As propriedades medicinais do Ginseng

As propriedades medicinais do Ginseng

Ginseng ( Panax ginseng C.A. Meyer) – Não dopa, mas funciona

A raiz do ginseng tem vindo a ser utilizada ininterruptamente desde há mais de 4000 anos, na China, pelas suas propriedades tonificantes.

Foi introduzida na Europa a partir do século XVIII e tem sido objecto de numerosos estudos científicos, em função das suas extraordinárias virtudes.

O seu nome científico, Panax, vem dos radicais gregos pan (todo) e axos (cura). Para os chineses, o ginseng é uma autêntica panaceia, capaz de curar uma grande variedade de afecções.

Os seus efeitos afrodisíacos deram-lhe uma grande popularidade nos países ocidentais, onde o stress e o uso do tabaco, do álcool e de outras drogas constituem uma agressão contra a potência sexual.


Propriedades e Indicações:

Os princípios activos da raiz do ginseng são de uma grande complexidade química, tanta, que até agora não tem sido possível sintetizá-los. Chama-se-lhes ginsenósidos, e quimicamente são glicósidos esteróides das saponinas triterpénicas. A eles se devem fundamentalmente as suas acções terapêuticas, que são reforçadas pelos restantes componentes: minerais e oligoelementos, entre os quais se assinalam o enxofre, germânio, manganésio, magnésio, cálcio e zinco; vitaminas B1, B2, B6, biotina e ácido pantoténico; fitosteróis; enzimas; assim como outras substâncias.

Os efeitos do ginseng sobre o organismo são muito variados (1):

-Tonificante: Os ginsenósidos aumentam o rendimento físico e a resistência à fadiga. Isto não se deve a um efeito excitante, como acontece com a cocaína, o café, o chá e outras drogas, mas a uma melhora nos processos metabólicos. O ginseng acelera os processos enzimáticos da glicogénese (produção de glicogénio no fígado a partir da glicose) e da glicogenólise (produção de glicose a partir do glicogénio acumulado); diminui a concentração de ácido láctico no músculo, causador das dores musculares, graças ao melhor aproveitamento da glicose; aumenta a produção de ATP (trifosfato de adenosina), substância de grande capacidade energética para as células; melhora a utilização do oxigénio pelas células; aumenta a síntese de proteínas (efeito anabolizante); estimula a hematopoiese (produção de sangue) na medula óssea, especialmente após as hemorragias.

Todos estes efeitos bioquímicos puderam ser comprovados experimentalmente.

Deste modo o ginseng tonifica sem excitar e sem criar dependência, pois aumenta a produção de energia nas células.

-Sistema nervoso: Possui efeitos antidepressivos e ansiolíticos (elimina a ansiedade). Favorece a actividade mental, aumentando a capacidade de concentração e de memória.

-Sistema endócrino: Tem uma acção anti-stress devida à sua qualidade de “adaptogénio”, pois aumenta a capacidade de adaptação do organismo aos esforços físicos ou psíquicos. Em estudos com ratos, viu-se que estimula tanto a hipófise como as glândulas supra-renais.

-Sistema cardiovascular: Tem um efeito vasorregulador, normalizando a pressão arterial.

-Sistema reprodutor: Favorece a espermatogénese (aumenta a produção de espermatozóides); estimula as glândulas sexuais (tanto masculinas como femininas), aumentando a produção de hormonas; aumenta a capacidade sexual, melhorando a frequência e a qualidade da erecção no homem, e favorecendo a excitação dos órgãos genitais na mulher. Não é um afrodisíaco no sentido restrito da palavra, pois a sua acção não consiste em excitar o desejo sexual, mas em melhorar a capacidade e o funcionamento dos órgãos genitais.

As indicações para o uso do ginseng são as seguintes:

– Esgotamento físico: astenia (debilidade), fadiga fácil, falta de energia vital, convalescença de doenças ou operações.

-Prática desportiva. O ginseng não figura na lista de substâncias proibidas por produzirem doping.

-Stress: doenças psicossomáticas (gastrites, colites, enxaquecas, asma, palpitações).

