos o interior da criança: as emoções que estão por trás de seu comportamento e o sofrimento causado pela vergonha.

Mas não há espaço para a vergonha?

John Bradshaw, no seu livro ‘Healing The Shame That Binds You’ sugere que uma vergonha saudável venha do impacto claro de nossas ações nas nossa relações. Ela não vem de outras pessoas nos chamando de safados ou ruins.

A vergonha pode ter um papel saudável para os que têm maturidade suficiente para serem totalmente responsáveis por suas ações. Por exemplo, adolescentes ou adultos que cometam ofensas não podem ser reabilitados ao menos que sintam uma vergonha genuína por suas ofensas. Então, a vergonha não é sempre indesejável.

O problema é que envergonhar tem sido usado muito frequentemente e inapropriadamente, o que pode ser chamado de vergonha tóxica. Bradshaw diz que a vergonha tóxica é induzida nas crianças em todas as formas de abuso infantil, sendo que o incesto e outras formas de abuso sexual podem causar uma vergonha tóxica particularmente grave.

O custo da vergonha- o que dizem os estudos científicos?

Até bem recentemente, pouca consideração era dada aos possíveis efeitos danosos dos castigos emocionais e verbais, como envergonhar/constranger as crianças. Atualmente, psicólogos e cientistas têm se esforçado para estudar a vergonha em vários aspetos, incluindo como ela afeta as relações pessoais e a sociedade em geral.

Um estudo encontrou uma correlação entre agressões verbais e menor autoestima e desenvolvimento escolar em crianças. Um estudo recente correlaciona a vergonha com desejo de punição. Os indivíduos que foram envergonhados têm mais chances de serem agressivos e de exibirem comportamentos autodestrutivos. Outros estudos mostram que a vergonha faz com que as pessoas se fechem para relacionamentos, se isolem, que tentem compensar esses sentimentos profundos com atitudes de superioridade, bullying, auto depreciação, perfecionismo obsessivo, e em alguns casos com comportamentos hostis e de fúria. Em casos severos, sentimentos de vergonha obsessivos podem contribuir para desenvolvimento de distúrbios mentais, uma possibilidade até recentemente ignorada. Nesse sentido, pesquisadores estão descobrindo conexões entre uma infância de humilhações e vergonha e condições como depressão, ansiedade, vício em drogas e comportamentos arriscados, distúrbios de personalidade, transtorno de obsessão compulsiva, distúrbios alimentares, fobias e disfunções sexuais.

Além disso, castigos verbais que envolvem frequentemente um constrangimento da criança são extremamente frequentes, ocorrendo em quase todas as casas e escolas. Um estudo canadense descobriu que somente 4% das crianças não tinham sido alvos de comentários de vergonha de seus pais, incluindo rejeições, diminuições, terrorismo, críticas destrutivas ou insultos. Esse estudo mostra claramente que envergonhar a criança é comum não só em famílias abusivas, como também é aceitável e comum em famílias gente boa.

Vergonha, autoestima e ciclo vicioso

A imagem que temos de nós mesmos (nossas habilidades, qualidades, nossa natureza) é construída desde a primeira infância, através do que ouvimos sobre nós de quem amamos, de que se importam connosco. Então, as crianças se percebem da maneira que são percebidas pelos pais e cuidadores. Se estão constantemente recebendo mensagens de que são más, não valem nada, são burras; elas acabam correspondendo às expectativas, resultando na internalização da mensagem de que são inerentemente más. Ou seja: a autoestima determina o comportamento da pessoa, de modo que as crianças vão agir conforme se sentem interiormente. Se se sentem mal, se acreditam que são más (porque ouviram isso repetidamente), se comportarão mal. Infelizmente isso pode resultar num ciclo vicioso de humilhações. A criança se comporta mal, então ouve que é má, e corresponde à expectativa, se comportando mal novamente. Esse ciclo pode perpetuar até que os pais mudem de atitude.

Como exemplo, uma menina de 10 anos derruba seu sumo e imediatamente começa a respirar ofegante até hiperventilar de tanta ansiedade, e exclama em voz alta: “Eu sou estúpida, muito estúpida!” Claro, essas foram as mesmíssimas palavras que ouviu de seus pais, repetidamente. Como ela vivia com medo do julgamento de seus pais, aprendeu a envergonhar a si mesma do mesmo jeito que foi envergonhada.

