Leite e produtos lácteos

Leite

De todas as fontes de proteínas disponíveis, aquela que mais problema coloca é talvez o leite de vaca e seus derivados. O leite de vaca e seus derivados são fonte de alergias variadas. Normalmente isso deve-se a uma deficiência de lactase, a enzima correspondente à digestão da lactose (o açúcar que fornece os hidratos de carbono ao leite). Este açúcar do leite tem de ser dividido pela enzima lactase em dois açúcares mais pequenos – a galactose e a glucose – paru poder ser digerido. Quando a enzima falta, aparecem frequentemente os gases, as dores abdominais e a diarreia. Entre vários grupos étnicos em que não é de tradição beber-se leite, esta enzima desaparece na infância logo a seguir ao período de amamentação.

Para além de constituir uma fonte de alergias, o leite de vaca e os seus derivados formam uma quantidade elevada de muco na garganta, nos canais nasais e nos brônquios. Isto leva à congestão dessas áreas e a uma suscetibilidade acrescida em relação a constipações e outras reações alérgicas. O leite de cabra, por outro lado, forma menos muco; por isso, muita gente modificou os seus hábitos de consumo de leite, bem como de queijos e iogurtes dele derivados. As moléculas de gordura e de proteínas são muito mais pequenas no leite de cabra, sendo por isso mais fáceis de digerir; este processo de digestão leva 20 minutos a percorrer o trato digestivo em vez de duas horas para o leite de vaca. Antibióticos, hormonas, detergentes, vírus, toxinas, pesticidas e isótopos radioativos são alguns dos materiais encontrados no comum leite pasteurizado. A penicilina tem sido usada desde 1945 para tratar mastites nas vacas, e já foram encontradas 28.000 i.u. de penicilina por 0,5 I de leite em vacas tratadas por esta inflamação. Um dos processos usados para produzir leite magro, o leite em pó, requer temperaturas excessivamente altas. O leite passa por superfícies sobreaquecidas e as proteínas são destruídas. A vitamina C e as outras vitaminas são reduzidas. A lisina é praticamente destruída. Os animais alimentados à base de leite em pó degeneram rapidamente. O leite em pó é um alimento desequilibrado; o seu teor de sucrose é proporcionalmente mais elevado em relação a outros elementos do leite líquido. Isso pode afectar o nível de cálcio no organismo.

Em 1966, foram também encontradas salmonelas nos produtos de leite em pó. A pasteurização do leite é uma solução obsoleta uma vez que provoca uma perda de vitamina A, de 6% do cálcio, enquanto a restante percentagem é transformada em formas mais difíceis de assimilar, de 20% do iodo e de 40% do complexo de vitaminas B, além das enzimas que tornam o leite mais digerível e da maior parte da vitamina C; e é causa ainda de uma redução de 17% no valor biológico das suas proteínas. O leite parcialmente aquecido no processo de pasteurização tende a coagular formando uma massa concentrada em contacto com o ácido gástrico. Isso poderá provocar a obstipação nas crianças; o leite cru, não. Uma vez que o processo de pasteurização só aquece o leite a uma temperatura de 1450 F (ou 620 C), algumas bactérias persistem. A fervura do leite, contudo, irá esterilizá-lo sem destruir as suas vantagens nutricionais.

Além do leite de cabra, existem ainda outras alternativas, e muitas culturas usam leites não animais há longa data. Os chineses e os japoneses usam leite produzido a partir de soja. O leite de soja já é relativamente fácil de encontrar e existem várias companhias que o produzem. Pode obter-se com sabores, tais como alfarroba ou baunilha. O leite também é coalhado e colocado num recipiente apropriado para formar uma coalhada chamada queijo de soja ou tofu. O tofu constitui uma forma muito assimilável de proteínas e pode ser usado numa variedade de maneiras para substituir tanto a carne como o queijo. Existem já muitos produtos desses no mercado – os hambúrgueres de tofu, os cachorros de tofu, bem como molhos e patés para barrar no pão, feitos de tofu.

Também é possível produzir leite a partir de várias oleaginosas e sementes.

O leite de sésamo, feito a partir de sementes de sésamo, é mais rico em cálcio do que o leite de vaca; é uma bebida típica do Médio-Oriente. O leite de amêndoa e o leite de caju são ricos em aminoácidos – podem ser feitos combinando uma chávena de frutos crus com uma chávena de água, juntando um pouco de xarope de malte ou mel. O leite de coco é usado na índia e na cozinha da Índia ocidental.

O leite magro e meio-gordo tornou-se popular desde que as pessoas estão mais conscientes das gorduras na sua dieta. Todavia, quanto mais cálcio é retirado do leite, tanto menos cálcio pode ser assimilado. A nata do leite é um elemento importante no metabolismo do cálcio lácteo e contém vitaminas A e D, que são ambas vitaminas lipossolúveis.

Em “Nutrition Against Disease (Bantam, 1973)”, o Dr. Roger Williams diz que a nata nos protege contra a arteriosclerose. O leite em pó magro administrado a ratos provocou arteriosclerose, mas o leite normal não.

Do livro: Manual Completo de Medicina Natural, de Marcia Starck

Postado por: Isabel Pato

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