Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) caracteriza-se por dois tipos de manifestações: as obsessões ou idéias obsessivas e as compulsões ou rituais compulsivos. As obsessões são idéias ou imagens que vem à mente da pessoa independente de sua vontade repetidamente. Embora a pessoa saiba que são idéias suas, sem sentido, não consegue evitar de pensá-las. São freqüentes idéias relacionadas a religião, sexo, duvidas, contaminação, agressão (por exemplo, a pessoa tem idéias repetidas de que suas mãos estão contaminadas por ter tocado em objetos “sujos”). As compulsões são atos ou rituais que o indivíduo se vê obrigado a executar para aliviar ou evitar as obsessões. Se a pessoa não executa o ato compulsivo ela fica muito ansiosa. Os rituais são repetidos numerosas vezes, apesar da sensação que a pessoa tem de que não fazem sentido. Compulsões freqüentes são lavar as mãos, verificar se a porta está trancada ou a válvula do gás está fechada, questionar uma informação repetidamente para ver se está correta, executar minuciosamente uma série pré-programada de atos para evitar que aconteça algum mal a alguém, contar ou falar silenciosamente. Tanto as obsessões como as compulsões ocupam uma boa parte do tempo da pessoa, prejudicando ou dificultando seu dia a dia.

Como a própria pessoa reconhece que seus pensamentos ou atos são sem sentido, ela procura disfarçar tais manifestações, evitando conversar sobre esse assunto e relutando em procurar auxilio médico psiquiátrico.

O transtorno obsessivo compulsivo inicia em geral no fim da adolescência, por volta dos 20 anos de idade e atinge cerca de 2 em cada 100 pessoas. A doença pode se manifestar em crianças também. Em geral a doença evolui com períodos de melhora e piora; com o tratamento adequado há um controle satisfatório dos sintomas, embora seja pouco freqüente a cura completa da doença.

Muitos portadores de TOC apresentam também outros transtornos como fobia social, depressão, transtorno de pânico e alcoolismo. Alguns transtornos mentais como a tricotilomania (arrancar pelos ou cabelos), o distúrbio dimórfico do corpo (idéia fixa de que há um pequeno defeito no corpo, em geral na face) e a síndrome de Tourette (síndrome dos tics) parecem estar relacionados ao TOC.

Pesquisas recentes mostram que o TOC é uma doença do cérebro na qual algumas áreas cerebrais apresentam um funcionamento excessivo. Sabe-se também que o neurotransmissor serotonina está envolvido na formação dos sintomas obsessivo-compulsivos. Acredita-se também que as pessoas que tem uma predisposição para a doença, reagem excessivamente ao stresse. Tal reação consiste nos pensamentos obsessivos, que por sua vez geram mais stresse, criando assim um circulo vicioso.

Fonte: http://www.saudemental.net/transtorno_obsessivo_compulsivo.htm

Transtorno de Pânico

Transtorno de Pânico

Em crianças e adolescentes, o Transtorno de Pânico é definido, assim como em adultos, pela ocorrência repetida de ataques de pânico e medo de ter novos ataques. Apresentando ataques de pânico espontâneos, ansiedade antecipatória e evitação fóbica, as crianças e adolescentes podem enfatizar mais os sintomas somáticos ou expressar o pânico como ansiedade de separação aguda. O pico de início é entre 15 e 19 anos, sendo incomum antes da puberdade. Pacientes nessa faixa etária podem ter menor capacidade de avaliar seus sentimentos e suas sensações e podem não associar a ocorrência de sintomas físicos à vivência subjetiva de ansiedade, o que dificulta o diagnóstico14. Ataques de pânico isolados não são raros nesse período do desenvolvimento, no entanto, apenas os ataques recorrentes que causam prejuízo significativo no desenvolvimento do paciente devem ser sugestivos de Transtorno de Pânico.

Transtorno de Ansiedade Generalizada

O Transtorno de Ansiedade Generalizada, em crianças e adolescentes, é caracterizado pela presença de medo ou preocupações excessivas e de difícil controle com sua competência e com a qualidade de seu desempenho em eventos da rotina, mesmo quando não estão sendo avaliados, além de preocupação excessiva com eventos catastróficos e inclui pelo menos um sintoma somático (inquietude, fadiga, tensão muscular, irritabilidade, dificuldades de atenção, insônia) por pelo menos seis meses. Crianças e adolescentes com Transtorno de Ansiedade Generalizada estão mais predispostos do que crianças sem transtornos de ansiedade a relatar dor no peito, sensações estranhas ou irreais, coração disparado, dor de cabeça ou sensação de dor no estômago15. Apresentam tendência a ser perfeccionistas e inseguros e exigem constante garantia sobre seu desempenho.