No entanto, às vezes, as crianças viram a mesa de forma negativa: elas reclamam que perderam todo o controle sobre suas vidas e acham então outra pessoa para controlar – geralmente alguém menor e mais vulnerável que eles.

A vergonha inibe a expressão de todas as emoções – com uma exceção ocasional – da raiva. Pessoas que se sentem envergonhadas tendem a se expressar nos extremos: paralisar e inibir as emoções, ou com explosões de hostilidade e raiva, algumas vão trocando de um extremo a outro. Não há uma expressão corporal definida da vergonha, que permite que nos dissipemos dela. E essa é a razão pela qual os efeitos da vergonha duram por um longo tempo.

Vergonha e empatia

Com tudo isso, concluímos que a vergonha tem o poder de controlar o comportamento, mas não ensina empatia. Quando rotulamos uma criança frequentemente de safada ou algo parecido, ela rapidamente se preocupa consigo mesma e com a falha de agradar, aprende a se rotular, mas não aprende nada sobre como se relacionar, sobre como considerar ou compreender os sentimentos dos outros.

Para que a empatia se desenvolva, crianças precisam que nós mostremos como os outros se sentem. Ao chamar crianças de safadas, por exemplo, não indicamos nada à criança sobre como nós nos sentimos em resposta ao seu comportamento. As crianças não conseguem aprender a se importar com os sentimentos dos outros, ou como seu comportamento afeta os outros, enquanto estão pensando: ‘há algo de errado comigo’.

A única base verdadeira para moralidade é um sentimento profundo de empatia para o sentimento dos outros. Empatia não é necessariamente o que motiva o bom comportamento. Somos muito ingênuos de confundir obediência baseada na vergonha com comportamento motivado pela moralidade, e, inclusive, estudos recentes discutem essa questão e propõem que punições (físicas e psicológicas) diminuem a autoestima e enfraquecem as habilidades de resistir a tentações.

Na melhor das hipóteses, envergonhar repetidamente leva ao conformismo superficial, baseado em desaprovação de escape e busca por recompensas.

A criança aprende a evitar a punição ao se tornar submissa e obediente (e o mesmo é verdadeiro para as crianças submetidas a castigos físicos). Esse jogo de ‘boas maneiras’ não foi necessariamente baseado em respeito real e interpessoal.

Vamos agora focar em alternativas para desconstruir a vergonha

Não há dúvida alguma que ser pai e mãe pode ser frustrante, mas não faz sentido presumir que a criança está nos irritando de propósito. Essa maldade imaginada é geralmente que nos impulsiona a envergonhar a criança. Quero encorajar o leitor a perceber que é possível respeitar a criança e orientar limites com empatia, sem que seja preciso humilhar ou envergonhar a criança. Entretanto, isso requer uma mudança fundamental na atitude, começando com uma reavaliação do que achamos que motiva o comportamento da criança.

Entender em vez de envergonhar

É preciso sempre procurar entender o que motiva as crianças a se comportarem mal. Se não fizermos isso e as punirmos psicologicamente, arriscamos negligenciar suas necessidades e arriscamos interromper um processo de aprendizado que é apropriado ao estágio de desenvolvimento.

Alguns exemplos:

Às vezes crianças repetem comportamentos agressivos, repetidamente, e isso pode ser devido a conflitos familiares, bullying na escola, ou competição com irmãos, é preciso investigar as possibilidades com calma.

Crianças choram quando estão machucadas, e elas têm o direito de se expressar. Mesmo que seja duro de ouvir, temos que lembrar que é uma reação normal e saudável e que merece atenção. É trágico ver o quão frequente crianças são humilhadas por chorar.

Crianças geralmente ‘mostram’ suas dores agressivamente, quando eles não sabem outra maneira mais segura de mostrar que estão sofrendo. Ironicamente, o fato de sofrer constrangimento por si só pode ser a causa por trás do comportamento difícil.

Crianças são muito sensíveis às vibrações do ambiente, elas entendem e absorvem as tensões entre os pais e outros membros da família. Às vezes, o mau comportamento pode ser o modo da criança de reagir a essa tensão.

Crianças são menos propensas a fazerem birras (explosões emocionais) se estão satisfeitas recebendo atenção, e sua fome por brincadeiras, descobertas e contato humano prazeroso está satisfeita.

