Glossário das Doenças

Depressão

A depressão é uma doença muito corrente. Em maior risco de serem afectados por esta perturbação estão as mulheres ou os artistas – ou os dois, em simultâneo – dada a sua maior sensibilidade. No entanto, tal não deve ser motivo de preocupação excessiva: mais vale ser sensível – apesar do facto de se perder o equilíbrio de vez em quando – do que passar pela vida sem nada sentir. Dito isto, outros factores, para além da sensibilidade, podem igualmente entrar em linha de conta.

Todavia, de uma maneira ou de outra, é sempre possível curar uma depressão –  sem psicanálise e sem medicamentos, como afirma o psiquiatra David Servan-Schreiber, especialista em neurobiologia dos sentimentos.

 

Quais são os sintomas?

No adulto:

–  falta de energia e de entusiasmo,

–  irritabilidade, agressividade,

–  pensamentos suicidas,

–  tristeza,

–  insónia ou excesso de sono,

–  dores de toda a espécie (enxaquecas, dores de costas ou de estômago, dores articulares e musculares, etc).

 

Na criança:

–  sono agitado, pesadelos,

–  choro sem razão aparente,

–  perda de apetite,

–  agressividade e irritabilidade,

–  tendência para o isolamento,

–  perda de confiança em si mesmo.

 

E no adolescente:

–  humor particularmente variável,

–  falta de interesse pelo que antes o interessava,

–  tendência para o isolamento,

–  indiferença quanto à aparência,

–  perda de confiança em si mesmo,

–  tendência bulímica ou anoréctica,

–  excesso de sono ou, inversamente, crises de insónia.

NOTA: Aproximadamente 5% das crianças e dos adolescentes vivem episódios depressivos.

 

Quais são as causas físicas?

–  Ingestão de medicamentos.

–  Carências nutritivas.

–  Doenças físicas (afecções da tiróide, hipoglicemia, etc.)

–  Hereditariedade.

–  Parto (10 a 12% das mães recentes sofrem de depressão pós-parto).

–  Menopausa e andropausa.

 

Quais são os factores psicológicos?

Inconscientemente, adoptamos muitas vezes os comportamentos dos nossos pais. Nas crianças e adolescentes, uma situação familiar penosa, um divórcio, um luto, um pai ou uma mãe depressivos, dificuldades de aprendizagem, de atenção ou de comportamento são outros factores possíveis. Um motivo aparentemente inócuo para um adulto pode também ter a sua influência. A perda de um animal, por exemplo, um conflito com os amigos ou uma reprimenda de um professor são, por vezes, o suficiente para desencadear um processo depressivo.

 

Como curar-se mais depressa

Se o leitor se sente deprimido há já um certo tempo sem conseguir ultrapassar a situação, não espere mais para consultar um médico. A depressão é um círculo vicioso, no qual é fácil mergulhar.

O médico começará então por tentar determinar se a depressão resulta de uma doença física (problema da tiróide, hipoglicemia, etc). Se não for esse o caso poderá receitar um antidepressivo e recomendar a psicoterapia. O recurso a antidepressivos pode ajudar a atravessar um período particularmente difícil. No entanto, é preciso cuidado! O tratamento medicamentoso de distúrbios do comportamento aplica-se, muitas vezes, em detrimento de outras abordagens, tais como a psicanálise ou a psicoterapia, abordagens essas que, no entanto, se revelam bastante úteis, senão mesmo indispensáveis, em muitos casos. Assim, portanto, antes de recorrer aos antidepressivos, porque não explorar a psicologia?

Por outro lado, é igualmente importante determinar se o médico de família será a pessoa mais indicada para o ajudar. Embora este possa receitar-lhe antidepressivos, o psiquiatra possui um melhor conhecimento acerca dos distúrbios nervosos e respectivos tratamentos.

 

Os melhores expedientes dos médicos

—► Não se isole

Se está deprimido, faça um esforço particular para manter contactos com os familiares ou os amigos. O simples facto de poder contar com uma pessoa prestável é, por vezes, o suficiente para restabelecer a esperança. Não hesite em confiar nos outros.