Em adolescentes, envolve história de irritabilidade e ansiedade crônicas. As crises podem ser desencadeadas por pressões sociais, mudanças na vida e novas situações ou demandas de desempenho usualmente acadêmicas. Alguns adolescentes podem chegar a agredir familiares durante a expressão explosiva da ansiedade e frustração16.

O início costuma ser lento e insidioso e os pais têm, muitas vezes, dificuldades em precisar quando começou e relatam que foi agravando-se até se tornar intolerável, ocasião na qual procuram atendimento17,18. Durante o curso do transtorno, o foco pode mudar de uma preocupação para outra19.

Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social

O Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social caracteriza-se por medo acentuado e persistente de situações sociais ou de desempenho, nas quais a criança ou adolescente pode sentir inibição e timidez exageradas. O medo e a ansiedade são entendidos como parte normal do desenvolvimento da criança, no entanto, o termo fobia não se refere aos medos normais, mas a um medo irracional, invariavelmente patológico e exagerado20. A Fobia Social tem início insidioso em uma fase intermediária da adolescência12,21, mas há relatos de início em crianças de até oito anos de idade, às vezes emergindo a partir de um histórico de inibição social ou de timidez na infância22.

Crianças e adolescentes com Fobia Social referem um intenso desconforto em uma ampla variedade de situações que, em geral, acontecem diariamente. Esse desconforto é caracterizado por sintomas somáticos de ansiedade, como tremores, sudorese, palpitações, falta de ar, calafrios, ondas de calor. Além disso, a ansiedade pode se manifestar na forma de crises de choro, acessos de raiva, irritabilidade ou imobilidade23. Devido à ansiedade exagerada diante de situações sociais, esses pacientes são levados a evitá-las, o que impede o desenvolvimento de habilidades sociais, tornando-os pessoas isoladas e solitárias.

Ao contrário dos adultos, as crianças com Fobia Social, em geral, não têm a opção de evitar completamente as situações temidas e podem ser incapazes de identificar a natureza de sua ansiedade5, apresentando declínio no rendimento escolar, fobia escolar, déficits em habilidades sociais, baixa autoestima ou esquiva de atividades sociais e de amizades adequadas à idade24,25. A Fobia Social na infância e adolescência tem sido associada com importantes prejuízos sociais, ocupacionais e familiares, além de predispor ao uso de drogas e ao desenvolvimento de depressão e de outros transtornos de ansiedade na vida adulta21,26,27,28.

Referências:

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Fonte: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=2437

Transtorno de Ansiedade de Separação

Transtorno de Ansiedade de Separação

O Transtorno de Ansiedade de Separação caracteriza-se por um comportamento de ansiedade excessiva desencadeado quando a criança se afasta de casa ou das figuras principais de apego (pais ou seus substitutos), separação esta inadequada ao estágio de desenvolvimento da criança e suficiente para causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, académico ou em outras áreas importantes da vida do paciente. A média de idade de início do transtorno é de 7 anos.

Crianças e adolescentes com Ansiedade de Separação, quando sozinhos, podem experimentar medo persistente de ocorrer um possível dano ou perda de uma figura de apego ou de que algum evento trágico possa separá-los (por algo acontecer à figura de apego ou a si próprio), relutar ou recusar em ir à escola devido a medo de se separar12, sentir dificuldades em separar-se à noite não querendo dormir sozinho, ter pesadelos envolvendo temas de separação, sintomas físicos recorrentes em situações que envolvem afastamentos (dor abdominal, cefaleia, náuseas, vómitos, palpitações, tonturas e até desmaios) e ansiedade antecipatória8,13.

Fonte: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=2437

Referências:

  1. SYLVESTER, C. Separation anxiety disorder and other anxiety disorders. In KAPLAN, H. I.; SADOCK, B. J. Comprehensive textbook of psychiatry. 7th. ed. Washington: Lippincott Williams & Wilkins, 2000.
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Ansiedade – Introdução

Ansiedade – Introdução

ANSIEDADE, MEDOS E PREOCUPAÇÕES: TRANSTORNOS DE ANSIEDADE NA

INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA.

Elizeth Heldt,  Luciano Isolan, Maria Augusta Mansur e  Rafaela Behs Jarros.