Crianças podem estar rabugentas ou difíceis simplesmente por estarem cansadas. Nesse caso, o que é considerado mau comportamento pode ser uma maneira da criança dizer “Estou no meu limite!” Curiosamente, nós adultos, quando reagimos com insultos verbais, estamos comunicando a mesma coisa.

Ao invés de envergonhar, atacar ou humilhar, podemos educá-las positivamente

Se focarmos em tratar o ser humano ao invés de tratar só o comportamento, seremos capazes de empatizar, ensinar e guiar positivamente para um comportamento melhor. Quando tratadas com o mesmo respeito que adultos, e expostas a adultos que respeitam um ao outro, crianças irão naturalmente desenvolver uma capacidade para comportamento empático, carinho e respeitoso. O que podemos fazer?

Disciplinar com conexão e vínculo. Entenda que crianças calmas, conectadas, absorvem informação muito melhor. Perceba que as punições não são efetivas para uma disciplina com vínculo. É isso que chamamos de disciplina positiva (disciplinar, do verbo ‘guiar’, o que não tem nada a ver com castigar).

Quando estão brincando, seus cérebros estão muito recetivos, ótima oportunidade para ensinar comportamentos apropriados.

Consequências que ensinam, não que humilham. Consequências que são apropriadas e ensinam como resolver problemas são muito mais efetivas a longo prazo. A consequência deve ser relacionada ao comportamento que se tem intenção de ensinar, não a fazer a criança se sentir mal consigo mesma.

Cultivando empatia através da memória. Pais frequentemente fazem com seus filhos o que foi feito com eles. É sabido que a violência se perpetua em ciclos através das gerações. Muitos pais percebem que estão perpetuando esse ciclo quando eles começam a envergonhar seus filhos, da mesma maneira que seus pais lhe fizeram. Para mudar, é preciso ter uma profunda empatia com a criança, e isso acontece quando lembramos como nos sentimos quando éramos crianças. Procure ajuda, terapia se for o caso. É importante entender nossos traumas para lidar saudavelmente com nossas crianças, sem envergonhá-las.

Lidando com emoções. Como pais, não é incomum estarmos cansados, frustrados, às vezes quase explodindo. Quando não encontramos modos saudáveis de descarregar frustações, arriscamos fazê-los em nossos próprios filhos. Crianças são crianças, e o fato de que cuidar delas pode ser difícil não é culpa delas, elas não exigem demais porque querem irritar. Há muitas maneiras de redirecionar o excesso de raiva, como gritar num travesseiro, andar, ou conversar com amigos. Toda capacidade de amar é finita, somos humanos. Quando estamos no limite, precisamos de ajuda. Peça ajuda, aceite ajuda, de amigos e da comunidade. Quando dizemos ou fazemos algo que causa constrangimento em nossos filhos, leve isso como sinal de que estamos precisando de mais ajuda.

Deixe que eles se expressem e respeite seus sentimentos. Abrace. Acolha. Use palavras empáticas.

Não intervenha a cada impulso, redirecione quando possível. Precisamos lidar com o impulso de intervir nas atividades das crianças, quando achamos que a criança vai se machucar ou um objeto vai quebrar. Ao invés de constranger a criança para evitar esse tipo de situação, podemos oferecer uma atividade alternativa mais saudável. Além disso, agressões ocasionais são parte de um desenvolvimento normal. Crianças são frequentemente envergonhadas e punidas por isso, ao invés de serem orientadas a outras maneiras de canalizar sua agressão natural com segurança.

Dê o exemplo. Dar o exemplo é a ferramenta mais poderosa na educação. As crianças não fazem o que você fala, mas o que você faz. O tipo de respeito que eles mostram aos outros e a eles mesmos é um reflexo do tipo de respeito que foi mostrado a eles- e o respeito que eles testemunharam entre as pessoas importantes em sua vida. Estamos sendo bons exemplos para o tipo de comportamento que queremos que nossos filhos tenham?

Entenda seus estágios de desenvolvimento. Mau comportamento ou estágio de desenvolvimento? Às vezes o que condenamos como mau comportamento é simplesmente uma tentativa da criança de saciar alguma necessidade dela da melhor maneira que ela encontrou. Talvez, ela esteja tentando dominar uma nova habilidade.