Esgotamento psíquico, depressão, ansiedade, insónia. Muito útil para os estudantes em época de exames.

– Envelhecimento precoce, senilidade.

– Hiper ou hipotensão arterial.

Anemia: Especialmente útil para recuperar as perdas de sangue depois de hemorragias ou doações.

Transtornos da sexualidade: impotência masculina, frigidez feminina, insuficiência hormonal, esterilidade masculina ou feminina.


Precauções

Doses excessivas podem produzir nervosismo.

Não convém associá-lo com o café ou o chá, uma vez que isso pode provocar excitação nervosa; ou com medicamentos que contenham ferro, pois este mineral interfere quimicamente com os princípios activos do ginseng, reduzindo os seus efeitos.


Preparação e emprego

Uso interno

1-O ginseng apresenta-se habitualmente em forma de preparados farmacêuticos, extractos, cápsulas, ampolas bebíveis, etc.). A dose habitual é de 0,5 a 1,5 g de pó de raiz por dia, numa única ou em várias tomas. Há que ter em conta que a acção do ginseng é lenta mas acumulativa. Os efeitos começam a notar-se a partir da segunda ou terceira semana de tratamento. Recomenda-se tomá-lo de forma continuada durante um certo tempo (dois ou três meses no máximo), e descansar um ou dois meses antes de iniciar outro ciclo de tratamento.


Sinonímia científica: Panax schinsegn Nees.

Outros nomes: ginseng-coreano, ginseng-vermelho. Esp.: ginseng rojo, ginseng coreano. Fr: ginseng. Ing.: ginseng.

Habitat: Oriundo de zonas montanhosas e trias da Coreia, da China e do Japão, onde se cultiva amplamente.

Descrição: Planta da família das Araliáceas, que atinge de 20 a 50 cm de altura. As folhas dispõem-se em grupos de cinco. As flores são de cor púrpura e dão lugar a uns pequenos frutos em baga. A raiz é carnuda, de cor acinzentada ou branca; mede de 10 a 15 cm e tem um peso médio de 200 g.

Partes utilizadas: a raiz a partir do quinto ano.


Tipos de ginseng

Existem vários tipos de ginseng:

– Ginseng-coreano ou vermelho (Panax ginseng C. A. Meyer): É o ginseng por excelência, o mais rico em princípios activos.

– Ginseng-chinês (Panax repens Max.): Cultiva-se na China e na lndochina.

Ginseng-americano (Panax  quinquefolium L.): Oriundo do Nordeste dos Estados Unidos e Sudeste do Canadá. Cria-se em estado silvestre nos bosques de faias e carvalhos.

– Eleuterococo (Eleutherococcus senticosus Maxim.), também chamado ginseng-russo ou siberiano: Cultiva-se com fins medicinais e apresenta propriedades muito semelhantes às do ginseng-coreano.


Fonte: http://saude-bemestar-beleza.solucaoperfeita.com/propriedades-medicinais-ginseng/

As propriedades medicinais da Valeriana

As propriedades medicinais da Valeriana

Valeriana (Valeriana officinalis L) – Acalma os nervos e faz baixar a tensão arterial

A valeriana produz efeitos bastante diferentes, segundo actue sobre os seres humanos ou sobre os animais. Aos primeiros proporciona um notável efeito sedativo, enquanto aos segundos estimula fortemente. Assim, por exemplo, os gatos ficam eufóricos quando cheiram a planta, e esfregam-se contra ela com grande deleite. Por outro lado, o aroma da valeriana, que se intensifica com a secagem da planta, não tem para os humanos nenhum atractivo especial, pois lembra o cheiro do suor dos pés. Questão de gostos…

A valeriana usa-se em terapêutica desde o Renascimento, quando se descobriu a sua propriedade de evitar os ataques epilépticos.


