Efeitos Protectores do Resveratrol na Desmineralização Óssea

Efeitos Protectores do Resveratrol na Desmineralização Óssea

 

O risco de osteoporose aumenta à medida que a idade avança. Na altura da menopausa, as mulheres podem perder densidade óssea rapidamente durante vários anos. Depois disso, a perda abranda mas continua. Nos homens, a perda de massa óssea é mais lenta, porém, por volta dos 65-70 anos de idade, homens e mulheres, estão a
perder densidade óssea à mesma taxa.

A osteoporose ocorre devido a um desequilíbrio entre dois principais processos de remodelação do osso: a reabsorção e a formação óssea. Um importante elemento na patogénese da osteoporose é também a redução do aporte sanguíneo ao tecido ósseo,conduzindo à inibição da actividade osteoblástica e aumentando a actividade dos osteoclastos.

O resveratrol é uma molécula com capacidade de provocar o relaxamento dos vasos sanguíneos através do aumento da produção de óxido nítrico, permitindo um aumento de aporte sanguíneo ao osso. Deste modo, o resveratrol contribui para uma melhoria da actividade osteoblástica e uma diminuição da osteoclástica. Os dados que fundamentam esta evidência são suportados por um estudo realizado em ratos fêmea com ovariectomia que, 8 semanas após remoção bilateral dos ovários, desenvolveram disfunção endotelial dos vasos da microcirculação do tecido ósseo (provado pelo coeficiente de disfunção endotelial).

Posteriormente, a administração de resveratrol na dose de 2mg/kg produziu efeitos protectores do endotélio, impedindo a redução da microcirculação do osso do fémur, aumentando a largura das trabéculas ósseas (em média 45% em comparação com o grupo de osteoporose) e prevenindo a ocorrência de microfracturas. Conclui-se assim, que o resveratrol poderá apresentar vantagens na utilização como um protector da perda de densidade óssea.

O resveratrol liga-se aos receptores do estrogénio, activando o processo de síntese de matriz em genes sensíveis ao estrogénio. De acordo com esta propriedade, foi realizado um estudo em ratos fêmea com ovariectomia, em que se concluiu que o resveratrol actua como um agonista do receptor estrogénico. Além disso o resveratrol aumenta o grau de relaxamento muscular dependente da endotelina e, tal como o estradiol, previne o enfraquecimento ósseo. Deste modo, o resveratrol é um forte candidato na terapia de protecção contra a perda óssea induzida pela deficiência em estrogénio.

Da realização de mais um estudo, demonstrou-se que a ingestão diária de resveratrol em animais reduziu o turn over ósseo e reverteu a perda óssea. Observou-se ainda que a administração de doses mais elevadas de resveratrol (45 mg/kg/dia) é mais eficaz em diminuir, o aumento induzido por ovariectomia, do turn over ósseo (na reabsorçãoóssea, especificamente) do que a dose mais baixa.

Em conclusão, a ingestão de resveratrol deverá ser considerada, de forma preventiva, para melhorar a saúde do osso, em detrimento de uma abordagem curativa. Segundo Tresguerres et al., o resveratrol é capaz de aumentar a microestrutura do osso e as suas propriedades mecânicas, em ratos masculinos velhos, sugerindo que o resveratrol poderá ser utilizado na terapia antienvelhecimento para resistir à perda de massa óssea induzida pela idade.

De acordo com ensaios in vitro, utilizando células de tecido ósseo, o resveratrol possuí um papel importante na manutenção do equilíbrio entre os processos de formação e degradação do osso. Este é capaz de estimular os osteoblastos a produzir
novas células ósseas através da activação de factores de transcrição específicos do osso e inibe a actividade dos osteoclastos através da inibição da translocação nuclear do NFκB de forma tempo- e concentração-dependente.

A equipa de investigadores do Aarhus University Hospital (A.U.H.), na Dinamarca, conduziu um ensaio clínico, em humanos com síndrome metabólico, em tratamento com resveratrol. Este estudo é aleatório, duplo cego, controlado por placebo e pretende avaliar os efeitos ósseos produzidos através da administração oral de 1g ou 150mg de resveratrol ou placebo, durante 16 semanas. Neste estudo pesquisou-se alterações nos marcadores de remodelação óssea, na densidade mineral óssea e na geometria óssea.

Da realização deste estudo conclui-se que a dose mais elevada de resveratrol administrada afecta positivamente o osso, primeiramente através da estimulação da formação ou da mineralização óssea. Observou-se que a fosfatase alcalina do osso (BAP), um indicador da actividade osteoblástica, aumentou de forma dose-dependente com o resveratrol, a densidade mineral óssea volumétrica trabecular também aumentou de forma dosedependente, estando os níveis de BAP directamente relacionados com a densidade mineral óssea volumétrica trabecular. Na densidade mineral óssea da anca não foram observadas alterações consistentes.

Assim, estudos futuros, de maior dimensão com populações em risco de desenvolvimento de osteoporose, serão necessários para confirmar estes resultados.

Fonte: O RESVERATROL COMO MOLÉCULA ANTI-ENVELHECIMENTO, Andreia Catarina Lopes Alves,  Faculdade de Ciências e Tecnologias da Saúde da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 2015

Nota:

A informação contida nesta página, não substitui a opinião de um técnico de saúde. Para um acompanhamento mais personalizado contacte as Terapias Online, ou,  Há sempre uma solução perfeita na Casa Escola António Shiva.

Resveratrol

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