É daquelas pessoas que têm tendência para se “ir abaixo” quando chega o Inverno? Se sim, é provável que sofra de depressão sazonal. As informações que se seguem poderão interessar-lhe.

Durante o período que antecede e que se segue ao solsticio de Inverno (21 ou 22 de Dezembro, conforme os anos), os dias são mais curtos e, muitas vezes, o sol brilha pela sua ausência. Esta falta de sol actua directamente sobre os pequenos seres solares que somos todos nós. Toda a gente é mais ou menos afectada pela falta de luz mas, em certas pessoas, este período cinzento provoca uma verdadeira depressão.

Calcula-se que entre 3 a 6% da população adulta nórdica é atingida por este tipo de depressão. Quanto mais afastado do equador, mais aumenta esta percentagem. No Alasca, por exemplo, cerca de 9% da população imerge em estado depressivo com a aproximação do Inverno.

As mulheres correm maior risco do que os homens de serem atingidas por este tipo de depressão. Uma questão de hormonas… Quanto às crianças, as estatísticas indicam que 2 a 6% das crianças com idades compreendidas entre 9 e 19 anos, sofrem esta doença, em diferentes graus.

 

Quais são os sintomas?

–  Estado de fadiga crónica.

–  Irritabilidade.

–  Dores de cabeça.

–  Dificuldades de concentração.

–  Redução da libido.

–  Falta de iniciativa.

–  Necessidade exagerada de sono.

–  Fome excessiva.

–  Tendência incontrolável para os doces.

Todos estes sintomas surgem sempre no mesmo período do ano, ou seja, durante os meses de Novembro, Dezembro e Janeiro.

 

Quais são os factores psicológicos?

–   A depressão sazonal pode facilmente ver-se agravada por ocorrências traumatizantes, tais como um luto, uma separação, a perda de um emprego, etc.

–   Estão também frequentemente ligados a estados depressivos: sentimento de culpabilidade, de melancolia ou de tristeza crónica, falta de auto-estima ou, pior, uma raiva dirigida contra si mesmo.

 

Como curar-se mais depressa

Em caso de depressão sazonal, o médico pode receitar um antidepressivo. Estes medicamentos são eficazes, mas provocam vários efeitos secundários. Trata-se, portanto, de um tratamento de último recurso.

 

Os melhores expedientes dos médicos

—► Experimente a fototerapia

Uma vez que a depressão sazonal resulta da falta de luz, tem boas hipóteses de recuperar a alegria de viver, se ultrapassar esta situação. Umas férias no Sul seriam o mais indicado, mas também pode trazer o sol a sua casa, graças à fototerapia.

Basta que se exponha diariamente a uma luz de largo espectro, de intensidade variando entre 2500 e 10000 Lux e que possa reproduzir fielmente a luz solar. Para além de ser eficaz (os estudos demonstram resultados positivos em 80% das pessoas afectadas, a fototerapia actua rapidamente e não provoca muitos efeitos secundários ou complicações.

As sessões processam-se a uma hora fixa e duram entre 30 minutos e 2 horas.

Para maior eficácia, siga estas sessões de fototerapia de manhã.

O tratamento deverá durar entre 8 e 21 dias, consoante a gravidade da

depressão, mas 3 ou 4 sessões podem já revelar alguma melhoria.

Se é particularmente sensível à falta de luminosidade, pode contrariar a depressão fazendo uma cura de 10 sessões no princípio do Inverno, logo que os primeiros sintomas comecem a manifestar-se.

Existem já algumas clínicas que oferecem um serviço de fototerapia. Pergunte ao seu médico assistente quais são as clínicas mais próximas do sítio onde vive.

Se não tem a possibilidade de se deslocar diariamente a uma clínica, pode arranjar uma lâmpada portátil e seguir a fototerapia no domicílio. Estas lâmpadas são fabricadas por diversas empresas, que poderá encontrar através da Internet. Para procurar, utilize as palavras-chave seguintes: perturbações afectivas sazonais, lâmpada de largo espectro, “seasonal affective disease” ou “SAD”, “light boxes”.