—► Pratique exercício físico

Segundo os especialistas, o exercício físico torna-se, muitas vezes, tão eficaz como a psicoterapia e os medicamentos para tratar a depressão. A verdade é que o exercício favorece a produção de substâncias euforizantes, como as endorfinas e a serotonina.

Além disso, ao desempenhar um papel activo na melhoria do seu estado, obterá um estado de satisfação que nenhum antidepressivo lhe pode proporcionar. Terá a sensação de que está a recuperar o controlo da sua vida, e é mesmo isso que se passa.

Para combater a depressão e prevenir uma recaída ainda mais profunda, bastam normalmente 20 minutos de exercícios cardiovasculares, 3 a 4 vezes por semana.

 

A melhor planta

—►Hipericão (Hypericum perforatum L.)

Na Alemanha, o hipericão é o produto mais frequentemente recomendado contra a depressão. São vendidas mais de 60 milhões de cápsulas por ano. O Prozac® posiciona-se muito atrás na lista de vendas.

Estudos científicos demonstram que, tal como o Prozac®, o hipericão permite prolongar a produção de serotonina, um neurotransmissor que acalma o cérebro, mas que as pessoas deprimidas têm dificuldade em metabolizar. Esta planta é adequada para todas as formas de depressão ligeira a média. Se tomar um antidepressivo do tipo SRI (Prozac®, Seropram®, Deroxat®, etc), pode progressivamente substituir o medicamento por hipericão. Fale do assunto ao seu médico.

Utilização:

Alguns estudos demonstraram uma melhoria de 61% com fracas doses (400 mg de extracto, ou seja, 1,2 mg de hipericina por dia) e de 75% com doses mais fortes (900 mg de extracto, ou seja, 2,7 mg de hipericina). O tratamento começa, geralmente, a fazer efeito ao fim de 3 ou 4 semanas.

Os melhores suplementos

—► Ácidos gordos omega-3

O Dr. Servan-Schreiber mencionou a “revolução dos omega-3” para descrever os extraordinários efeitos que os omega-3 exercem em várias doenças, incluindo a depressão.

Utilização:

A investigação tende a demonstrar que se obtém um efeito antidepressivo com 2 a 3 g por dia de uma mistura de dois ácidos gordos de peixe: o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexainoico (DHA). Contudo recentes estudos demonstram que a relação EPA/DHA deve ser de 7/1 ou seja 700 mg de EPA por 100 mg de DHA.

O Dr. Servan-Schreiber considera “preferível escolher um produto que contenha também um pouco de vitamina E para proteger o óleo contra a oxidação sempre possível que o tomaria ineficaz, ou mesmo nocivo.”

—► S-Adenosilmetionina

Há já uma vintena de anos que a S-adenosilmetionina é utilizada para tratar a depressão. Trata-se de uma substância orgânica que desempenha um papel chave na produção dos neurotransmissores, os quais asseguram o funcionamento do cérebro. Em princípio, o organismo produz toda a S-Adenosilmetionina de que necessita, mas uma falta de metionina, de folato e de vitamina B12 podem provocar a carência daquela substância. Alguns estudos de pequeno porte demonstraram que a administração de suplementos de S-Adenosilmetionina poderia ser eficaz contra a depressão.

Utilização:

A dose diária recomendada varia entre 600 mg e 1600 mg. distribuídos em 3 ou 4 tomas diárias. O tratamento pode ser iniciado com doses de 400 mg, a tomar 3 ou 4 vezes por dia.

Se o tratamento se revelar eficaz e não provocar efeitos secundários indesejáveis (ligeiros distúrbios digestivos), ao fim de algumas semanas, tome doses de 200 mg, 2 vezes por dia.

Em caso de efeitos secundários indesejáveis, a dose inicial deve ser reduzida, para aumentar depois progressivamente.

 

Outras boas alternativas

—► Alimentação

Tal como os ácidos gordos essenciais – como o EPA (ver acima) – as vitaminas C, B9 e BI2, o ferro, o magnésio, o zinco, etc. são elementos igualmente importantes para um bom equilíbrio mental.

Se a alimentação não for a mais adequada, o médico deverá pedir-lhe uma análise ao sangue para detectar uma eventual carência alimentar.

—► Homeopatia

Não soluciona a causa da depressão, mas ajuda a reencontrar o equilíbrio psíquico necessário para fazer face ao problema.