In: APRENDIZAGEM, COMPORTAMENTO E EMOÇÕES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA: UMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR.

Organização: Elisabete Castelon Konkiewitz. Editora UFGD, Dourados, 2013.

A ansiedade é um estado emocional vivenciado com qualidade subjetiva do medo. É uma resposta a situações de perigo ou ameaças reais, como aos stresses e desafios do quotidiano. É caracterizada por apresentar sintomas somáticos, como taquicardia, palpitação, dificuldade respiratória, tremor, calores, calafrios, tensão muscular, náuseas, dor de cabeça, sudorese etc. Sintomas cognitivos como dificuldade de concentração, pensamento catastrófico, hipervigilância, medo de perder o controle. Sintomas comportamentais como inquietude, isolamento e esquiva. Sintomas emocionais como medo, apreensão, irritabilidade e impaciência, e sintomas perceptivos como despersonalização, desrealização e hiper-reatividade aos estímulos1.

A ansiedade passa a ser patológica quando se torna uma emoção desagradável e incômoda, que surge sem estímulo externo apropriado ou proporcional para explicá-la, ou seja, quando a intensidade, duração e frequência estão aumentadas e associadas ao prejuízo no desempenho social ou profissional do paciente1.

Os transtornos de ansiedade estão entre os transtornos psiquiátricos mais prevalentes na infância e adolescência. Estando entre os quadros psiquiátricos mais comuns em crianças e adolescentes, em torno de 15% de jovens entre 6 e 19 anos de idade apresentam história de Transtorno de Ansiedade2.

A identificação precoce e o tratamento eficaz desses transtornos nessa faixa etária podem reduzir o impacto da ansiedade no funcionamento social e acadêmico e podem reduzir o desenvolvimento de outros transtornos de ansiedade e de outros transtornos psiquiátricos, como depressão na vida adulta3.

Sintomas de ansiedade são comuns em crianças e adolescentes normais, porém pouco reconhecidos. O diagnóstico diferencial entre preocupações, medos e timidez apropriados ao desenvolvimento normal com um diagnóstico de transtorno de ansiedade deve ser feito levando em conta o quanto de prejuízo que tais sintomas causam no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes na vida do paciente. Crianças muito pequenas, geralmente, apresentam medos de sons altos e medo de estranhos. Crianças pré-escolares costumam apresentar medo de criaturas imaginárias, medo de escuro, medo de danos físicos e algum grau de ansiedade de separação. Crianças em idade escolar, normalmente, têm preocupações acerca de eventos naturais (ex.: tempestades). Crianças mais velhas e adolescentes tipicamente têm preocupações e medos relacionados ao desempenho social e acadêmico, e com questões relacionadas à saúde4. Dessa forma, no que tange ao diagnóstico dos transtornos de ansiedade, na infância e adolescência sempre se deve levar em conta as características desenvolvimentais típicas para cada faixa etária.

Crianças e adolescentes com transtornos de ansiedade podem apresentar medo e/ou preocupações excessivas e, normalmente, não reconhecem tais sintomas como irracionais ou exagerados, ao contrário dos adultos. Geralmente, apresentam sintomas somáticos como cefaleia, dispneia e dores de estômago. Ataques de raiva, crises de choro e irritabilidade, frequentemente, ocorrem em crianças com transtornos de ansiedade e podem ser mal interpretados como sendo oposição ou desobediência quando na realidade são manifestações de medo ou esforços para evitar situações desencadeadoras de ansiedade5.

Um padrão de comportamento caracterizado por medo excessivo está entre as causas mais comuns de procura por atendimento médico na infância e adolescência6. A tendência desses transtornos é ter o início precoce e o curso crônico, causando significativo prejuízo no funcionamento escolar, social e pessoal de seus portadores7,8, especialmente, pelo fato de que grande parte dos casos não recebe tratamento9.

Crianças e adolescentes ansiosos estão mais propensos a se queixarem de dor de cabeça, dor de estômago e dores musculares do que os colegas não ansiosos10. Aumento na atividade do sistema nervoso autonômico, transpiração, dor abdominal difusa, rubor, distúrbios gastrointestinais e tremor são exemplos de queixas de adolescentes ansiosos11.

Os Transtornos de Ansiedade como um grupo, podem ser subdivididos em: Transtorno de Ansiedade de Separação, Transtorno de Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Ansiedade Social ou Fobia Social, Fobia Específica, Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Transtorno Obsessivo-Compulsivo, os quais representam as formas mais prevalentes de psicopatologia em crianças e adolescentes.