Propriedades e Indicações:

A cepa e as raízes da valeriana contêm cerca de 1% de um óleo essencial com numerosos componentes (terpenos, ésteres de bornilo, etc.) e de 1% a 5% de valepotriatos, que são triésteres do ácido valeriânico. O óleo essencial tem ação antiespasmódica, e os valepotriatos, acção sedante. No entanto, o efeito terapêutico da valeriana deve-se à acção combinada de todos os seus componentes, e não a algum em particular, como aliás acontece com muita frequência em fitoterapia.

A valeriana tem efeitos tranquilizantes, sedativos, soporíferos (favorece o sono), analgésicos (acalma a dor), antiespasmódicos e anticonvulsivos.

Produz uma sedação de todo o sistema nervoso central e vegetativo, diminuindo a ansiedade. Também diminui a pressão arterial. A sua acção é semelhante à dos fármacos tranquilizantes maiores ou neurolépticos (fenotiazinas e derivados), mas não tem nenhum dos correspondentes efeitos tóxicos destes. As indicações da valeriana são as seguintes:

Distonias neurovegetativas (1,2,3): ansiedade, neurose de angústia, neurastenia ou irritabilidade, dores de cabeça, palpitações, arritmias, hipertensão arterial essencial (que não tem causa orgânica), tremores, neurose gástrica (nervos no estômago), cólon irritável, e outras doenças psicossomáticas.

Depressão nervosa e esgotamento (1,2,3)

Insónia(1,2,3): Pela sua acção soporífera, dá muito bons resultados se a infusão se combinar com um banho (5) da mesma planta antes de deitar.

Epilepsia (1,2,3): Tomada regularmente, previne o aparecimento dos ataques epilépticos. Não substitui a medicação antiepiléptica, se bem que pode ajudar a reduzir a dose da mesma.

– Asma (1,2,3): Do mesmo modo que no caso da epilepsia, é mais eficaz na prevenção do que no tratamento do ataque agudo. A sua acção antiespasmódica e sedativa evita o espasmo dos brônquios que, juntamente com o edema da mucosa, é um dos factores causadores da asma.

Dores (1,2,3): Pelo seu efeito analgésico torna-se útil para aliviar as dores ciáticas e reumáticas. Além disso, também actua externamente (4). Daí que se aplique localmente para aliviar a dor em caso de contusões, lombalgias, ciática, distensões musculares e dores reumáticas.


Preparação e Emprego

Uso interno

1-Infusão: 15-20 g de raiz triturada por litro de água, de que se tomam até 5 chávenas diárias, adoçadas com mel, se se desejar. No caso de insónia, tomar uma chávena, entre meia e uma hora antes de ir dormir.

2-Maceração: 100 g de raiz num litro de água quente. Deixar repousar durante 12 horas. Ingerem-se 3-4 chávenas por dia.

3- Pó de raiz: Administra-se um grama, 3-4 vezes ao dia.

 

Uso externo

4-Compressas de uma decocção de 50-100 g de raiz seca, fervida num litro de água durante 10 minutos. Aplicam-se quentes sobre a zona dorida.

5-Banhos de água quente, de acção sedativa, juntando um ou dois litros de uma decocção de valeriana igual àquela que se prepara para as compressas.


Outros nomes: valeriana-menor, valeriana-silvestre, valeriana-selvagem, erva-dos-gatos. Esp.: valeriana, valeriana oficinal, hierba de los gatos. Fr.: valériane, herbe aux chats. Ing.: [fragrant] valerian, English valerian.

Habitat: Cresce nas orlas dos bosques, prados húmidos e margens dos rios da Europa, para desaparecer na região mediterrânea. Naturalizada na América do Norte e na região mais meridional do continente americano.

Descrição: Planta herbácea da família das Valerianáceas, com caules erectos e estriados, que atingem de 0,5 a 2 m de altura. As flores são pequenas, de cor rosada, e agrupam-se em ramalhetes terminais.