A curiosidade incessante das crianças – um alvo frequente para castigos psicológicos – é o que as leva a conhecer e aprender o mundo. Quando as crianças são encorajadas a explorar de modo seguro ao invés de serem castigadas, sua autoestima cresce. Infelizmente, frequentemente chamamos um comportamento supranormal de exploração, que é totalmente apropriado de acordo com a idade, de safadeza, malcriação, simplesmente porque desafia nossa necessidade de ordem, ou porque cria um problema para nós.

No período que se costuma chamar de terrible twos (e pelos próximos anos), crianças estão descobrindo como estabelecer seus próprios limites. Nesse período podem ser egoístas, possessivas, exuberantes, curiosas, impacientes, até hostis. Uma criança de 3 anos que desafia sua mãe porque não quer guardar seus brinquedos – após a mãe ter pedido que ela o fizesse várias vezes – pode estar tentando encontrar uma autoidentidade separada e distinta. Eles estão aprendendo a proclamar sua individualidade, seu senso de motivação. Isso é imperativo para que eles aprendam a se defender, a se sentirem fortes e para resistir a poderosas pressões de grupos mais tarde em suas vidas. Ou seja: crianças pequenas podem ser irritantes. Mas isso não significa necessariamente que estão comportando-se mal. Limites são essenciais, mas se as crianças se sentem envergonhadas por suas tentativas desastradas de adquirir autonomia, elas não podem caminhar para a maturidade e confiança. Em outras palavras: se insistirmos em esmagar sua desobediência, em envergonhá-los até que sejam submissos, estamos lhes ensinando que estabelecer limites para eles mesmos não é permitido.

Outro exemplo do que acontece quando não sabemos os estágios de desenvolvimento: muitas crianças são treinadas para o desfralde muito precocemente, antes de terem de fato o controle voluntário dos esfíncteres. Esse desfralde precoce se torna uma batalha, com crianças sendo envergonhadas e punidas por uma inabilidade natural da idade deles.

Até bebês são considerados mal-educados, quando por exemplo não dormem quando deveriam. Como é possível que um bebê de 5 meses, por exemplo, seja safado por não conseguir adormecer? Embora seja difícil para os pais de bebês que passam por períodos de sono interrompido, não faz sentido algum rotular um bebê de desobediente.

Já avançamos muito sobre nosso entendimento de desenvolvimento infantil nas últimas décadas. Informe-se, estude. Quando temos expectativas reais, diminui-se a chance de encorajar a criança a ter um comportamento precoce para seu estágio de desenvolvimento, causando-lhe constrangimento e humilhação.

E agora?

Muitas pessoas ainda estão convencidas de que bater e humilhar são os únicos antídotos para prevenir comportamentos antissociais em crianças. Quando se fala em deixar essas práticas de lado, muitos interpretam como se estivéssemos sugerindo tirar todo o poder dos pais, ou culpando-os, ou ainda, que sejam permissivos e deixem a criança fazer tudo o que quiser. Mas não! Na verdade, os limites mais efetivos e saudáveis e que resultam em crianças com melhor autoestima são os que são orientados sem violência ou humilhação.

Quando você se propõe a usar esse novo paradigma para orientar limites de forma respeitosa, sem envergonhar ou humilhar, as crianças desenvolvem, gradualmente, uma capacidade de ouvir e compreender os sentimentos dos outros. Crianças criadas sem castigos, com comunicação clara e empática e bons exemplos têm mais chances de fazer as escolhas certas, porque:

  1. Serão mais recetivas aos nossos conselhos, até na adolescência!
  2. Aprenderão a lidar com suas emoções
  3. Terão mais autodisciplina, que foi desenvolvida através de limites orientados com empatia.

Por outro lado, crianças que foram punidas não estão escolhendo aquele limite/comportamento, mas foram forçadas a isso. Então, elas não exercerão uma autodisciplina, assim como aquelas que não tiveram limites (permissivismo). É possível também que a criança que sofreu punições não siga suas orientações quando quem lhe pune não esteja vigiando, ou seja: limites estabelecidos por punição não funcionam.

Essa linha (que chamamos de disciplina positiva) é obviamente mais trabalhosa e demorada, mas é mais saudável e ensina de fato, não só condiciona, pois considera que há um ser humano valioso por trás daquele comportamento.