REFERÊNCIAS 

  1. CORDIOLI, A.; MANFRO, G. Transtornos de Ansiedade. In DUNCAN, B. et alMedicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004, p.863-873.
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  1. SYLVESTER, C. Separation anxiety disorder and other anxiety disorders. In KAPLAN, H. I.; SADOCK, B. J. Comprehensive textbook of psychiatry. 7th. ed. Washington: Lippincott Williams & Wilkins, 2000.
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  1. BARRIOS, B. A.; HARTMANN, D. B. Fears and anxieties. In MASH, E. J.; TERDAL, L. G. (Edit.). Behavioral assessment of childhood disorders, 2ª ed. New York: Guilford, 1988, p.196-264.

Fonte: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=2437

O QUE É A ANSIEDADE INFANTIL?

O QUE É A ANSIEDADE INFANTIL?

Sabia que…

Aproximadamente uma em cada dez crianças reunirá critérios para diagnóstico de uma perturbação de ansiedade no decurso da infância?

À medida que a criança cresce e se desenvolve cognitivamente o foco dos seus medos e preocupações passam do concreto para preocupações mais abstractas?

Diversos fatores parecem estar na origem de perturbações de ansiedade, nomeadamente influências genéticas, temperamento, psicopatologia parental, fatores cognitivos e experiências de vida?

Ansiedade… O que é?

A ansiedade é uma EMOÇÃO NORMAL e ADAPTATIVA – ajuda-nos a lidar com a dificuldade, bem como com situações desafiantes ou perigosas. A ansiedade é FREQUENTE – existem alturas em que todos nós, adultos e crianças, nos sentimos preocupados, ansiosos, chateados ou stressados.

Mas a ansiedade torna-se um PROBLEMA QUANDO ELA INTERFERE NO QUOTIDIANO da criança, impossibilitando-a de desfrutar a sua vida como habitual, por afectar as suas relações na escola e na família, as suas amizades e a sua vida social. É aqui que a ANSIEDADE DOMINA e a criança perde o controlo… É aqui fundamental ajudar a criança a ultrapassar as suas dificuldades.

As perturbações ansiosas nas crianças e jovens são comuns e das dificuldades mais frequentes na infância. Podem ter um impacto significativo no funcionamento quotidiano, com consequências no desenvolvimento e com interferência nas aprendizagens, no estabelecimento de amizades e nas relações familiares. Muitas perturbações de ansiedade, quando ignoradas na infância, persistem na vida adulta, aumentando a probabilidade de se desenvolverem outro tipo de patologias.

Estudos de prevalência realizados no Reino Unido e nos EUA indicam que entre 2 e 4% das crianças entre os 5 e os 16 anos reunem critérios de diagnóstico para uma perturbação de ansiedade com interferência negativa no seu funcionamento habitual.

Existe uma elevada percentagem de comorbilidade das perturbações de ansiedade com a depressão. Além disso, crianças com perturbações ansiosas possuem um maior risco de vir a desenvolver comportamentos de risco face ao álcool na adolescência.

ANSIEDADE OU ANSIEDADES?

A verdade é que a ansiedade pode surgir sob “formas diferentes”.

Fobias.

Quando os medos nos fazem perder o controlo.

A maioria das crianças, ao longo do seu crescimento, vence muitos medos. Isso acontece porque aprendem que aquilo que receiam não é realmente perigoso ou aprendem a defender-se do perigo. Mas e o que acontece com os medos que não desaparecem com o tempo?

Quando as pessoas persistem incomodadas pelo(s) seu(s) medo(s), ou nem sequer conseguem sair à rua ou divertir-se por causa do(s) medo(s), é possível que o medo se tenha transformado em fobia. Uma fobia é um medo exageradamente grande que não se consegue controlar. As pessoas podem desenvolver fobias a qualquer coisa – animais, outras pessoas, alturas, trovoadas, seringas…

Como saberes se é uma fobia? Pergunta a ti próprio se o medo te afasta de coisas que queres e precisas mesmo de fazer. O medo é tão grande que parece querer controlar a tua vida.

Ansiedade de Separação.

Medo de estar longe dos adultos de referência.

Muitas crianças crescidas sentem-se assustadas quando ficam sozinhas em casa. Por vezes, mesmo na companhia de um familiar ou uma ama, ficam nervosas depois da mãe ou do pai saírem. Mas para algumas crianças, separarem-se dos pais, mesmo por um período de tempo reduzido, gera muito medo e nervosismo. Preocupações intensas sobre estar longe dos familiares chama-se ansiedade de separação.

