O que é uma doença?

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O que é uma doença?

O que é uma doença?

Compreendendo a doença.

Do Livro: Compreender as doenças Graves

De  Christopher Vasey

 

Que se passa, realmente, com o meu corpo? Por que motivo estou doente?

O que é uma doença?

Estas são perguntas que um doente raramente faz a si mesmo. Em troca a sua atenção e a daqueles que o rodeiam está centralizada nos sintomas patentes, desagradáveis ou dolorosos da sua enfermidade. Por outro lado, todos os meios postos em funcionamento estão prioritariamente encaminhados para fazer desaparecer esses sintomas o mais rapidamente possível.

Como é que o organismo físico fica fora de equilíbrio, e porque come­çam as condições de doença?

Quais são as causas subjacentes dos males a que chamamos artrite, doenças cardíacas, diabetes e cancro? Replicar vigorosamente contra a agressão representada pela enfermidade parece ser a atitude mais lógica. Normalmente, actua-se como se a doença fosse uma entidade exterior e independente do indivíduo que, ao penetrar nele, faria com que, subitamente, ficasse doente.

Este ponto de vista leva-nos a considerar o enfermo como uma vítima inocente a quem se torna necessário ajudar, pois, “por infelicidade”, sofreu uma agressão patológica.

As expressões utilizadas para falar da enfermidade traduzem claramente este conceito. Dizemos que “caímos” doentes, que estamos “aflitos” ou que “apanhámos” uma doença…

Segundo este conceito, transmitido pela medicina clássica, cada “agressor” determina perturbações diferentes que lhe são próprias. Por conseguinte, o número de doenças é igual ao dos agressores; é aquilo que se denomina de pluralidade patológica.

Na medicina natural, consideram-se todas as enfermidades como manifestações distintas de um mesmo e único transtorno. Esse denominador comum, esse mal profundo de onde saem todos os outros males, está sedeado no meio humoral que também se designa por terreno.

O terreno é o conjunto de células e líquidos (ou humores) nos quais se encontra mergulhado: o sangue, a linfa, o líquido cefalo­raquidiano, etc. Os líquidos intra e extra celulares representam 70% do peso do corpo. A sua importância é capital, posto que constituem o meio ambiente das nossas células.

Elas dependem totalmente desses líquidos que lhes asseguram os nutrientes, a eliminação das toxinas que resultam das suas actividades e a transmissão de mensagens de uma célula para outra, de modo a garantir a sua acção coordenada e harmoniosa. Do mesmo modo que o ambiente em que o ser humano se insere pode favorecer a sua saúde ou provocar uma doença, dependendo de estar ou não contaminado, também o meio ambiente que rodeia as células é de terminante para o seu estado de saúde.

Se, se encontram num meio carenciado de oxigénio e sobrecarregado de resíduos, o seu trabalho não poderá desenvolver-se correctamente. O nosso organismo é constituído por células. Se estas não funcionarem normalmente, também o organismo trabalhará mal, e é a ele que se atribuirá a doença. Existe uma composição precisa e ideal do meio interior que permite o bom funcionamento orgânico, isto é, o trabalho normal das células.

Toda a mudança quantitativa ou qualitativa demasiado significativa destes líquidos conduz à enfermidade. Por este motivo, as forças vitais do organismo lutam constantemente com o propósito de manterem este meio humoral em perfeito equilíbrio. Trata-se, principalmente, de neutralizar e expulsar para o exterior os resíduos e toxinas procedentes dos metabolismos (reacções bioquímicas que se produzem no organismo).

Realizam esta depuração os órgãos “filtrantes e eliminadores”, excretores: fígado, intestinos, rins, pele e pulmões. A saúde é, por conseguinte, uma forma instável de equilíbrio que é necessário recuperar incessantemente. Se, por exemplo, por excessos alimentares ou ingestão de um tóxico como o álcool ou um medicamento, o terreno ficar sobrecarregado com alguns venenos, as consequências não são dramáticas, pois o corpo é capaz de se auto purificar, restabelecendo a composição ideal dos humores. Por outro lado, se estes desvios deixarem de ser ocasionais e se tomarem hábitos quotidianos, rapidamente se ultrapassará a capacidade que o corpo possui de restabelecer o equilíbrio.

