O Autismo e a deficiência em Enxofre

O Autismo e a deficiência em Enxofre

Transtornos do Espectro do Autismo são transtornos do desenvolvimento neurológico com sintomas que incluem deficiências cognitivas, comportamentos estereotipados e deficiências nas habilidades sociais. O aumento dramático na incidência de autismo nos últimos anos criou uma maior necessidade de encontrar tratamentos eficazes.

Desta forma, muitos estudos recentes têm observado que os indivíduos com autismo apresentam níveis muito baixos de enxofre no seu organismo.

Um estudo efectuado em 2013 pela Universidade de Delaware, Departamento de Engenharia Química e Biomolecular, apresenta como hipótese do distúrbio do Autismo, as bactérias intestinais, o stress oxidativo e a permeabilidade intestinal, derivados de uma deficiência nos níveis de enxofre no organismo.

“O autismo tem sido citado como sendo ligado a sintomas gastrointestinais e pensa-se ser causado por uma combinação de predisposição genética e fatores ambientais. A Neuroinflamação como resultado do aumento da permeabilidade gastrointestinal foi observado como sendo uma causa provável de distúrbios do espectro autista, com possíveis causas primárias decorrentes de bactérias intestinais anormais e / ou deficiências metabólicas de enxofre. O nosso modelo de patogênese propõe uma relação circular: o stress oxidativo e as deficiências metabólicas de enxofre podem causar alterações na composição bacteriana do cólon; e os contaminantes bacterianos ambientais podem levar ao stress oxidativo elevado nos indivíduos.”

Prof. Jeremy Nicholson faz parte de um grupo de cientistas empenhados em estudar o autismo de forma sistémica com origem microbiana. Segundo ele, “São bem conhecidas, há muitos anos, anormalidades no metabolismo do enxofre em crianças autistas. Há evidências de que elas perdem o sulfato e outros componentes inorgânicos de enxofre na urina e em quantidades realmente muito grandes, o que implica em defeitos no transporte renal que está envolvido na recuperação de enxofre a partir da urina. Se esse transporte não ocorrer de forma eficiente, perder-se-à o enxofre. Isso é potencialmente um grande problema porque o enxofre é altamente necessário e importante no desenvolvimento. É necessário para todos os tipos de processos diferentes. Então, o interessante é que pode haver um problema de enxofre fundamental em crianças autistas. Os micróbios que elas possuem – os micróbios anormais – estão quase certamente associados à produção de metabólitos que requerem enxofre para processamento posterior. Assim, se você tem esta potencial combinação desagradável – um defeito de enxofre que poderia ser genético, ligado a micróbios que demandam enxofre – você tem um problema de esgotamento de um recurso essencial que o corpo precisa para crescer e desenvolver, incluindo o desenvolvimento do cérebro.”

Elisabete Milheiro

 

Fontes: 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23273906

http://cogentbenger.com/autism/interviews/jeremy-nicholson-interview/

 

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