Os seténios

Os seténios

Os seténios

Seténios
Steiner descreve o ser humano sob alguns ângulos que tem efeito direto sobre a educação: a constituição humana e o desenvolvimento da personalidade em ciclos de 7 anos (setênios). 

A constituição Humana.
Para Steiner, o ser humano é constituído de três veículos de expressão: o corpo, as emoções e a mente.

A esses três veículos correspondem três funções: o querer, o sentir e o pensar. Todos esses aspectos precisam ser educados com a mesma atenção para a plena realização do potencial humano. Esse é o objetivo da Pedagogia Waldorf, e por isso ela desenvolveu atividades para cada um daqueles aspectos.
O corpo é educado por meio de atividades praticas como jardinagem, marcenaria, construção, ginástica, trabalhos manuais, entre outras. A educação do corpo, tal como é praticada nas escolas Waldorf, fortalece também o caráter da criança, pois desenvolve a sua força de vontade, criando nela qualidade como disposição para enfrentar dificuldades e perseverança.
As emoções são educadas por meio da arte: música, desenho, pintura, teatro, recitação, escultura e cerâmica. Por meio da expressão artística, são dadas muitas oportunidades para o refinamento da sensibilidade, harmonização de conflitos na área afetiva e interação social.
A mente é educada por meio da transmissão do conhecimento já adquirido pelo homem, de forma balanceada e adequada á idade do aluno. Nas escolas Waldorf busca-se cultivar o sentimento de admiração que as crianças tem em relação à natureza e ao mundo como forma de manter vivo o seu interesse em aprender. A arte e atividades práticas são também instrumentos a serviço das matérias acadêmicas.Com a educação integrada de todos os aspectos do seu ser, a criança aprende a não dissociar seus pensamentos e sentimentos às ações. Torna-se um adulto equilibrado e coerente.

Seténios

Seténios

Os setênios
         É de conhecimento geral algumas crises básicas na biografia humana: aos 7 anos, a troca dos dentes; aos 14, a puberdade; aos 21, a maioridade. Aprofundando a observação dos períodos delimitados por essas crises, Steiner percebeu a qualidade essencial de cada um deles.
         Os primeiros 7 anos de vida são dedicados ao conhecimento do corpo, seus limites e capacidades. A aprendizagem nesse período é realizada principalmente por vias inconscientes, baseada na imitação. A criança estrutura suas experiências por meio de brincadeiras que brotam de sua imaginação. A virtude básica que a criança precisa ver manifestada ao seu redor é a gratidão pela vida. O mundo é bom!
         Dos 7 aos 14 anos, os sentimentos estão se consolidando. É de suprema importância, nessa fase, as atividades artísticas. São então criadas as bases para o comportamento ético: o sentimento de fraternidade para com os semelhantes e de reverencia em relação aos mistérios da natureza. A virtude básica que a criança precisa ver manifestada ao seu redor, nessa fase, é a beleza. O mundo é belo!
         Dos 14 aos 21 anos, os pensamentos e a visão pessoal do mundo são estruturados de forma mais abstrata. Surgem perguntas existenciais. A virtude básica que o adolescente precisa perceber ao seu redor é a sinceridade da busca dos que o rodeiam. O mundo é verdadeiro!
Fonte: Pólen Jardim Escola – Belo Horizonte/MG
Postado por Isabel Pato

Escola, a quanto obrigas!

A Escola Tradicional só interessa uma quantidade limitada de talentos humanos.

escola

O sistema em que estamos inseridos começa a instalar-se na vida de cada um desde que nascemos.

Hoje em dia, esta inserção começa cada vez mais cedo, pois a partir dos 5 meses de nascimento, a mãe já tem de cumprir com o seu dever laboral, deixando assim, a criança ao cuidado de familiares, se por acaso há alguém disponível na família para cuidar da criança enquanto a mãe está fora, ou então ao cuidado das instituições que estão aptas para receber bebés, e mais tarde, transitam para a escola.

Até parece tudo normal e aceite, pela normose em que se está inserido… Parece porque as consequências deste atos, feitos em nome do amor pelo filho, só começam a demonstrar os efeitos colaterais mais tarde, bem mais tarde, na fase da adolescência, isto se entretanto e até lá, não se administre nenhuma droga química para calar a voz da insatisfação da juventude.

