Os Factores de Risco

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Os Factores de Risco

Os Factores de Risco

Analisando os factores de risco para uma doença.

Do livro Compreender as doenças Graves 

De: Christopher Vasey

Tudo o que pode degradar o nosso terreno ameaça inevitavelmente a saúde que a ele está condicionada. Quanto mais

Os Factores de Risco

importantes e numerosos os factores de degradação, mais se deteriora o terreno e maior risco corremos de ficar gravemente doentes.

É, por isso, muito importante que conheçamos tais factores de risco, para os podermos evitar. Não é nas situações excepcionais (envenenamentos ou intoxica­ções acidentais, por exemplo) que devemos procurá-los, mas sim nos hábitos da vida diária.

Efectivamente, o nosso meio humoral forma-se a partir do que ingerimos como alimento sólido, líquido ou gasoso, inclusive o ar que respiramos, assim como tudo o que penetra no corpo concomitantemente­ com os alimentos (aditivos alimentares, medicamentos, fumo de tabaco, etc.).

Todas as influências a que submetemos o nosso organismo se inserem no terreno. Esta lógica simples convida-nos a analisar a forma de vida que levamos. A sua influência sobre o estado de saúde nem sempre resulta evidente, já que os erros que cometemos não se manifestam directa­mente de forma muito clara. Em primeiro lugar, originam modificações que, ao ampliarem-se, acabam por se tomar visíveis meses ou anos mais tarde sob a forma de perturbações locais.

A seguir, veremos como estes erros degradam o nosso terreno e nos fazem ficar doentes.

Todas as influências a que submetemos o nosso orga­nismo se inscrevem no terreno; daí a importância de analisarmos a forma de vida que levamos.

A sobrealimentação global

Em geral, o primeiro e principal prejuízo imputado à sobreali­mentação é que ela conduz à obesidade. No entanto, comer mais do que o necessário origina muitos outros efeitos negativos.

O esgotamento orgânico

Para o organismo, a digestão representa um trabalho muito impor­tante. Para que ele possa absorver e utilizar os apreciados nutrientes que lhe oferecem, a digestão deve realizar toda uma série de transfor­mações sobre os alimentos. As energias utilizadas na digestão aumentam com a quantidade de alimentos consumidos. A sobrealimentação conduz, inevitavelmente, a uma fadiga geral do organismo.

O esgotamento por cansaço exces­sivo alcança, em primeiro lugar, as glândulas digestivas, depois o coração e o sistema circulatório que deverá transportar essas substân­cias em excesso e, finalmente, os órgãos de eliminação, cuja capaci­dade é superada pela quantidade de resíduos que devem eliminar.

As fermentações e as putrefacções intestinais

As capacidades digestivas de um organismo não são ilimitadas. Sempre que a quantidade de alimentos ingeridos é excessiva ou quando demasiados alimentos diferentes são consumidos ao mesmo tempo, as fases da digestão são mal cumpridas. Os alimentos insuficientemente transformados fermentam ou apodrecem. As fermentações e as putrefacções intestinais produzem uma massa de substâncias tóxicas: ácido pirúvico, escatol, indol, fenol, ptomaína, etc.

Se estas substâncias pudessem ser rapidamente eliminadas do organismo, não provocariam qualquer problema. Mas, dado o cansaço dos órgãos digestivos e eliminatórios, as coisas não se passam precisamente assim, e é por esse motivo que o corpo se auto-intoxica com os seus próprios venenos.

A auto-intoxicação

Consoante o grau de debilidade dos intestinos, a velocidade do trânsito intestinal pode ver-se tão diminuída que as matérias fecais aí permanecerão por vários dias ou semanas. As mucosas intestinais são agredidas e irritadas pelos venenos com que estão em contacto, acabando por apresentar lesões que as tornam porosas. A partir deste momento, em vez de permitirem a passagem à corrente sanguínea apenas das substâncias nutritivas úteis, deixam passar também, através das­ malhas destruídas das suas paredes, as moléculas maiores dos venenos.

Chegando às lesões das mucosas intestinais, a sobrealimentação abre, de par em par, a porta aos venenos e aos resíduos intestinais enquanto o fígado conseguir neutralizá-los, o corpo não sofrerá em demasia.

Mas, quando a função antitóxica do fígado se vir ultrapassada ­pela quantidade de resíduos que se lhe apresentam diariamente, então não conseguirá mais preservar o organismo e, a pouco e pouco, deixar-se-á invadir. O paciente intoxicar-se-á, assim, com os seus pró­prios venenos.

A acumulação de sobrecargas

Mesmo que a digestão se efectuasse perfeitamente, a sobrealimentação causaria, de igual modo, uma degradação do terreno. Com efeito, se falamos de sobrealimentação, é porque o corpo recebe mais alimento do que necessita. O que poderá ele fazer com as substâncias nutritivas excedentes? Pode deixar uma parte como reserva, armazenando-as como pro­visão para necessidades futuras, tal como faz com as gorduras ou a glicose.

Mas as suas capacidades de armazenamento também não são ilimitadas. Mesmo uma substância útil, quando se encontra em excesso no corpo, pode tornar-se nefasta. Pensemos, por exemplo, nos diabé­ticos que sofrem de múltiplos distúrbios devidos a um envenenamento pelo açúcar. A acumulação exagerada de gorduras nos tecidos das pessoas obesas acaba, igualmente, por apresentar sérios inconvenien­tes: diminuição da velocidade da circulação e dos intercâmbios celu­lares, cansaço inútil dos órgãos e do coração, obstrução e congestão dos órgãos.

Em vez de armazenar as substâncias excedentes, o corpo pode, também, tentar eliminá-las, degradando-as para que possam ser expul­sas pelos canais excretores. Este trabalho, que se segue à digestão, acaba por esgotar o organismo e levar ao desgaste prematuro de todos os órgãos. É certo que estas degradações apresentariam a vantagem de libertar o organismo de sobrecargas indesejáveis, caso pudessem ser realiza­das correctamente, mas frequentemente isto não acontece devido à diminuição geral da velocidade das funções orgânicas. A degradação da glicose não se concluirá com a produção normal de água e gás carbónico facilmente elimináveis; deter-se-á numa fase intermédia, produtora de numerosos ácidos tóxicos (ácido pirúvico, succínico, fumárico, etc.).

Mesmo que a degradação das substâncias excedentárias se fizesse com normalidade, ainda assim produziria toxinas. Por exemplo, a decomposição das proteínas conclui-se, inevitavelmente, com a pro­dução de venenos, como a ureia e o ácido úrico. A sobrealimentação não leva, pois, necessariamente à aquisição de peso. Na realidade, pode conduzir a importantes modificações da composição dos líquidos orgânicos, sem aumento de peso.

A insuficiência eliminatória

A utilização de substâncias alimentares por parte do organismo produz sempre resíduos e toxinas; trata-se de um fenómeno normal e previsto, já que os canais excretores têm a função de eliminar esses resíduos. Naturalmente, quanto maior for a quantidade de alimentos, maior será a produção de resíduos. Quando a capacidade de eliminação dos órgãos excretores é superada, as toxinas obstruem os “filtros” e congestionam os órgãos. Quando a eliminação não pode ser feita correctamente, os resíduos acumulam-se nos tecidos.

Do livro Compreender as doenças Graves 

De: Christopher Vasey

Editorial Estampa Lda.


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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!