Partes utilizadas: a raiz e o rizoma.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

http://saude-bemestar-beleza.solucaoperfeita.com/propriedades-medicinais-valeriana/

As propriedades medicinais da Tília

As propriedades medicinais da Tília

Tília (Tilia europaea L.) – Acalma os nervos, protege o coração… e muito mais

As tílias são árvores majestosas que vivem vários séculos, e que parecem convidar-nos a uma vida sossegada e serena, como a que elas mesmas têm. Nos países do centro e do norte da Europa, a tília simboliza a unidade familiar e a paz doméstica. O emprego da popular tília (infusão de flores) como sedativo remonta ao Renascimento, e é hoje um dos remédios vegetais mais utilizados.


Propriedades e Indicações:

As flores da tília contêm uma essência aromática rica em magnésio, com propriedades sedativas, antiespasmódicas e vasodilatadoras; mucilagens e pequenas quantidades de tanino, que as tornam emolientes e anti-inflamatórias; e glicósidos flavonóides, que as tornam suavemente diuréticas e sudoríficas.

O córtex (casca) contém polifenóis e cumarinas, que lhe conferem propriedades coleréticas (aumentam a secreção de bílis), antiespasmódicas (especialmente activa sobre a vesícula biliar) hipotensoras e dilatadoras das artérias coronárias.

As suas aplicações são muito variadas, mas todas elas giram em torno dos seus efeitos sedantes e relaxantes:

Afecções do sistema nervoso (1,2,3): Pela essência que contém, a flor de tília é muito útil nos casos de excitação nervosa, angústia e ansiedade.

Insónia (1,2,3): A tília torna-se muito eficaz nos casos de insónia, pois provoca um sono natural. Ao contrário da maior parte dos hipnóticos e sedativos sintéticos, a infusão de tília não produz sonolência ou entorpecimento na manhã seguinte, e não gera dependência. No entanto há que ter presente que, como tratamento suave e nada agressivo que é, a tília actua lentamente, e os seus efeitos podem tardar vários dias para se manifestar.

Os banhos com água quente a que se junta infusão de flores de tília (4), têm um notável efeito tranquilizante e relaxante, e reforçam a acção da planta tomada por via oral em tisanas. Dão resultados espectaculares em caso de insónia rebelde.

Crianças nervosas ou que têm dificuldade em dormir (1,2,3): Recomenda-se também o uso da tília em pediatria, por não ter efeitos secundários ou indesejáveis. Convém às crianças hiperactivas ou irritáveis. Deve administrar-se durante vários dias ou semanas para que a sua acção se desenvolva.

Afecções respiratórias (1): Pelo seu conteúdo em mucilagens de acção emoliente, e pelo seu efeito antiespasmódico, a flor de tília é indicada nos catarros brônquicos, bronquites, asma, gripe e tosse rebelde das crianças. Pode-se juntar um pouco de casca para um efeito mais intenso.

Afecções cardíacas e circulatórias (1,2,3): Tanto a flor como a casca da tília têm um efeito vasodilatador e suavemente hipotensor. Actuam especialmente sobre as artérias coronárias. Estão muito indicadas no caso de angina de peito e de arritmias, que costumam afectar as pessoas com temperamento nervoso ou submetidas a stress, com o que obterão um duplo benefício.

Ultimamente descobriu-se que a tília (flor e casca da árvore) diminui a viscosidade do sangue, com o que este circula com maior fluidez. Deste modo, actua favoravelmente na prevenção do infarto do miocárdio e da trombose.

Os pletóricos, os cardíacos, os que sofrem de hipertensão arterial, os que têm predisposição para arteriosclerose, para o infarto e, em geral, para as afecções circulatórias, beneficiam especialmente do consumo da flor e da casca de tília.

Enxaquecas (2): A tília (especialmente a casca) tem-se revelado muito útil no tratamento da enxaqueca (dor de cabeça lancinante devida a espasmos arteriais), tão difícil de tratar por meios químicos. A sua acção é mais preventiva, pelo que se deve tomar de forma sistemática, e não apenas quando se apresenta o ataque.

Afecções digestivas (1): Pela sua acção colerética e antiespasmódica sobre a vesícula biliar, a tília, especialmente a flor, convém aos que sofrem de cálculos biliares ou de transtornos no funcionamento da vesícula biliar (disquinesias). Facilita a expulsão dos pequenos cálculos da vesícula biliar (areias na bílis). Ajuda a uma melhor digestão em caso de dispepsia biliar, intolerância às gorduras, flatulência ou distensão abdominal após as refeiçóes.

