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EM QUE CONSISTE A SOBREALIMENTAÇÃO?

 “…a sobrealimentação reina em todas as camadas da população.”

Concretamente, o homem sobrealimenta-se de duas maneiras dife­rentes que podem acontecer em simultâneo: ou porque come dema­siado amiudadamente, ou porque come demais de cada vez que se alimenta. Para além das refeições principais, algumas pessoas conso­mem, nos períodos de descanso por volta das 10 e das 16 horas, alimentos que são considerados “extras”, mas que, com frequência, são tão ricos quanto as grandes refeições. Estas pessoas, em vez de fazerem três refeições por dia, acabam por fazer sete ou oito. As bolachinhas, os pastéis, as sanduíches, os chocolates ou outras gulo­seimas representam uma parte importante da carga alimentar diária.

Na segunda forma de sobrealimentação, não é necessariamente o volume dos alimentos que interessa, mas a sua concentração em subs­tâncias nutritivas. São demasiado ricos, demasiado calóricos.

As refeições, em vez de se consumirem cerca de 70% de alimentos “ligeiros” (saladas, alimentos crus, legumes cozidos, fruta) e cerca de 30% de alimentos “concentrados” (carne, queijo, ovos, cereais, ma­térias gordas), as proporções invertem-se. O essencial da refeição é composto pela carne, os molhos gordos e outros, enquanto a quanti­dade de legumes e fruta é extremamente discreta. Em certas ocasiões, temos até a sensação de que estes desempenham um papel meramente decorativo. Na Suíça, por exemplo, a sobrealimentação reina em todas as camadas da população. Embora as necessidades reais de um adulto se situem à volta de 2400 calorias por dia, cada suíço consome, diariamente, cerca de 3400 calorias.

A sobrealimentação esgota o organismo e sobrecarrega-o de resíduos.

 

A sobrealimentação específica

Na sobrealimentação global, o indivíduo come de tudo em quan­tidades demasiadas. Na sobrealimentação específica, consome-se um só tipo de alimento em doses superiores àquelas que o corpo pode digerir e utilizar correctamente.

Aqui, voltamos a encontrar todos os inconvenientes enumerados a respeito da sobrealimentação global, juntando-se, ainda, os inconve­nientes próprios dos alimentos consumidos em excesso. Actualmente, são três os alimentos principalmente incriminados: o açúcar, a carne e as gorduras.

 

A sobrealimentação provocada pelo açúcar

A digestão dos alimentos ricos em glúcidos, como a fruta, os cereais, o pão, as batatas, o açúcar refinado, as guloseimas, a marme­lada, etc, fornecem a glucose, que é um carburante com o qual o organismo funciona.

Para se transformar em energia, a glucose passa por duas fases metabólicas: uma fase anaeróbia (em ausência do oxigénio) e uma fase aeróbia (em presença do oxigénio). Na fase anaeróbia, sob a acção de diferentes enzimas, a glucose transforma-se sucessivamente em ácido cítrico, alfacetoglutárico, pirúvico, succínico, fumárico, málico, oxaloacético e, finalmente, em ácido láctico. Estes diferentes ácidos designam-se por metabolitos intermediários tóxicos (MIT).

Na fase seguinte, aeróbia, os MIT são oxidados, libertando, desse modo, a energia necessária ao corpo. Os restos desta última transfor­mação são a água e o gás carbónico, ambos fáceis de eliminar.

Mas, quando existe uma sobrealimentação em glúcidos, o corpo recebe mais glucose do que a que pode transformar. Em vez de con­duzir à produção de energia, a degradação da glucose interrompe-se num dos estádios da fase anaeróbica. Mesmo que se trate do estádio de ácido pirúvico ou málico, os metabolitos intermediários são resí­duos e, para mais, resíduos tóxicos, com os quais o organismo se vai envenenar.

A presença destes MIT deteriora o terreno de múltiplas maneiras. O sangue e a linfa perdem a sua fluidez, diminuindo assim a veloci­dade da circulação e das trocas, provocando o congestionamento dos órgãos.

As mucosas dos órgãos e as paredes das células são agredidas e feridas, o que as torna mais vulneráveis. Certo número de reacções bioquímicas não poderão ocorrer, devido à modificação do pH do meio interno. Perde-se cada vez mais o equilíbrio ácido do terreno, e o corpo esgota-se na cedência das suas bases minerais de reserva, para neutralizar o excedente de acidez.