O sangue passará, então, a acumular resíduos que acabarão por se depositar nas paredes dos vasos sanguíneos. Com a diminuição do diâmetro dos vasos e a coagulação do sangue, a circulação sanguínea será cada vez mais pobre. Diminuem as trocas entre o sangue e os soros celulares. Os resíduos que as células expulsam constantemente acumular-se-ão nos tecidos, em vez de abandonarem rapidamente o organismo. Os órgãos, cada vez mais saturados por esses resíduos, não poderão desempenhar correctamente a sua função, e os excretores, congestionados, não conseguirão já assegurar uma depuração satisfatória dos líquidos orgânicos. Todas as actividades estarão perturbadas, tanto a nível das células como das enzimas, dos glóbulos brancos … ou das reacções bioquímicas.

O estado de contaminação do meio humoral em que então se encontra o corpo é aquele que a medicina natural considera como O ESTADO DE DOENÇA EM SI. Este estado manifesta-se em todas as doenças. Constitui a sua natureza profunda, a sua base comum. Então, não é por causa de uma doença que “entra” no corpo que o estado geral se degrada; o estado de deterioração em que se encontra a zona é que faz com que a enfermidade surja. Como os líquidos orgânicos continuam a circular e a desempenhar incessantemente as trocas entre si, as toxinas distribuem-se necessariamente por todo o organismo.

Nenhuma parte do corpo escapa. Daí, o aforismo fundamental da medicina natural: “A enfermidade é geral e única, é a contaminação humoral.” Este conceito de unicidade mórbida opõe-se ao conceito de pluralidade mórbida da medicina clássica. Parece existir uma contradição entre este conceito de enfermidade única e as múltiplas formas, claramente diferenciadas, das doenças que conhecemos.

A medicina natural considera cada perturbação local não como uma enfermidade em si, mas unicamente como a manifestação “superficial” do mal profundo, resultante da contaminação preexistente. Esta perturbação só se declarou devido à anterior sobrecarga residual do terreno. Os transtornos locais são comparáveis aos picos de um icebergue. A parte mais importante do icebergue permanece invisível: é o terreno sobrecarregado. Os transtornos locais não são, pois, a doença em si, mas apenas as consequências secundárias do mal primitivo: o meio humoral sobre­carregado de toxinas.

Daí o outro aforismo da medicina natural: “Em essência, não existem enfermidades locais, mas sim enfermidades gerais.” Isto é evidente, posto que os transtornos locais evoluem em função do estado do terreno: quanto mais este se deteriora, mais aqueles aumentam.

Quer se trate de uma gripe, quer de um tumor canceroso, o processo é o mesmo. O aumento da percentagem de toxinas no organismo agrava o estado gripal e favorece o desenvolvimento do tumor. Os sintomas locais diminuem, paralelamente à diminuição da percentagem da sobrecarga.

Desaparecem quando o terreno recupera o seu equilíbrio, sempre que essa recuperação seja possível. A localização dos transtornos “superficiais” depende das debilida­des orgânicas individuais. Todos os órgãos estão mergulhados nos líquidos que se encontram sobrecarregados de resíduos. Todos são irritados e agredidos de forma semelhante pelos sedimentos tóxicos.

Os primeiros a ceder, a não suportar o ambiente que os cerca, são os hereditariamente mais débeis ou os mais utilizados: por  exemplo, a garganta para os que, por motivos profissionais, têm que falar muito, os nervos, no caso das pessoas tensas, as vias respiratórias para os que inalam muito pó ou gases nocivos nos seus locais de trabalho (mineiros, pintores, etc.).

A enfermidade é uma só, mas manifestasse de forma distinta em cada um. Devemos a Hipócrates, pai da medicina, o conceito da unicidade mórbida. Cinco séculos antes de Cristo, escrevia:

“A natureza de todas as doenças é a mesma. Creio que a sua manifestação sob tantas formas  distintas se deve à grande diversidade das partes em que o mal está situado. Efectivamente, a sua essência é uma só: tal como a causa que as produz.”

Vinte e cinco séculos depois, Alexis Carrel, Prémio Nobel de Medicina em 1912, declarava: “O corpo está doente na sua totalidade. Nenhuma enfermidade permanece estritamente confinada num só órgão”.

 

Do Livro:

Compreender as doenças Graves

De  Christopher Vasey

Da editora Estampa 


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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!