A

Acção

A vitamina A é constituída por compostos com a mesma actividade biológica que o retinol, sendo pré-formada nos tecidos animais, enquanto nos tecidos vegetais os seus precursores são os carotenóides, associados à clorofila, que são transformados em vitaminas no organismo de uma maneira distinta, segundo a sua estrutura molecular.

O mais activo e existente em maior quantidade e, ainda, o mais importante carotenóide é o betacaroteno.

A vitamina A e os carotenóides ingeridos pela alimentação são separados dos outros nutrientes pela acção das enzimas digestivas, sendo depois absorvidos no intestino delgado. Geralmente, 80% a 90% da vitamina A são absorvidos, enquanto a assimilação do betacaroteno é apenas de 5O% a 6O%.

A conversão dos carotenóides em retinol é feita nas células do intestino, passando para a linfa e, depois, para o sangue chegando assim ao fígado, que é o armazém da vitamina A, aos olhos, ao cérebro, ao intestino, aos testículos, aos rins, aospulmõeseàpele.

Entre 20% e 40% da vitamina A absorvida são degradados no fígado e nos rins, sendo eliminados pela urina e pelos excrementos, aos quais chegam pela bílis; o restante é armazenado no fígado.

a) Mecanismo da Visão

A vitamina A tem um papel específico no mecanismo da visão. A retina humana tem dois sistemas foto-receptores – um, contido nos bastonetes, que são sensíveis à luz de fraca intensidade; o outro, contido nos cones, sensíveis às cores e à luz de forte intensidade.

O retinol associa-se a uma proteína para constituir a rodopsina, que é o pigmento fotossensível dos bastonetes, células que abundam na região periférica da retina de forma a favorecer a visão perante a luz de forte intensidade e a prevenir patologias, como a cegueira nocturna.

b) Pele e mucosas

A acção da vitamina A sobre a pele e as mucosas, apesar de pouco conhecida, sabe-se que pode influenciar o metabolismo normal e o funcionamento das células através de um sistema de controlo de diferenciação celular, adquirindo características específicas por parte das células e, ainda, pela estabilização da composição das membranas celulares, que servem de barreiras, deixando passar para o interior da célula algumas substâncias e detendo outras. Por isto lhe chamam a vitamina protectora dos epitélios, que são os tecidos que cobrem o corpo, as cavidades internas e os órgãos, como, por exemplo, a epiderme.

Regula também a produção de muco, logo, quando existe uma carência de vitamina A, existe ceratinizaçáo de numerosos tecidos secretores de muco, como a traqueia, as glândulas salivares, a pele, os testículos e a córnea. Uma produção menor de muco influencia a composição das lágrimas reduzindo a secreção, o que leva à secura da córnea, provocando sérias lesões.

Sinais de carência

Os principais sinais de carência em vitamina A são:

  • a falta de apetite;
  • perturbações nervosas;
  • cegueira nocturna;
  • xeroftalmia, que consiste na opacificação e secura da córnea, conduzindo ao aparecimento de ulcerações – ceratomalacia – e, por fim, à cegueira;
  • ceratinizaçáo da pele, com o aparecimento de lesões protuberantes e pápulas, devido à proliferação de células ricas em ceratina – substância presente nas unhas e no sistema nervoso -, o que torna a pele rugosa e seca ao tacto;
  • lesões nos tecidos dos pulmões, intestinos e rins, o que aumenta a sensibilidade às infecções.

A carência da vitamina A é particularmente séria nas crianças, sobretudo nas regiões onde as carências proteico-energéticas e as doenças gastrintestinais são correntes. Também a xeroftalmia é a causa mais frequente da cegueira infantil. No indivíduo adulto, os estados de carência são geralmente consequência de uma alteração da absorção intestinal das gorduras, de disfunção hepática, de icterícia consecutiva a uma intervenção cirúrgica implicando ressecção intestinal.

Existem ainda outros factores que podem provocar carência sobre esta vitamina, como medicamentos e contraceptivos orais; a ingestão excessiva de álcool, que prejudica o fígado, o qual, por sua vez, passa a limitar a quantidade de vitamina armazenada; carência de vitamina E, que protege a vitamina A da oxidação a nível intestinal e dos tecidos; um regime pobre em proteínas e gorduras.

Algumas patologias também são responsáveis pelo défice de vitamina A, como, por exemplo, a pancreatite, que impede a absorção normal das gorduras; a atresia, com a oclusão das vias biliares; a cirrose e a hepatite viral, que influenciam negativamente o fígado inibindo o armazenamento vitamínico; e ainda, a diarreia crónica e o estado de desnutrição aguda.

Toxicidade vitamínica – hipervitaminose

A toxicidade aguda em consequência da absorção de uma forte dose de vitamina A provoca perturbações tais como: irritabilidade; cefaleias; náuseas e vómitos; fraqueza e escamação da pele.

A toxicidade crónica é causada pela ingestão de doses relativamente elevadas, diariamente, durante longos períodos – meses e anos – e manifesta-se através de:

  • secura da pele;
  • de falta de apetite – anorexia -;
  • de dores ósseas, de hipercalcemia;
  • de queda de cabelo;
  • de dilataçào do fígado;
  • de leucopenia – diminuição do número de glóbulos brancos no sangue.

O risco de hipervitaminose nas crianças pode levar ao aumento da pressão intracraniana, provocando intumescência da fontanela anterior.

Nas mulheres grávidas pode provocar malformações do feto.

Fontes alimentares

  •  Fígado de vitela
  •  Fígado de bezerro
  •  Fígado de frango
  •  Rim de vitela
  •  Rim de bezerro
  •  Enguias
  •  Salsa
  •  Cenoura
  •  Abóbora
  •  Espinafres
  •  Chicória
  •  Alface
  •  Pimentos
  •  Tomate
  •  Ervilhas frescas
  •  Damascos
  •  Melão
  •  Ovos – gema
  •  Leite
  •  Manteiga/Margarina
  •  Lacticínios com 40% de matéria gorda
  •  Queijo de ovelha
  •  Farinha de milho
  •  Gelados
  •  Verduras
  •  Fruta amarela
  •  Germinados.

Outras indicaçõe s terapêuÍicas

Actualmente estuda-se o seu emprego no tratamento quimioterapêutico dos tumores, e ainda nas infecções das mucosas e no tratamento da acne, em casos de bronquite, queratite, sistema imunitário, mecanismo da visão, em casos de queda de cabelo, colite, mecanismos auditivos e em casos de excesso de consumo de tabaco – tabagismo.

Fontes de destruição

A vitamina A pode ser destruída pela exposição ao ar – oxigénio, e pela exposição à luz.

Fonte: Manual de Medicina Ortomolecular- Ana Paula Ivo
Postado por: Isabel Pato

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