Mas… Se usarmos disciplina positiva, com muita paciência e empatia, e mesmo assim seu filho ainda não quer cooperar? Oras, isso acontece às vezes! Todas as crianças têm dias em que suas emoções estão à flor da pele (adultos também!). Re-conectar, mostrar mais empatia, e mais paciência, às vezes usar um pouco de humor ou até chorar junto com eles… ou até só ficar quieto, respirando e mostrando, com sua presença calma e amorosa, que está lá até a crise passar. E aos poucos conseguiremos ajudar as crianças a lidar com essas emoções e a cooperar, sem ter que fazê-los passar por situações humilhantes ou vexatórias.

Termino esse texto aqui com uma citação do autor do maravilhoso livro ‘Longe da árvore’ – Andrew Solomon:

“Quando sentimos vergonha, não conseguimos contar nossas histórias. E as histórias são a fundação da nossa identidade.”

 

Fonte Original:

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/blog/textos/os-efeitos-nocivos-da-punicao-psicologica-contra-as-criancas

Adaptado e postado por : Isabel Pato

O sono do bebé!

O sono do bebé!

A importância do sono do bebé!

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A saúde e o equilíbrio de um indivíduo estão intimamente ligados ao seu ritmo. Na criança e no bebé mais ainda, afinal ela está aprendendo a entender o mundo e quem estabelece este ritmo, na infância, são os pais ou cuidadores.

Nos primeiros 7 anos de vida, a criança desenvolve-se muito. Na parte física, por exemplo, ela ganha muito peso e cresce bastante. Sabemos que durante o sono a criança se desenvolve ainda mais, então é essencial que ela durma bastante, de preferência durante a noite.

Hoje em dia, há uma grande dificuldade em alcançar uma rotina natural do DIA e da NOITE como antigamente. As horas de sono, por exemplo, têm diminuído bastante segundo diversos estudos, principalmente depois da chegada da luz elétrica. Agora, com a incidência dos tablets, telemoveis, televisão etc., nem se fala. Toda esta tecnologia de luz rouba muita vitalidade, principalmente das crianças, que precisam de muitas horas de sono e também de rotina na alimentação.

No caso dos bebés, para um bom funcionamento natural do organismo, eles alimentam-se, digerem, repousam, para depois se alimentarem novamente. Se esta rotina não é bem feita e orientada pelos pais, o processo digestivo sobrecarrega-se, gerando um mal-estar e cólicas no bebé, que por sua vez não consegue adormecer, criando o chamado efeito dominó.

Não é à toa que um bebé bem NUTRIDO é um bebé que tem a sua hora de comer e de dormir respeitadas, afinal uma criança com sono e cansada não terá o mesmo prazer em se alimentar. Da mesma forma, uma criança com fome – ou com uma digestão difícil por estar sobrecarregada – não conseguirá relaxar para um sono tranquilo. Estes fatores devem ser considerados em todas as idades, não só para os bebés.

A criança precisa deste ritmo não só para as suas necessidades orgânicas, mas também para as suas necessidades emocionais. Se a criança reconhece que a vida tem um ritmo, que o sol se levanta e se põe, que existem as estações do ano, que ela faz aniversário todo ano na mesma época, ela terá uma segurança emocional que vem através da previsibilidade.

Ou seja se ela sabe que as coisas acontecem e que ela não tem que gritar, se stressar para conseguir algo, todo o seu entorno caminhará em mais harmonia, inclusive sua alimentação.

Dr. António Carlos de Souza Aranha

Os seténios

Os seténios

Os seténios

Seténios
Steiner descreve o ser humano sob alguns ângulos que tem efeito direto sobre a educação: a constituição humana e o desenvolvimento da personalidade em ciclos de 7 anos (setênios). 

A constituição Humana.
Para Steiner, o ser humano é constituído de três veículos de expressão: o corpo, as emoções e a mente.

