O Segredo da Solução Perfeita e Criativa para cada problema.

 

 Recebi este no meio de muitos email do género

 

Olá meu querido António,  

Você me perguntou qual seria o meu grande sonho, e este é possuir uma casa própria e não depender das pessoas para sobreviver. Pois a coisa que me deixa mais triste é me encontrar e beijar alguém que eu não amo, com o intuito de sustentar e não deixar faltar nada aos meus filhos. Às vezes quando me encontro com esta pessoa, olho para o céu e peço para Deus mudar a minha vida e me mostrar uma saída. Pois, beijar alguém sem sentir nada é a pior coisa que existe.  
Sabe, meu querido, eu nunca fui feliz em minha vida, pois nunca pude dizer que alguma coisa é minha, pois sempre dependi das pessoas, moro em uma casa cedida pela minha irmã e vivo a receber constantes humilhações. Mas, mesmo assim peço forças a Deus para passar por esta prova, para eu ser aprovada em tudo que eu já passei por esta minha vida e um dia dar a volta por cima para ver a vida de uma outra forma, com dignidade, fidelidade e conquista. Não por humilhação.
 
Peço principalmente a Deus que todos os dias me mostre uma saída, para que um dia eu não passe mais por isso.
 
Me desculpe por escrever dessa forma, mas é a realidade da minha vida. Mas, sei que tudo isso um dia vai passar e não dependerei de mais ninguém ao não ser Deus.

 

Nada é o que parece. Encontra-se neste momento como residente neste espaço (Metamorfose Real) uma senhora de 53 anos. Em completa e profunda negação. Uma sem abrigo esperando que os Serviços sociais disponibilizem um espaço num lar para doentes mentais. Sim nada é o que parece mas também tudo tem um propósito. Ao completar-se o primeiro mês de residência os resultados embora aparentemente animadores não vislumbram a recuperação tão necessária para a tal transformação. Com um historial de extrema resistência a normas e regras (embora mínimas) todas as oportunidades se esgotaram, acabando por recorrer á Metamorfose Real sempre disponível para os chamados “casos perdidos”.

Esse foi o propósito inicial. Mas se estivermos um pouco mais atentos deparamo-nos com a seguinte situação. A residente, que lhe vamos chamar Joana (nome fictício) têm sensivelmente a mesma idade do fundador da instituição. Viveram em ambientes paralelos dentro da mesma freguesia a sua infância e juventude. Ele o mais velho de sete irmãos residia no bairro de lata mais promíscuo da periferia de Lisboa, ela a Joana tinha sido recebida por um casal sem filhos da classe media alta. No mais elegante bairro da zona. Ele comia o pão que o diabo amassou aos 7 anos trabalha a vender em lotas e mercados, primeiro na Ribeira e mais tarde de Pedrouços tendo para isso se levantar as 4 da manhã.

 Ela a Joana frequentou os melhores colégios femininos da região. hoje é uma sem abrigo e ele é quem a todo o custo a quer arrastar para a vida. De facto Nada é o que parece. Decerto que a 50 anos a trás ninguém poderia prever este desfecho.

Se nos perguntarmos o porquê deste paradigma, veremos que nada tem a ver com a influência do mundo envolvente. Mas com a postura em relação a esse mundo. O António agradece o facto de lhe darem uma oportunidade de trabalhar, a Joana reclamava as condições de trabalho.

Hoje ele ganha a vida a ajudando quem quer a realizar seus sonhos. Ela hoje reclama todos os dias com o Serviço Social incompetente.   

António Shiva