Quem Sou Eu?

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Quem Sou Eu?

Quem Sou Eu?

Quem é você? Quem sou eu?

Existem muitas respostas para a grande questão existencial.

Há aqueles que nada sabem de si e repetem o que os outros dizem.

São como aquela pequena história que aconteceu numa aula de catequese. A professora, depois de longa prelecção sobre Deus, perguntou a um miúdo irrequieto:

–   João, onde está Deus?

–   No casa de banho da minha casa – respondeu o menino. A professora espantou-se com a resposta:

–   Na casa de banho?! Porquê?

–  Porque todas as manhãs, quando a minha mãe vai abrir a porta da casa de banho, diz sempre:”Meu Deus, tu ainda estás aí?”

A professora riu-se e fez a mesma pergunta a outra aluna:

–    Luizete, onde está Deus?

–    No céu e na terra.

–    Lucas, onde está Deus?

–    No céu e na terra da Luizete.

Assim age muita gente. Se alguém disser que é um grão de areia, repete que é um grão de areia. Se afirmarem que o homem é uma perdiz extraviada no campo, usará a mesma frase.

Dizia um sujeito:”Eu sou o que sou, porém só sou o que sou quando sou, quer dizer, nunca sou o que sou, mas não posso dei­xar de ser o que sou.”

Dizem que o primeiro homem que deu um nó na gravata o fez para se lembrar de alguma coisa e, ainda hoje, estamos para saber o que era.

Muitos crêem que o homem existe na terra com uma determi­nada finalidade, mas não conseguem lembrar-se de qual é.

Peça a uma pessoa para definir o ser humano e provavelmente ela fá-lo-á tomando como pressuposto a sua própria vida: se é uma pessoa ignorante e triste, poderá dizer que o homem é um ser condenado a carregar a sua própria desgraça; se é uma pessoa diver­tida, explicará que a vida é um circo e o homem um palhaço alegre.

Pergunte a um indivíduo mal-humorado quem ele é e ouvirá uma resposta torta:

– Eu sou o que sou e ninguém tem nada a ver com isso.

Cada um procura definir-se de acordo com o seu invólucro mental. Define-se pelo que pensa que é e pelo que lhe aconteceu. Ora, essa é uma definição limitada à situação existencial: se está a vencer na vida, diz que o homem é um ser vitorioso; se está a ir de mal a pior, afirma que o homem é um fracasso ambulante. Se está doente, admite que o ser humano corresponde a sessenta quilos de sofrimento até que a morte o leve. Se está apaixonado, declara­rá que uma pessoa é um vulcão de amor que explode nos braços da pessoa amada. Se for um penitente, poderá reflectir que o ho­mem é um pecado e nada mais. Se asceta, dominado pela imagem da sua pequenez diante de Deus, talvez pondere que é pó da terra ou um verme rastejante.

Na realidade quotidiana da vida, nós somos o que pensamos.

Quem Sou Eu?O mundo mental, formado pela cultura, pela aprendizagem, pelas crenças, pelos costumes, pelas tradições, pelas experiências, pela meditação, cria os parâmetros da autodefinição. Normalmen­te, a pessoa define-se de acordo com os padrões dos seus pensa­mentos, sentimentos e experiências.

Mas esta é uma maneira subjectiva e irrealista de definir o ser humano. Alguém pode estar apenas a tocar a sua própria sombra e dirá que o homem não passa de uma sombra. Outros poderão fixar-se no passado e dirão que o homem é a soma do que lhes aconteceu.

 

Definir-se de acordo com as aparências é como querer ver, à noite, num quarto escuro, um gato preto que não está lá.

 

Excerto do Livro: Conhece-te e conhecerás o teu poder de LAURO TREVISAN


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Sim, é possivel criar uma vida nova!!!