Colesterol

Algumas substâncias do tipo da gordura que se encontram no organismo diferem das simples cadeias de carbono que Formam a maioria dos óleos e das gorduras animais. O colesterol (col significa «bílis» e esterol «tipo hormona») é um composto amiloide do tipo gordura e é o constituinte básico a partir do qual o organismo produz estrogénio. cortisona e testosterona. É também um componente do tecido nervoso. Uma ponta da molécula pode formar um «sal» que é solúvel em água. enquanto a outra se combina com gorduras. Por esta razão, os sais de colesterol ou os sais de bílis promovem, no intestino delgado, a mistura de gorduras com água de modo a poderem ser decompostos e absorvidos através das paredes intestinais.

É mais provável que o colesterol cause problemas ao longo das paredes dos vasos sanguíneos. A medida que se vai acumulando. desenvolve-se um endurecimento ou uma «placa» na parede do vaso. Se este processo continua, os depósitos podem tornar-se compactos e suficientemente grandes para estreitar o espaço no interior do vaso sanguíneo. O fornecimento de sangue à área servida pelo vaso é reduzido. Quando o exercício muscular faz aumentar a necessidade de oxigénio e este não chega aos tecidos em quantidade suficiente, o resultado é muitas vezes o aparecimento de dor. Quando as pessoas com depósitos arterioscleróticos nos vasos sanguíneos que irrigam as pernas tentam andar, podem sentir dores muito fortes.

Se os depósitos se localizam nas artérias coronárias, a dor é no peito, e se as artérias forem suficientemente estreitas, certas partes do músculo cardíaco poderão mesmo morrer devido à falta de sangue. Quando a membrana que envolve o coração (miocárdio) é danificada ou destruída, dá-se um enfarte do miocárdio, ou trombose coronária. Quando as artérias que irrigam o cérebro ficam bloqueadas, os danos afetam a capacidade de andar, falar ou escrever; a isto chama-se acidente vascular cerebral ou «ataque».

A arteriosclerose tornou-se mais preponderante nos Estados Unidos e na Europa, e os ataques cardíacos e tromboses aumentaram. Quando se descobriu que a arteriosclerose em estado avançado é frequentemente acompanhada de níveis de colesterol no sangue elevados e que o colesterol é um dos principais constituintes das placas arteriais. concluiu-se naturalmente que uma dieta pobre em colesterol ajudaria a evitar a doença. Daí que se tenha desencorajado o consumo de ovos, lacticínios e gorduras animais.

Como resultado do problema de colesterol. os norte-americanos começaram a usar mais margarina e óleos vegetais líquidos. Inicialmente, algumas pesquisas sobre o uso de polinsaturados mostraram que estes são capazes de reduzir os níveis de colesterol e baixar o número de ataques cardíacos. Investigações posteriores lançaram a dúvida acerca das vantagens a longo prazo no uso de óleos vegetais com este objetivo.

Recentemente, tem havido um número crescente de relatos de uma maior incidência de cancro em pacientes que consomem uma grande percentagem de óleos insaturados e polinsaturados. Os médicos cujos pacientes revelaram uma frequência anormal de melanomas malignos, uma forma de cancro da pele, interessaram-se pelos seus hábitos dietéticos e descobriram que ocorrera a uma mudança para os óleos e gorduras vegetais.

Muitos daqueles que escrevem sobre problemas de nutrição, incluindo Roger Williams, David Reuben e o Dr. Richard Passwater explicam que o aumento verificado no consumo de gorduras nos Estados Unidos, que corresponde ao aumento dos ataques cardíacos e tromboses, deve-se principalmente à ingestão de polinsaturados.

Desde 1950-1970, o uso de polinsaturados nos Estados Unidos triplicou, passando de 2 para 6% na dieta nacional.

O Dr. Robert Atkins em Nutrition Breakthrough (Cancer Control Society, 1979) afirma que os polinsaturados estão completamente cheios de radicais livres, que podem acelerar o processo de envelhecimento e degeneração e aumentar as nossas necessidades de vitamina E. O Dr. Harry Bieler em Food is Your Best Medicine (Random House, 1973) sustenta que enquanto os óleos e gorduras se mantiverem no seu estado natural, não originam doenças arteriais. Comer gorduras naturais, sejam elas gorduras animais saturadas ou vegetais insaturadas, permite assim a chegada ao fígado da matéria-prima de qualidade para a produção de bom colesterol. Os estudos realizados em culturas cujas dietas são ricas em gorduras animais (Saami, Masai) ou em gorduras vegetais naturais (Gregos e camponeses italianos) não revelaram existência de problemas arteriais.

O grande problema surge da ingestão de gorduras não naturais e de gorduras naturais que tenham sido sobreaquecidas. As gorduras que foram sobreaquecidas em combinação com o amido causam muitos problemas.

Exemplos disso são as comidas demasiado fritas e os produtos de pastelaria e os embalados do género batatas fritas. Com este tipo de alimentos o fígado não consegue produzir bom colesterol, e os problemas com as células arteriais começam. As pessoas com dietas ricas em gorduras e imunes a este tipo de problemas consomem as gorduras na forma de cereais, feijão, oleaginosas, sementes, peixe, carne, ovos ou produtos lácteos. O que continua ainda por determinar é a quantidade ótima de gorduras polinsaturadas a incluir na dieta. Restringirmos o mais possível o consumo a fontes não refinadas parece ser a chave para a manutenção de um sistema cardiovascular saudável e para permitir um bom trabalho do fígado na produção de colesterol.

Do livro: Manual Completo de Medicina Natural, de Marcia Starck

Postado por: Isabel Pato

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