A meu ver, hoje as crianças são abandonadas pelos pais, e colocadas nas mãos de um sistema que pretende criar, não uma sociedade baseada no amor e respeito pela individualidade de cada um, mas sim clones, ou bonecos, formatados para servir o sistema, em vez de criar um sistema para servir a humanidade.

Somos educados para ser escravos remunerados, consoante o grau de formatação que conseguimos atingir.

A meu ver, precisamos reciclar a nossa mentalidade, pois perdemos a autoridade perante a educação das crianças.

Se tudo muda, constantemente, como pode uma forma de ensino manter se durante anos, fixa, sem que haja flexibilidade de ideias e comportamentos?

É natural que as crianças façam perguntas, e é mais lógico descobrir em que é que elas tem interesse, e o que elas querem descobrir, do que tentar forçar o interesse em matérias que elas não têm paixão para descobrir.

Escola

Dizem os especialistas que:

“Precisamos urgentemente de uma escola menos dogmática e burocrática e de um ensino mais compatível com o cérebro, de forma a incentivar o pensamento criativo e a inteligência dos alunos, em vez de se satisfazer com aprendizagens apressadas e fragmentadas, feitas à custa da capacidade de memorização dos alunos.” (Nelson Lima, neuropsicólogo e investigador do Instituto de Inteligência)

“Devem ser os alunos a propor os raciocínios e a descobrirem as soluções sem recorrer ao professor.”;
“Está esgotado o modelo das aulas muito expositivas e da ditadura dos manuais, devendo intensificar-se um ensino mais experimental, com os alunos a serem agentes da sua própria aprendizagem.” (Professores e Alunos, in Visão de 22/06/06)

Já há algum tempo que se vem a notar o desinteresse das nossas crianças no que diz respeito ao sistema de ensino, mas parece que ninguém quer escutar os gritos silenciosos desta geração que nasceu numa altura em que surge uma nova Era.

É preferível denominá-las de hiperativas, sedá-las com algo que as acalme, do que tentar perceber que cada uma delas é um ser individual que tem o seu ritmo, os seu interesses, e a sua forma de estar.

Resolver-se-ia este problema, se essa individualidade fosse respeitada.

Se em vez de se fazer reformas de ensino, que além de saírem dispendiosas, e uma grande perda de tempo, se instituísse um modelo de ensino que despertasse o interesse das crianças:

  • Que ensina a vontade de querer aprender, o entusiasmo de conhecer e saber coisas novas.
  • Que apoia as crianças para que felizes, cresçam intelectual, emocional, social e fisicamente;
  • Que respeita a individualidade de cada criança.
  • Que promove o envolvimento dos pais, familiares e restante comunidade escolar no processo educativo das crianças.
Escola

Brincar

Este sistema já existe. E já há escola a funcionar com este sistema de ensino.

Chama-se Pedagogia Waldorf, que leva em conta as diferentes características das crianças e adolescentes segundo sua idade aproximada. O ensino é dado de acordo com essas características: um mesmo assunto nunca é dado da mesma maneira em idades diferentes.
A Pedagogia Waldorf nasce na sequência do movimento cultural criado por Rudolf Steiner no início do séc.XX, chamado Antroposofia, que significa a sabedoria do homem enquanto ser composto por corpo, alma e espírito.
Uma escola livre, de auto gestão, que aceita crianças de todos os estratos sociais e se inspira nas três máximas da revolução francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.

E muito em breve, irá surgir uma nova alternativa aos sistemas de ensino que todos conhecemos.

A Fundação António Shiva está numa fase de criar o próprio sistema de educação, baseado no novo pardigama, na nova era e principalmente no amor incondicional para todos, independentemente de credos, raças ou classe social.

Isabel Pato

As crianças e a Hiperatividade!

As crianças e a Hiperatividade!

As crianças e a Hiperatividade!Criança hiperativa

As crianças sensíveis estão entre nós por toda a parte, são os nossos filhos, sobrinhos, filhos de amigos ou alunos. São muito ativas, olhar penetrante, alegres e profundas. Falam coisas que, muitas vezes, parecem não ter qualquer conexão com nossa vida quotidiana. São como lembranças de uma rica vida interior, fluindo para o dia a dia. E elas vieram com uma missão: ajudar a transformar e reorganizar a nossa sociedade confusa. Elas estão aqui para nos lembrar que os grandes mestres da Humanidade que aqui já estiveram, nos deixaram os mais variados mapas do caminho a percorrer para encontrar a harmonia dentro de si.