Ansiedade Generalizada.

Preocupação constante e duradoura.

A maioria das crianças consegue lidar com as preocupações do dia a dia sem se sentir particularmente aborrecida. Conseguem colocar de parte as suas preocupações enquanto fazem os TPC ou enquanto brincam com os amigos. Mas há crianças que se sentem nervosas e preocupadas de forma muito profunda e difícil de ignorar. Para uma criança com ansiedade generalizada, a própria ideia de ter um novo dia pela frente pode ser assustadora.

Pânico.

Medo que “paralisa”.

Quando uma pessoa sente um ataque de pânico, a ansiedade é tão forte que parece apoderar-se de todo o corpo. A pessoa pode sentir dificuldades em respirar, sentir o coração a bater muito depressa e sentir dificuldade em compreender tudo aquilo que sente no momento. Mesmo quando todas estas sensações não duram muito tempo, podem ser verdadeiramente aterradoras.

Stress Pós-Traumático.

Medo e stress associados a uma memória muito dolorosa.

Quando algo verdadeiramente assustador e perturbador acontece é natural que a pessoa se sinta receosa em relação a esse acontecimento. Por exemplo, se uma criança cai e se magoa ao andar de bicicleta, ela poderá recordar como se assustou e como doeu, e poderá demorar até sentir coragem para retomar os passeios de bicicleta. Mas a certa altura, a criança voltará a andar de bicicleta e acabará por se esquecer do sucedido. Mas, quando ocorrem acontecimentos muito graves – daqueles que não acontecem a toda a hora e a todas as crianças, como acidentes ou abusos – as emoções podem ser tão fortes e devastadoras que não desaparecem com o passar do tempo, podendo originar uma perturbação de stress pós-traumático.

QUAIS AS CAUSAS DA ANSIEDADE?

Existem múltiplos fatores que parecem estar na origem das perturbações de ansiedade em crianças e adolescentes, envolvendo uma complexa relação entre fatores biológicos, ambientais e individuais. Os fatores genéticos e o temperamento são fatores de predisposição que aumentam a vulnerabilidade. O papel dos fatores ambientais assenta nos fatores familiares, nas experiências de vida e aprendizagens, bem como em fatores cognitivos.

SINTOMAS DA ANSIEDADE INFANTIL

Estes são alguns sintomas que podem estar presentes nas várias “formas” de ansiedade. A presença de vários sintomas, durante várias semanas, com interferência no quotidiano da criança ou jovem, pode ser um sinal de alerta, merecendo ser avaliados por um especialista.

Emocionais

  • Tristeza
  • Medo
  • Preocupação
  • Culpa
  • Sensação de não ter valor
  • Desesperança
  • Alterações repentinas de humor
  • Sensação de confusão mental

Físicos

  • Dificuldade em adormecer
  • Sono agitado
  • Inibição/lentidão de movimentos
  • Agitação
  • Mãos e pés frios; por vezes, suados
  • “Borboletas no estômago”
  • Náuseas, alterações gastrointestinais
  • Rubor facial
  • Arrepios
  • Músculos tensos
  • Dores no corpo
  • Boca seca
  • Alterações na forma de respirar
  • Tonturas

Comportamentais

  • Crises de choro
  • Isolar-se
  • Fechar-se em casa
  • Evitar novas atividades
  • Ataques de zanga
  • Ausência de realização de atividades que davam prazer
  • Incapacidade de lidar com as tarefas diárias
  • Diminuição da capacidade de atenção, concentração, memória e tomada de decisão
  • Arrumar todos os objectos por cor ou tamanho
  • Lavagens/banhos demasiado frequentes
  • Contar os passos que dá ao andar; pisar apenas as pedras da calçada pretas (ou só as brancas)

Pensamentos

  • Auto-crítica frequente
  • Pensamento de que não é possível ser ajudado
  • Pessimismo
  • Perda de confiança e auto-imagem negativa
  • Pensamento de que se é estranho
  • Pensamentos enviesados
  • Pensamentos de que algo verdadeiramente mau pode acontecer
  • Pensamentos de que se está a ficar maluco
  • Pensamentos de ausência de controlo
  • Pensamentos de perfeição
  • Foco no que corre mal

SOLUÇÕES PSICO-TERAPÊUTICAS

E que consequências pode ter a ansiedade quando não se intervém?