—► Pratique exercício físico ao ar livre

O Dr. Andrew Weil considera que, depois da fototerapia, o exercício físico praticado ao ar livre representa o tratamento mais eficaz para combater a depressão sazonal.

Faça exercícios a meio do dia e, de tempos a tempos, posicione-se em frente ao sol por um momento – mas sem o olhar directamente.

 

A melhor planta

—► Hipericão (Hypericum perforatum)

John Ott e Norman Rosenthal não hesitam em recomendar o uso de hipericão em caso de depressão sazonal. Além disso, vários estudos importantes demonstraram a eficácia desta planta.

Contrariamente aos antidepressivos farmacêuticos, o hipericão não apresenta praticamente quaisquer efeitos secundários indesejáveis.

Utilização: A dose normalmente recomendada para um adulto que sofra de depressão sazonal fraca a moderada é de 300 mg de extracto de hipericão (3% de hiperina), 3 vezes por dia. São necessárias, pelo menos, 6 semanas para que o alívio se faça sentir.

 

Pode-se combinar o hipericão com a fototerapia?

O hipericão provoca, no indivíduo que o consome, uma fotossensibilização que pode traduzir-se no aparecimento de manchas cutâneas, se se expuser aos raios ultravioletas. Estes raios não fazem, no entanto, parte do espectro luminoso que é emitido pelas lâmpadas utilizadas no tratamento da depressão sazonal.

Segundo o Dr. Andrew Weil, não haverá, portanto, qualquer risco em combinar o hipericão com a fototerapia.

 

O melhor suplemento

A melatonina, denominada a hormona do sono, é produzida pela glândula pineal, uma pequena glândula particularmente sensível à luz. Quanto menos luz receber esta glândula, mais melatonina produz.

Durante os sombrios meses do Outono e do Inverno, segregamos, assim, mais melatonina, o que pode conduzir a um estado depressivo, quando se é muito sensível a tal flutuação.

Paradoxalmente, certos estudos demonstraram que, em determinadas pessoas, a administração de suplementos de melatonina pode atenuar os sintomas. Por outro lado, também pode acontecer que o suplemento venha a provocar exactamente o efeito inverso.

Uma vez que a administração de melatonina não comporta quaisquer efeitos secundários negativos, pelo menos a curto prazo, o Dr. Andrew Weil sugere simplesmente que se faça a experiência.

Utilização: 1 g por dia, à noite ao deitar, durante o período de tempo recomendado pelo farmacêutico.

 

As melhores soluções psicológicas

—► Em estado de auto-hipnose (ver o capítulo 32), repita as afirmações seguintes:

–  Eu vivo na luz.

–  O meu coração abre-se à luz. Pode repetir compassadamente estas afirmações benéficas, nos seus passeios exteriores, à luz do dia.

—► Experimente igualmente a visualização seguinte:

  1. Instale-se num local bem iluminado, com o rosto virado para a luz.
  2. Feche os olhos. Visualize o astro solar que brilha com toda a intensidade, bem alto lá no céu.
  3. Veja como os seus raios descem até si, envolvendo-o em luz. “Inspire” esta luz, para impregnar com ela cada uma das suas células.
  4. Ao expirar, visualize as grossas nuvens cinzentas que se afastam,
    dissipando-se na luz.
  5. Abra os olhos e sorria à vida.

 

Como prevenir a depressão sazonal?

  • Adquira o bom hábito de tomar ar pelo menos uma hora por dia, e um pouco mais tempo nos dias cinzentos. De tempos a tempos, volte-se para o céu para captar mais luz. Evite, contudo, olhar o sol de frente, para não afectar os olhos.
  • Procure habitar num espaço luminoso. Se necessário, mande colocar mais janelas na sua casa. Paredes de cores pálidas, bem como alguns espelhos colocados em locais estratégicos, permitem aumentar imediatamente a luminosidade de um espaço.

 

Faça ao menos isto:

–  Experimente a fototerapia.

–  Pratique exercício físico ao ar livre.

–  Tome hipericão.

 

De Glossário das Doenças, do Livro O FACTOR X – Como curar-se mais depressa, de ROBERT DEHIN & JOCELYNE AUBRY, Publicações Prevenção de Saúde.