Afecções da pele (5): Aplicada externamente, a tília apresenta uma notável acção emoliente (anti-inflamatória e suavizante) sobre a pele. É indicada em caso de queimaduras, eczemas, furúnculos e irritações de origem diversa.

– Beleza e cosmética: Torna-se de grande utilidade para combater os efeitos do vento, do frio ou do sol sobre a pele (pele seca, queimaduras solares). Usa-se em cosmética para dar suavidade e beleza à pele. O banho de vapor com tília abre os poros e limpa a pele.


Preparação e emprego

Uso interno

1-Infusão de flores: 20-40 g por litro de água. Ingerem-se cada dia 3-4 chávenas bem quentes; uma delas sempre antes de deitar. A tília pode-se adoçar com mel.

2-Decocção de casca: 30 g por litro de água durante 10 ou 15 minutos. Pode-se misturar com a infusão de flores, para obter um efeito mais completo.

3-Extracto fluido: A dose costuma ser de umas 20-40 gotas, três vezes ao dia, com uma quarta toma à noite antes de deitar.

 

Uso externo

4-Banho de flores de tília: Prepara-se com 300-500 g de flores postas em infusão com 1-2 litros de água, que se acrescentam à água do banho quente, imediatamente antes de o tomar.

5-Compressas: Quer seja para afecções da pele quer para beleza, embebem-se compressas numa infusão de 100 g de flores de tília por litro de água, que se mudam cada 5 minutos. Aplicam-se diariamente duas ou três vezes.


Outros nomes: Esp.: tilo, tila, tilia, tillera. Fr.: tilleul, til, tillet. Ing.: linden.

Habitat: Difundida, tanto em estado silvestre como cultivada, por zonas montanhosas da Europa continental, Córsega, e região do Cáucaso. Muito cultivada em Portugal. Na América também existem diversas espécies de tílias.

Descrição: Árvore grande, de até 20 m de altura, muito ramificada na copa, da família das Tiliáceas. De folhas caducas, dentadas, com forma de coração e assimétricas na base. As flores são esbranquiçadas ou amareladas e exalam um aroma agradável.

Partes utilizadas: As inflorescências jovens e a casca da árvore.


Fonte: A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

http://saude-bemestar-beleza.solucaoperfeita.com/propriedades-medicinais-tilia/

 

As propriedades medicinais da Passiflora

As propriedades medicinais da Passiflora

Passiflora ( Passiflora incarnata L.) – Uma planta americana contra o stress

Esta planta chamou a atenção dos europeus que viajaram até ao novo mundo, os quais julgaram ver, nos diversos órgãos das suas lindas flores, os instrumentos utilizados na paixão de Cristo: o azorrague, os cravos e o martelo. A passiflora foi introduzida na Europa e cultivada como planta ornamental, até que, nos fins do século XIX, se descobriu que tinha um acentuado efeito sedativo sobre o sistema nervoso.


Propriedades e Indicações:

As flores e as folhas da passiflora contêm pequenas quantidades de alcalóides indólicos, flavonóides, diversos esteróis e pectina. Não se sabe bem a qual destas substâncias se deve a sua acção sedativa, antiespasmódica e soporífera, sendo mais provável que se deva à combinação de todas elas. As suas principais indicações são:

Ansiedade, nervosismo, stress (1): a passiflora actua como um ansiolítico suave, sem risco de dependência ou viciação. É a planta ideal para os que se encontram submetidos a tensão nervosa. O Dicionário das plantas que curam, de Larousse, diz: “Um presente que nos vem do antigo império dos Astecas, a passiflora parece ser a planta de que a nossa civilização mais necessita.”

Insónia (1): Causa um sono natural, sem que se produza depressão ou sonolência ao despertar. Devido à sua falta de toxicidade, pode ser administrada às crianças.