A esses três veículos correspondem três funções: o querer, o sentir e o pensar. Todos esses aspectos precisam ser educados com a mesma atenção para a plena realização do potencial humano. Esse é o objetivo da Pedagogia Waldorf, e por isso ela desenvolveu atividades para cada um daqueles aspectos.
O corpo é educado por meio de atividades praticas como jardinagem, marcenaria, construção, ginástica, trabalhos manuais, entre outras. A educação do corpo, tal como é praticada nas escolas Waldorf, fortalece também o caráter da criança, pois desenvolve a sua força de vontade, criando nela qualidade como disposição para enfrentar dificuldades e perseverança.
As emoções são educadas por meio da arte: música, desenho, pintura, teatro, recitação, escultura e cerâmica. Por meio da expressão artística, são dadas muitas oportunidades para o refinamento da sensibilidade, harmonização de conflitos na área afetiva e interação social.
A mente é educada por meio da transmissão do conhecimento já adquirido pelo homem, de forma balanceada e adequada á idade do aluno. Nas escolas Waldorf busca-se cultivar o sentimento de admiração que as crianças tem em relação à natureza e ao mundo como forma de manter vivo o seu interesse em aprender. A arte e atividades práticas são também instrumentos a serviço das matérias acadêmicas.Com a educação integrada de todos os aspectos do seu ser, a criança aprende a não dissociar seus pensamentos e sentimentos às ações. Torna-se um adulto equilibrado e coerente.

Seténios

Seténios

Os setênios
         É de conhecimento geral algumas crises básicas na biografia humana: aos 7 anos, a troca dos dentes; aos 14, a puberdade; aos 21, a maioridade. Aprofundando a observação dos períodos delimitados por essas crises, Steiner percebeu a qualidade essencial de cada um deles.
         Os primeiros 7 anos de vida são dedicados ao conhecimento do corpo, seus limites e capacidades. A aprendizagem nesse período é realizada principalmente por vias inconscientes, baseada na imitação. A criança estrutura suas experiências por meio de brincadeiras que brotam de sua imaginação. A virtude básica que a criança precisa ver manifestada ao seu redor é a gratidão pela vida. O mundo é bom!
         Dos 7 aos 14 anos, os sentimentos estão se consolidando. É de suprema importância, nessa fase, as atividades artísticas. São então criadas as bases para o comportamento ético: o sentimento de fraternidade para com os semelhantes e de reverencia em relação aos mistérios da natureza. A virtude básica que a criança precisa ver manifestada ao seu redor, nessa fase, é a beleza. O mundo é belo!
         Dos 14 aos 21 anos, os pensamentos e a visão pessoal do mundo são estruturados de forma mais abstrata. Surgem perguntas existenciais. A virtude básica que o adolescente precisa perceber ao seu redor é a sinceridade da busca dos que o rodeiam. O mundo é verdadeiro!
Fonte: Pólen Jardim Escola – Belo Horizonte/MG
Postado por Isabel Pato
PERCEPÇÕES SENSORIAIS DA CRIANÇA

PERCEPÇÕES SENSORIAIS DA CRIANÇA

O PENSAR VINCULADO ÀS PERCEPÇÕES SENSORIAIS DA CRIANÇA

Percepção sensorial da criança

“Quanto mais actuamos e percebemos a vida, mais desenvolvemos nossa capacidade de pensar. Através das minhas vivências e experiências crio minhas próprias concepções individualizadas das percepções sensoriais através do pensar. Através da vivência, aprofundo meu pensar. Assim o pensar é capaz de criar relações de minhas vivências com outros âmbitos da vida. Neste processo é desenvolvida a nossa Alma individual. Atuamos com mais profundidade, complexidade e sensibilidade (sentidos). Uma vida rica em experiências eleva o nosso pensar e aprofunda nossa percepção da vida, aumentando nossa sensibilidade. Uma pessoa que desenvolve uma grande sensibilidade pode perceber as forças sutis na natureza, suas atuações e relações (até os âmbitos supras-sensíveis).

Leonardo Maia

Vivemos uma época onde o pensar humano se tornou um processo essencial para o desenvolvimento da individualidade.

Mas sobre o que pensamos? Como ele actua no processo de individualização?

Todos os nossos pensamentos são baseados em percepções sensoriais absorvidas pelos sentidos. Quanto mais actuamos e percebemos a vida, mais desenvolvemos nossa capacidade de pensar. Por exemplo:

Você encontra um amigo que lhe dá um abraço.

Através da percepção sensorial, posso dizer:

“Encontrei um amigo que me deu um abraço caloroso e apertado.”

Caloroso e apertado são concepções desenvolvidas a partir do meu pensamento vinculado a percepção sensorial do evento (o encontro e o abraço). Isso me leva a uma percepção mais subtilizada e profunda. Assim, através das minhas vivências e experiências crio minhas próprias concepções individualizadas das percepções sensoriais através do pensar.