A fim de se obter melhores resultados, deve-se consultar um homeopata desde o início da depressão ou das crises depressivas.

—► Massagem

Graças à estimulação cutânea que ela proporciona, a massagem favorece a secreção de uma substância que ajuda a combater a depressão. Ao nível afectivo, o contacto com uma mão quente e reconfortante dá tranquilidade e acalma a ansiedade e a raiva. O corpo distende-se, a respiração torna-se mais profunda, o coração abranda e o espírito, fonte de todas as angústias, sossega.

Contacte um bom massagista ou peça a um amigo que se disponha a oferecer-lhe este pequeno alento.

—►Ioga

No Ioga, todos os exercícios são bons, mas os que aumentam a energia, entre os quais, designadamente, a saudação ao sol, são absolutamente benéficos.

 

As melhores soluções psicológicas

—► Primeiras medidas importantes:

Muitas vezes, a depressão constitui uma mensagem do inconsciente para incitar a pessoa à mudança. Assim, torna-se importante observar as circunstâncias que rodeiam o seu aparecimento.

Se a depressão resulta, geralmente, de um stress intenso (doença, divórcio, perda de emprego, nascimento de um filho. etc). ela pode igualmente surgir durante um período de estagnação (monotonia no casamento, rotina no trabalho, falta de interesse, etc).

Tanto num caso como no outro impõe-se um trabalho de introspecção, o qual deve ser empreendido o mais rapidamente possível. Quanto mais se tarda a reagir, mais difícil se torna sair da situação. Convém, por isso, munir-se de todas as armas para conseguir ultrapassá-la.

 

Algumas estratégias que poderão ajudar:

  • Ao acordar, procure encontrar uma boa razão para se levantar da cama. Quer sugestões? Vá ter com uma pessoa de quem goste, faça um passeio num belo jardim, ofereça a si própria um ramo de flores, vá ao cinema ver um bom filme, faça uma massagem, etc.
  • Talvez seja um bom momento para fazer umas férias, partir em viagem ou empreender uma actividade que o interesse já há muito, mas tem vindo sempre a protelar.
  • Se se sente sobrecarregado pelo trabalho (como acontece frequentemente com as jovens mães), peça ajuda (na preparação das refeições, a tomar conta de crianças, limpeza da casa, compras) a uma pessoa amiga ou a um serviço comunitário. Aproveite estes momentos de descanso para se restabelecer: dormir, fazer um pouco de exercício, passar mais tempo com a família ou com os amigos, etc.
  • Seja paciente no sofrimento. Normalmente, o tempo acaba por curar as feridas psicológicas.
  • Se costuma passar muitas horas diante da televisão, corre o risco de aumentar o estado de letargia. Em vez de se deixar “esmagar” diante do pequeno ecrã, faça um esforço por empreender algo de criativo.
  • Tente exprimir-se! Seja pela escrita, pela música, a pintura ou o desenho. Este processo pode ajudá-lo grandemente a identificar as causas profundas da sua depressão. Permite-lhe igualmente acabar com certos comportamentos obsessivos e certas vozes interiores.
  • Mantenha-se afastado daquele tipo de pessoas que passam o tempo a queixar-se. O que precisa é de energia positiva que lhe levante a moral.

 

Como prevenir a depressão

  • Uma alimentação saudável e variada, exercícios regulares e uma vida afectiva bem preenchida constituem os melhores antídotos para a depressão.
  • Numa situação difícil (luto, divórcio, violação, etc.), peça ajuda. Algumas consultas podem ser o suficiente para dar início a uma nova vida. Esta via é, de longe, preferível aos medicamentos.
  • Se toma medicamentos, informe-se sobre os seus efeitos secundários porque, a longo prazo, um grande número de medicamentos podem provocar estados depressivos.

 

Faça ao menos isto

–  Pratique exercício físico

–  Tome hipericão(Hypericum perforatum L.)

–  Insista nos ácidos gordos omega-3.

–  Recorra às massagens.

 

De Glossário das Doenças, do Livro O FACTOR X – Como curar-se mais depressa, de ROBERT DEHIN & JOCELYNE AUBRY, Publicações Prevenção de Saúde.