Dores e espasmos diversos (1): A passiflora descontrai os órgãos abdominais ocos, cuja contracção causa dor de tipo espasmódico, ou cólica: estômago, intestino (cólica intestinal), vesícula e vias biliares (cólica biliar), vias urinárias (cólica renal) e útero (dismenorreia). Na prática, o seu uso é indicado em qualquer tipo de dor, incluindo as nevralgias.

Epilepsia (1): Como tratamento complementar, a passiflora permite diminuir a frequência e a intensidade das crises epilépticas.

Alcoolismo e dependência de drogas (2): Têm-se feito interessantes experiências, administrando passiflora durante os primeiros dias da cura de desabituação do álcool, da heroína e de outras drogas. Esta planta permite que o síndroma de abstinência seja mais bem tolerado e com menor repercussão física sobre o organismo. A sua acção sedativa faz que o alcoólico ou o toxicodependente suporte melhor o desejo de consumir a droga, e possa vencer a ansiedade causada pela falta da mesma. Nestes casos, é necessária a vigilância médica.

Os frutos da passiflora (os maracujás) são ricos em provitamina A, vitamina C e ácidos orgânicos. São refrescantes e tonificantes. Recomendam-se no caso de esgotamento físico e na convalescença de doenças febris ou infecciosas.


Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão: A forma mais conveniente de tomar a passiflora é a infusão de flores e folhas. Prepara-se com 20-30 g por litro de água, e deixa-se infundir durante 2 ou 3 minutos. Convém ingerir 2 ou 3 chávenas diárias, podendo ser adoçadas com mel, e mais uma antes de deitar, no caso de insónia.

2-Nas curas de desabituação do álcool ou das drogas, administram-se infusões mais concentradas (até 100 g por litro), adoçadas com mel. A dose é regulada segundo as necessidades do doente.


Fonte: http://saude-bemestar-beleza.solucaoperfeita.com/propriedades-medicinais-passiflora/

A Saúde pelas Plantas Medicinais, Vol.1, de Jorge D. Pamplona Roger

As propriedades medicinais da Alfazema

As propriedades medicinais da Alfazema

Alfazema (Lavandula angustifolia Miller) – De perfume requintado, tonificante e muito medicinal

Desde tempos muito antigos, a alfazema é utilizada como produto de beleza e de higiene. Durante o Império Romano, os patrícios e os cidadãos distintos acrescentavam alfazema à água dos seus sumptuosos banhos. O seu outro nome “lavanda” deriva do latim lavare (lavar).

As abelhas também gostam de desfrutar do requintado aroma da alfazema e, com o néctar das suas flores, fabricam um delicioso mel.


Propriedades e Indicações:

As sumidades floridas e as folhas da alfazema são muito ricas (1%-5%) num óleo essencial volátil, de composição muito complexa, formado por diversos álcoois terpénicos e seus ésteres. O mais importante deles é o linalol. Esta essência é responsável pelas suas variadas propriedades, que são as seguintes:

Sedativa e equilibradora do sistema nervoso central e vegetativo (1,2,3): Recomenda-se nos casos de nervosismo, neurastenia, enjoos, tendência para a lipotimia (desmaio), palpitações do coração e, em geral, em todos os casos de doenças psicossomáticas.

Digestiva (1,2,3): Tem uma acção antiespasmódica e algo carminativa (antiflatulenta) sobre o tubo digestivo, ao mesmo tempo que é aperitiva e ajuda a digestão. Devido a que a essência tem também efeito anti-séptico, dá muito bons resultados em caso de colite (inflamação do intestino grosso), especialmente quando há fermentação pútrida com decomposição das fezes e gases muito malcheirosos.

Anti-reumática e anti-inflamatória (4,7): Aplicada externamente, a água, o óleo, ou a essência de alfazema são muito eficazes para acalmar as dores reumáticas, quer sejam de origem articular quer muscular: dores artrósicas do pescoço ou das costas, artrite gotosa, torcicolos, lumbagos, ciáticas, etc. São também de grande utilidade em luxações, entorses, contusões e distensões musculares.