Cada pessoa cria suas próprias concepções de suas percepções sensoriais. Outra pessoa que recebe o mesmo abraço poderia dizer:

“Encontrei um amigo que me deu um abraço e ele quase me esmagou.”

Através da vivência, aprofundo meu pensar. Assim o pensar é capaz de criar relações de minhas vivências com outros âmbitos da vida. Neste processo é desenvolvida a nossa Alma individual. Atuamos com mais profundidade, complexidade e sensibilidade (sentidos).

Uma vida rica em experiências eleva nosso pensar e aprofunda nossa percepção da vida, aumentando nossa sensibilidade. Uma pessoa que desenvolve uma grande sensibilidade pode perceber as forças sutis na natureza e suas actuações e relações (até os âmbitos supras-sensíveis).

Por isso, todo ser humano é capaz de se tornar criativo, catalisar conhecimentos a partir de si e expressá-los através de sua Alma individual. A expressão da Alma estaria vinculada diretamente à actuação da Vontade.

Por outro lado, uma vida pobre em experiências, pode limitar o campo de actuação do pensar, criando pensamentos fixos e diminuindo a sensibilidade. Crianças que têm apenas estímulos intelectuais podem se tornar adultos insensíveis e ressecados.

Como as experiências são vinculadas diretamente às percepções sensoriais, um ambiente de estímulo aos sentidos é essencial para um melhor desenvolvimento do pensar individual. Isso estimulará a criatividade, a imaginação e terá seus reflexos na saúde e vitalidade da criança.

Exemplos de situações que abafam a percepção sensorial da criança (os sentidos):

 Ambientes com muito barulho e ruídos: as crianças acabam por ignorar o sentido da audição, para se acomodar à situação. Podem se tornar barulhentas e inclusive desafinar seus ouvidos…

– Excesso de contatos com objetos de borracha e plástico: as crianças têm considerável diminuição do sentido do tato. Ao andar constantemente com borrachas no pé (sapatos, chinelos, crocs e etc…) e a falta de contato com artefatos naturais, como madeira, folhas, sementes, areia, terra e etc…

 Comer produtos industrializados em excesso: a padronização dos sabores e excesso de sódio e açúcar anulam o sentido do paladar. A criança não sentirá o doce natural da fruta madura. Não desenvolverá apreciação por sabores amargos e  azedos…

– Excesso de TV: além de atrapalhar o sentido auditivo, devido ao excesso de ruídos emitidos pelos personagens de desenho animado, a poluição visual também não permite percepção das cores, luzes e sombras. Atrapalha também o sentido do equilíbrio e o sentido do movimento, devido à necessidade de estática para assistir. Outro sentido afetado é o do pensar, devido indução a pensamentos e conceitos coletivos pré-moldados. (Este assunto é um pouco profundo e será abarcado posteriormente)…

– Falta de contato com outras crianças: afeta diretamente o sentido do EU, pois percebendo o outro que eu percebo a mim mesmo…

Isso mostra a importância de criar um ambiente adequado e de proporcionar vivências ricas e saudáveis para nossas crianças.

Fonte: Biblioteca Virtual da Antroposofia

http://www.antroposofy.com.br/forum/o-pensar-vinculado-as-percepcoes-sensoriais-da-crianca/

Postado por Isabel Pato

OS DOZE SENTIDOS

OS DOZE SENTIDOS

Oe 12 sentidos

“A nossa experiência no mundo depende fundamentalmente da nossa percepção. A percepção é um processo cognitivo, uma forma de conhecer o mundo. Embora todos os processos cognitivos estejam interconectados, a percepção é o ponto em que cognição e realidade encontram-se e, talvez, a atividade cognitiva mais básica da qual surgem todas as outras. Precisamos levar informações para a mente antes que possamos fazer alguma coisa com elas. A percepção é um processo complexo que depende tanto do meio ambiente como da pessoa que o percebe, e a essência desse processo é a experiência sensorial, a vivência da realidade por meio do Mundo dos Sentidos.”

 

Os Sentidos Básicos (internos) – Volitivos

                    Movimento

 

O Sentido do Tato – o sentido do tato dá-nos a noção de nós próprios, contrariamente ao que possamos pensar o tato não nos informa sobre o mundo mas apenas sobre os nossos limites até onde sou EU.  Segundo Rudolf Steiner o sentido do TATO permite-nos a sensação da presença Divina.