  • Isolamento;
  • Baixa auto-estima;
  • Depressão;
  • Fobia escolar;
  • Evitamento de situações novas;
  • Deixar de concluir tarefas importantes;
  • Evitamento de sítios, pessoas e situações;
  • Inadequação social;
  • Dificuldades escolares…

Fonte: https://oficinadepsicologia.com/ansiedade-infantil/

VAMOS FALAR SOBRE ANSIEDADE. EU SINTO, E VOCÊ?

VAMOS FALAR SOBRE ANSIEDADE. EU SINTO, E VOCÊ?

Este é meu segundo relato pessoal. Dessa vez quero discorrer sobre um transtorno que atinge 33% da população mundial (me incluindo, óbvio!). Ao contrário do que você pode estar imaginando, esse aqui não vai ser um artigo científico ou com um passo a passo de como se curar. Na verdade, espero que você não se identifique com nada do que será exposto. Mas, se você sentir qualquer resquício de semelhança, não se preocupe, é sinal de que você não está sozinho!

Há alguns dias, entre a minha rotina, livros, filmes e trabalhos da faculdade, consegui arrumar um espaço na minha vida para a ansiedade. Foi só uma brecha. Um deslize. Incrivelmente, com o tempo, quem sofre desse transtorno já sabe a forma pela qual ele se apresenta, mas nunca quando ele vai embora, de fato. Ou seja, sei que tenho facilidade para me sentir ansiosa, e sei quando ela começa a afetar meu dia a dia e até meu organismo. Mas a questão é: nunca sei como evita-la. Exercícios físicos, nada de preocupações, muita distração… Tudo parece muito simples, mas não é.

A ansiedade é mais comum do que imaginamos. Só descobri isso depois que precisei de ajuda médica. Jovens entre 18 e 24 anos são mais propensos em adquiri-la devido às mudanças que são frequentes nesse período: faculdade, relacionamentos, medos, dúvidas e sonhos. Então segue meu primeiro conselho: nunca peça para um ansioso ter calma. Ou melhor, pode até pedir, mas não espere que isso aconteça. Não fazemos por mal – eu juro! – mas ter ansiedade vai um pouco mais além do que simples dores de barriga.

Por incrível que pareça, não tenho receio de falar em público, me saio muito bem apresentando seminários ou expondo ideias (aliás, sonho em dar uma palestra! ♥).

Mas, apesar do nervosismo ser um sintoma frequente em pessoas que tem ansiedade, ela ocorre de forma mais profunda: vem através de preocupações em excesso com o futuro e com qualquer detalhe dele, com o medo de perder pessoas próximas, com a hipótese de sermos o centro das atenções em algum momento ou, com a menor possibilidade possível de falharmos em qualquer momento da vida.
Somos excesso. Somos intensidade. Somos preocupados e exagerados. Mas também amamos na mesma proporção.

Vale lembrar que a ansiedade, até certo ponto, pode ser vista de forma positiva, pois faz com que fiquemos mais atentos a tudo o que acontece ao nosso redor. Mas é fácil ultrapassarmos o limite: somos craques em chorar e enchemos copos e mais copos com lágrimas e ainda fazemos uma baita de uma tempestade em qualquer situação. Por isso, amigo, muita paciência com nós!
Como se ainda não bastasse, isso atrapalha o nosso sono e, uma noite mal dormida vai resultar em um dia mal aproveitado. É como uma onda que vem firme e forte puxando pra ela todo o pouco que temos. É ruim, é difícil, mas faz um bem danado depois que passa! Claro, quando estamos no meio da névoa, é quase impossível enxergar ao nosso redor.

Mas tentar vencer essa batalha me ensinou que preciso me esforçar para viver um dia de cada vez e me concentrar apenas no agora, porque é tudo que tenho. E, me ensinou também, que talvez a ansiedade seja minha companheira de mais vários longos anos, portanto, não vou me preocupar em deleta-lá da minha vida; eu devo apenas aprender a conviver com a sua presença.

Sei que muitas coisas podem parecer uma grande baboseira, um drama de novela mexicana, mas não é. E, para provar, sugiro que faça uma busca no Google pela palavra “ansiedade” e veja o que os doutores e as pesquisas dizem. Então, por favor, às vezes um abraço vale mais que milhões de palavras. Lembre-se que para nós, a vida é vista de outra perspectiva. Isso não é nosso defeito, significa apenas que somos especiais.

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