 

Essas crianças  chegam como um alerta:

“Parem um pouco, questionem os seus hábitos, acalmem-se, respirem… Vamos nos ajudar a praticar os valores eternos que temos dentro de nós”.

Numa sociedade hiperativa como a nossa, essas crianças são tidas como desajustadas. Claro, estamos fornecendo o alimento errado para as suas doces almas.

O alimento que precisam, para não adoecerem, não é o vídeo-game, a televisão, o computador ou a comida fast-food. Elas precisam do tempo dos seus pais para passear de mãos dadas no parque, observar o pequeno mundo mágico dos insectos, que sobrevive no meio do concreto e ter tempo livre para olhar as nuvens no céu.

Na verdade, elas vieram para nos redimir. Para nos fazer lembrar que somos seres perfeitos por herança divina. Na verdade, não são elas as hiperativas: somos nós.

Suas almas apenas anseiam por retomar o contato com os ensinamentos mais profundos que já tiveram contato e se sentem incomodadas quando não são colocadas num ambiente adequado, com um conhecimento superficial da existência humana, que nada lhes acrescenta. Sem contato com a Natureza, sem carinho e atenção que necessitam no dia a dia, com excesso de estímulo electrónico, sem poderem se expressar artisticamente através da música ou da arte, enfim, sem poder exercer sua espiritualidade no quotidiano, sentem-se tolhidas na sua grandeza. Como queremos que elas se comportem bem?

Não compreendemos que para acalmá-las, devemos oferecer a elas a simplicidade de uma vida equilibrada. Permitir que elas possam brincar com objetos simples, estar em sintonia com os elementos da Natureza e com a sua própria natureza. Elas precisam viver de acordo com seu ritmo infantil e não ao ritmo acelerado e stressante do universo adulto atual. E precisam ser preservadas de conteúdos que a despertem para o consumo, violência e para uma sexualidade precoce.

Nós todos somos, como sociedade, responsáveis por elas. Necessitamos alimentá-las do exemplo de vida dos grandes santos, nossos verdadeiros heróis, que nos ensinam sobre como viver nesse mundo, mantendo uma vida permeada de virtudes e valores. As crianças sensíveis anseiam por uma reconexão com a vida maior, que flui dentro de todos nós. Elas querem ir muito além de uma vida materialista e vazia, querem se sentir seguras, confiantes e felizes.

Querem ser tratadas na sua individualidade única e na sua universalidade intrínseca, e não como seres nascidos produzidos em massa. Elas estão sedentas do conhecimento maior que vem do contato com o mundo espiritual. E o que nós adultos fazemos com ela?

Queremos que fiquem quietas, usando a droga dos electrónicos e rotulamos levianamente essas crianças de hiperativas. Quando não fazemos pior, dando remédios à base de ritalina para acalmá-las.

Drogamos essas crianças, como fazemos com a nossa criança interior, quando ela pede calma, atenção e aconchego. Não compreendemos a grandeza da missão que elas e todos nós temos. Não percebemos que essas crianças vieram para nos ensinar que todos precisamos de tempo, paz, amor e proteção.

No fundo, tudo que essas crianças estão desesperadamente nos pedindo é amor. Só o amor pode ser a chave para a compreensão do seu universo e ela compreenderá tudo que nós adultos dissermos a ela. Mas sem essa chave, nada e ninguém poderá penetrar em seu mundo. Elas podem se tornar autistas, agitadas ou portadoras de doenças graves.

Mas como oferecer isso, se nós adultos não sabemos o que é a paz e como estabelecer o contato com ela?

E é aí, neste ponto, que nossa sociedade deve parar e refletir.

Para dar o amor altruísta, calmo e seguro que elas precisam, necessitamos estar em paz conosco mesmos, com a comunidade ao nosso redor, pois o amor é como uma onda gigantesca, adormecida dentro de nós, que nos envolve totalmente quando permitimos que ele se manifeste, nos dando um tempo para simplesmente observar e analisar nossa existência. Quando permitimos despir a capa do ego e olhar para dentro da alma. Quando deixamos fluir o que somos em essência, o que já está perfeitamente pronto, dentro de nós. Precisamos apenas tirar os véus que o recobrem: a pressa, o egoísmo, a ansiedade, a irritação, a vaidade, a ambição… quantos véus inúteis para nossa felicidade.