O Sentido da Vida – dá-nos a sensação de estarmos no corpo, fazemos parte dele, recebemos informação sobre o estado do corpo – bem estar, mal estar através do sistema nervoso simpático e parassimpático recebemos a sensação do estado atual do nosso corpo. Com o sentido do tato sentimos as fronteiras do nosso corpo físico, o sentido da vida informa-nos sobre o estado dos processos metabólicos que formam nosso corpo vivo, algo que está em constante vir a ser.

No Sentido do Movimento – temos a sensação do nosso movimento, normalmente só temos “consciência” de um movimento após o termos efetuado, na verdade o movimento baseia-se no nosso músculo que necessita contrair certas zonas e descontrair outras para que o movimento nasça , é a noção do estado da nossa musculatura que nos é transmitido pelo sentido do movimento. Como imagem; a imagem da orquestra e do que se passa entre os vários naipes e o solista. * Para Rudolf Steiner o sentido do movimento transmite-nos a sensação de liberdade – o pássaro em nós.*

O Sentido de Equilíbrio – é o sentido que tem um orgão especial que são os canais semicirculares no nosso ouvido interno , permite que ao movermo-nos de um lado para o outro não deixemos para trás o que vive no corpo. Quando me desloco carrego comigo o meu corpo – a sensação de paz interna é-me conferida pelo sentido de equilíbrio.

Visão

Os  Sentidos  Médios (exteriores) – Sentimentos

O Olfato – o cheiro é-nos veiculado pelo elemento ar, eu cheiro porque o ar carrega substâncias que atuam sobre o nariz, existem mais de 4000 odores. Por exemplo: O olfato transporta-nos para memórias de infância. O que nós pensamos o animal cheira. O cão diferencia o mundo à sua volta através do cheiro

O Gosto ou Paladar – o gosto revela-nos as características das substâncias na medida em que elas estão dissolvidas na água. Existem 4 tipos de sabores que no fundo encontramos em todas as substâncias vivas – o salgado, o amargo, o ácido e o doce, estes 4 sabores estão presentes no mundo vegetal e também no mundo dos orgãos; o amargo do fel, o doce do sangue, o ácido no estômago.

A Visão – trata-se de um sentido complexo, mas no fundo o que a visão nos permite é a percepção das cores, mas nos olhos acabamos encontrando elementos de todos os sentidos inferiores, o tato, a vida, o equilíbrio, o movimento. A visão eleva de certo modo os 4 sentidos inferiores e ao fazê-lo permite ao Eu entrar em contacto com a luz do mundo.

O Sentido Térmico – o calor é uma substância em si, através do calor mantemos em equilíbrio o nosso mundo interno e assim permitimos à nossa organização do Eu viver. O sentido calórico não nos diz nada sobre a temperatura exterior mas sim sobre o equilíbrio entre o calor interno e externo.

Os Sentidos Superiores – Cognitivos

Audição

 

Nos Sentidos Superiores entramos numa área especificamente humana onde todos nós encontramos, onde todos somos uma irmandade.
Como humano queremos salientar o estado evolutivo da humanidade que se destaca dos demais reinos da natureza, apesar de ser pertencente a todos eles, o mundo físico, o mundo vegetal e o mundo animal.

O sentido da Audição – pela audição percebemos que cada elemento da natureza possui o seu próprio Tom, revelando a sua íntima natureza. Um metal soa diferente de um pedaço de madeira, assim como a voz humana se diferencia do som emitido por um pássaro. Entramos em contacto com a íntima essência de cada ser.

O sentido da palavra – pela Palavra percebemos a concreta essência conceitual do pensamento humano.

O sentido do pensar – pelo sentido do pensar percebemos o pensar do outro e o nosso próprio pensar, o que nos permite sentir o Homem como um ser dotado da qualidade de formar conceitos a respeito do que no exterior vive e vivenciar os conceitos da sua própria existência.

O sentido do Eu  o sentido do Eu, nos possibilita sentir-nos unos com outro ser, passando a senti-lo como a nós mesmos. A possibilidade de nos percebermos como seres Humanos, verdadeiros, reais e espirituais, capazes de criar e de co-criar sem perder o conceito de sermos criaturas.

 

Fonte: http://www.antroposofy.com.br/forum/os-doze-sentidos/

Postado e editado por Isabel Pato

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