Anti-séptica e cicatrizante (5): A infusão de alfazema emprega-se para lavar úlceras e feridas infectadas, que ajuda a curar rapidamente. O óleo de alfazema alivia a dor nas queimaduras leves (de primeiro grau) e desinflama as picadas de insectos.

Relaxante e redutora da fadiga: Depois de marchas prolongadas, de intenso exercício físico, ou quando se sente esgotamento, um banho com água quente e água ou essência de alfazema ajuda a activar a circulação e a eliminar a sensação de fadiga. Obtém- se um maior efeito se o banho for seguido de fricções (7) com um pano de lã embebido em água, óleo ou essência de alfazema.

Sedativa: O simples facto de aspirar o aroma da alfazema (4) exerce uma suave mas eficaz acção sedativa sobre o sistema nervoso central. É muito recomendável para crianças que dormem mal. Neste caso, dá muito bom resultado colocar umas gotas de essência de alfazema na almofada da cama ou num lenço próximo da cara.

Balsâmica (4): A essência emprega-se em inalações ou banhos de vapor para acelerar a cura das laringites, traqueítes, bronquites, catarros bronquiais e constipações.


Precauções

A essência de alfazema em uso interno deve-se usar com muita precaução, devido a que, em doses altas, pode produzir nervosismo e, inclusive, convulsões.


Preparação e emprego

Uso interno

1-lnfusão com 30-40 g de sumidades floridas e folhas, por cada litro de água. Tomar três chávenas por dia, adoçadas com mel, depois das refeições.

2-Extracto fluído: Ingerem-se 30 gotas, 3 vezes ao dia.

3-Essência: A dose habitual é de 3-5 gotas, duas ou três vezes por dia.

Uso externo

4-Essência de alfazema: Não são precisas mais do que algumas gotas aspiradas ou esfregadas sobre a pele, para se conseguir o efeito.

5-Lavagens e compressas: Emprega-se a mesma infusão utilizada para uso interno, embora se possa preparar mais concentrada. Lavar directamente com ela as úlceras e feridas, e embeber depois uma compressa que se coloca sobre a zona afectada, durante 15 a 30 minutos.

6- Fomentações quentes, que se preparam com infusão de alfazema ou adicionando algumas gotas de essência à água. Aplicam-se sobre o pescoço, as costas e os joelhos.

7-Loções e fricções: Podem-se fazer com umas gotas de essência, com óleo ou com água-de-alfazema.


Sinonímia científica: Lavandula officinalis Chaix, Lavandula vera DC.

Outros nomes: lavanda, lavândula. Esp.:  lavándula hembra, espliego. Fr.: lavande. Ing.: lavender.

Habitat: Terrenos calcários, secos e soalheiros do Sul da Europa. Espontânea no Centro e Sul de Portugal. Cultiva-se na Europa e na América, pela sua essência.

Descrição: Subarbusto de base lenhosa, da família das Labiadas, que mede de 15 a 60 cm de altura. As folhas são de cor verde acinzentada, estreitas e alongadas. As flores são de cor azul, pequenas e dispostas numa espiga terminal.

Partes utilizadas: Sobretudo as suas sumidades floridas, e também as folhas.


Obtenção do óleo e da água-de-alfazema

Óleo de alfazema: Dissolvem-se 10 g de essência em 100 g de azeite de oliveira e aplica-se como loção sobre a zona dorida. Também se pode preparar deixando 250 g de planta seca em maceração durante duas semanas em um litro de azeite, filtrando-o depois.

Água-de-alfazema: Dissolvem-se 30 g de essência num litro de álcool a 90°. Depois de deixar repousar a mistura durante 24 horas, passa-se por um filtro de papel e guarda-se em frascos bem vedados. Pode-se diluir com água, se se achar que está demasiado concentrada. Também se pode preparar deixando em maceração 250 g de sumidades floridas secas, num litro de álcool, durante duas semanas. Transcorrido este tempo, passa-se por um filtro de papel e guarda-se em frascos bem vedados.

Fonte: http://saude-bemestar-beleza.solucaoperfeita.com/propriedades-medicinais-alfazema/