Esse caminho de volta para nós mesmos é possível através da meditação, um dos únicos que realmente pode nos mostrar onde está a porta para essa estrada luminosa do amor, que nos levará à compreensão total desses seres divinos, que podem ser nossos filhos, filhos de amigos, nossos alunos, não importa. Todos somos responsáveis pela felicidade das crianças do planeta.

Fonte: www.antroposofy.com.br/forum/sociedade-hiperativa-criancas-hiperativas/

 

O QUE UMA CRIANÇA DEVE SABER AOS 4 ANOS?

O QUE UMA CRIANÇA DEVE SABER AOS 4 ANOS?

4 anos

Nesse mundo contemporâneo, ter, ser, saber, parecem fazer parte de uma competição. Nesse mundo, alguns pais e algumas mães acabam acreditando que é preciso que seus filhos saibam sempre mais que os filhos de outros. E isso sim seria, então, sinal de adequação e o mais importante: de sucesso.

O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade? Essa foi a pergunta feita por uma mãe, em um fórum de discussão sobre educação de filhos, preocupada em saber se seu filho sabia o suficiente para a sua idade.

Segundo Alicia Bayer, no artigo publicado em um conhecido portal de notícias americano – The Huffington Post –, o que não só a entristeceu, mas também a irritou, foram as respostas, pois ao invés de ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar.

Para contrapor às listas indicadas pelas mães (em que constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome, saber contar até 100), Bayer organizou uma lista bem mais interessante para que pais e mães considerem o que uma criança deve saber.

Vejam alguns exemplos abaixo:

– Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.

– Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.

– Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.

– Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.

– Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.

– Deve saber que o mundo é mágico e ela também.

– Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.

– Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:

– Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.

– Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.

– Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.

– Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.

– Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam da Nintendo, dos computadores, das atividades extra escolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de 4 anos?

Muito menos do que pensamos e muito mais!

 

Fonte:  http://www.antroposofy.com.br/forum/filhos-que-sabem-mais/

Postado por Isabel Pato – Colaboradora

DORES E ALEGRIAS

DORES E ALEGRIAS

DORES E ALEGRIAS

Rudolf Steiner

 

Dores e Alegria

“Os prazeres e alegrias nos acontecem na vida como algo que nos é dado pela sábia direção dos mundos, sem a nossa participação. Algo que temos que receber como uma graça e algo do qual devemos reconhecer que está determinado para nos colocar dentro do cosmo todo.  Então, enquanto através das dores e sofrimentos chegamos a nós mesmos e nos tornamos mais perfeitos, através de nossos prazeres e alegrias desenvolvemos, mas só se os tomamos como graças, aquele sentimento que só pode ser caracterizado como um sentimento de um repousar inefável nos poderes divinos e forças do Cosmo. E a única atitude correta perante os prazeres e alegrias é a gratidão. Ninguém se relaciona corretamente com os prazeres e alegrias, sem as horas solitárias do auto conhecimento...”

Rudolf Steiner

 

Quem olha para o seu destino com sentimentos despreconceituosos, como se tivesse querido as suas dores, experimenta algo muito particular quando observa seus prazeres e alegrias. Ele não se concilia com estes últimos, como com seus sofrimentos. Para nós é fácil achar consolo no sofrimento, e quem não acredita nisso tente se aprofundar . Mas é difícil se conciliar com alegrias e prazeres. Se alguém quiser se interiorizar profundamente no estado de ânimo de ter querido seus sofrimentos, ele não poderá deixar de se sentir profundamente envergonhado se projetar isso para seus prazeres e alegrias.

Ele experimentará um correto sentimento de vergonha e esse sentimento de vergonha não poderá ser superado a não ser que se diga: não gerei meus prazeres e alegrias por meio do meu próprio Carma! Esta é a única cura, do contrário o sentimento de vergonha poderá ser tão intenso que nos destrua a alma. A única cura está em não se supor mais esperto, pelo fato de ser levado para as alegrias. Com este pensamento se percebe que assim é, pois com este pensamento o sentimento de vergonha desaparece.

Os prazeres e alegrias nos acontecem na vida como algo que nos é dado pela sábia direção dos mundos, sem a nossa participação. Algo que temos que receber como uma graça e algo do qual devemos reconhecer que está determinado para nos colocar dentro do cosmo todo. Os prazeres e alegrias devem agir de tal forma em nós nos momentos festivos da vida, nas horas solitárias, como uma graça. Uma graça das potestades, todas do Cosmo, que querem nos acolher em si.

Então, enquanto através das dores e sofrimentos chegamos a nós mesmos e nos tornamos mais perfeitos, através de nossos prazeres e alegrias desenvolvemos, mas só se os tomamos como graças, aquele sentimento que só pode ser caracterizado como um sentimento de um repousar inefável nos poderes divinos e forças do Cosmo. E a única atitude correta perante os prazeres e alegrias é a gratidão. Ninguém se relaciona corretamente com os prazeres e alegrias, sem as horas solitárias do auto conhecimento.

Se associarmos estes prazeres e alegrias ao nosso Carma, nos entregamos a um erro que enfraquece o espiritual em nós e nos paralisa. Cada pensamento de que os prazeres e alegrias são merecidos por nós, nos enfraquece e paralisa. Isso pode parecer duro, pois alguns gostariam, que da mesma forma que associam a sua dor com algo que foi desejado para si mesmo e como algo que lhes chegou através de sua própria individualidade, gostariam de se sentir senhores de suas alegrias e prazeres.

A observação comum da vida nos ensina que prazeres e alegrias tem algo de dissolvente. Nunca este elemento dissolvente do prazer e da alegria conseguiu ter sua melhor expressão do que no “Fausto” de Goethe, onde este elemento paralisante na vida humana se torna perceptível com as palavras: “Assim cambaleio eu dos apetites para os prazeres e nos prazeres anseio por apetites”.

Quem reflete um pouco sobre a influência do prazer, quando é tomado pessoalmente, perceberá que o prazer tem algo que nos leva a uma vida titubeante e dissolve a nossa individualidade. Mas isto não deve ser uma recomendação para nos submetermos a auto flagelação e para nos fixar com tenazes ardentes. Não deve ser assim. Mas o fato de reconhecermos corretamente uma coisa, não significa que tenhamos que fugir dela. Nós temos que aceitá-la tranquilamente, assim como ela nos aparece, mas temos que desenvolver o ânimo de que experimentamos como uma graça e quanto mais for assim, tanto melhor seremos capazes de penetrar no divino.

De forma que estas palavras não são ditas para predicar o ascetismo, mas para despertar o ânimo correto perante o prazer e a alegria.Não deve ser assim. Mas o fato de reconhecermos corretamente uma coisa, não significa que tenhamos que fugir dela. Nós temos que aceitá-la tranquilamente, assim como ela nos aparece, mas temos que desenvolver o ânimo de que experimentamos como uma graça e quanto mais for assim tanto melhor seremos capazes de penetrar no divino. De forma que estas palavras não são ditas para predicar o ascetismo, mas para despertar o ânimo correto perante o prazer e a alegria.

Quem afirmar que o prazer e a alegria tem algo de paralisante, dissolvente, por isso ele se afasta do prazer e da alegria o ideal do falso ascetismo, da auto flagelação, se afasta da graça que lhe é presenteada pelos Deuses. E no fundo, as auto flagelações dos ascetas, dos monges e das freiras, são contínuas rebeliões contra os Deuses. O certo é que nós sintamos as dores como algo que nos provém do nosso carma e que sintamos as alegrias como uma graça como uma inclinação do Divino para nós. O prazer e a alegria devem ser encarados como um sinal de quanto Deus se aproximou de nós, e a dor e os sofrimentos devem ser encarados como um sinal do quão longe estamos daquilo que temos de atingir como seres humanos.

Esta visão dá o ânimo fundamental perante o Carma, e sem esse ânimo fundamental perante o Carma nós não podemos em verdade progredir na vida. Temos que sentir que por trás daquilo que o mundo nos trás como bom, como belo, se encontram os poderes dos quais a Bíblia escreveu: “…e eles viram que ele era belo e era bom, o mundo ”. Mas enquanto nós precisarmos sentir o sofrimento e a dor, temos que reconhecer no decorrer das encarnações o que o homem fez no mundo, o qual era bom no começo e que ele deve melhorar enquanto ele se educa para uma enérgica tolerância das suas dores.

 

Fonte: http://www.antroposofy.com.br/forum/rudolf-steiner-dores-e-alegrias/

Postado por Isabel Pato

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