Quanto mais importante for a quantidade de glúcidos consumidos, ou maiores forem as carências do corpo em vitaminas e oligoelementos necessários para a activação das enzimas implicadas na degradação da glucose, maior risco corre de ser interrompida a transformação da glucose no estádio anaeróbico, produtor de MIT.

Portanto, a glicose dos alimentos ricos em vitaminas e oligoele­mentos, como a fruta e os cereais integrais, metaboliza-se muito melhor do que a que procede de alimentos pobres nessas substâncias, ou seja, os alimentos refinados. Os açúcares refinados, quer sejam brancos ou amarelos, os cereais refinados (arroz branco, massas brancas, farinha branca) são grandes produtores de MIT. O consumo de alimentos confeccionados a partir de farinha branca, ou que contêm açúcar branco, aumenta inquietantemente. O consumo de pão branco generalizou-se, e o consumo anual de açúcar refinado, por habitante, aumentou de 5 kg, no início do século, para mais de 40 kg, em 1984 (na Suíça).

Por conseguinte, um consumo excessivo de glúcidos é nefasto, sobretudo quando se trata de alimentos que contêm açúcar refinado: bombons, chocolate, pastelaria, sanduíches, marmeladas, limonadas industriais (contêm 100 g de açúcar por litro), iogurtes (16 g de açúcar por cada 100 g)… tudo isto, sem esquecer, ainda, o açúcar com que se tempera o café, o chá ou as tisanas.

A sobrealimentação de proteínas

Os alimentos ricos em proteínas, como a carne, o peixe, o queijo, os ovos, os cereais e os legumes, proporcionam ao organismo os ácidos aminados indispensáveis ao crescimento e à substituição das células deterioradas. Contudo, as necessidades diárias de proteínas são estritamente determinadas e pouco elevadas. Todas as proteínas que se ingerem em excesso devem ser decompostas e eliminadas, porque a capacidade que o organismo possui de acumular aminoácidos é nula. A decomposição das proteínas origina três tipos de resíduos muito tóxicos: o ácido úrico, o amoníaco e os ácidos cetónicos. O corpo é capaz de decompor o amoníaco e os ácidos cetónicos, transformando-os em substâncias menos tóxicas, como a ureia, por exemplo, que elimina através dos rins e das glândulas sudoríparas; mas, em troca, é incapaz de neutralizar o ácido úrico.

Quando os alimentos proteicos se consomem em quantidades exa­geradas, a capacidade de neutralização e expulsão do corpo é rapida­mente superada. Dela deriva uma intoxicação amoniacal e um acúmulo de ácido úrico nos tecidos.

A superalimentação em proteínas é mais grave que qualquer outra, pois os resíduos proteicos que estes alimentos descarregam no orga­nismo são os mais tóxicos.

Quando as proteínas são fornecidas por produtos de origem ani­mal, os resíduos não provêm apenas da utilização desses produtos. Efectivamente, os tecidos animais contêm todos os resíduos do me­tabolismo do próprio animal, quer dizer, o seu ácido úrico, o seu amoníaco, etc.

No princípio do século, o consumo anual de carne por habitante, na Suíça, era de 40 kg aproximadamente. Segundo estudos que re­montam a 1982, já atingiu os 88,6 kg, ou seja, um consumo diário de, pelo menos, 240 gramas de carne. E a isto devem ainda juntar-se todas as proteínas consumidas com alimentos como os produtos lácteos, os ovos, os legumes e os cereais.

Nos nossos dias, há tendência para se considerar que uma refeição sem carne não é uma refeição. Além do mais, muitas pessoas não se apercebem de que o chouriço ou as salsichas do jantar representam, também, uma ingestão de carne, tal como as sanduíches de presunto ou o patê ingeridos como merenda. Um consumo excessivo de pro­teínas também pode ser produzido pelo consumo abusivo de queijos, de ovos ou de legumes.

A sobrealimentação de gorduras

As gorduras desempenham um papel construtivo e energético no nosso organismo. Encontram-se nas oleaginosas, nos ovos (11,5% de gorduras), na carne (até 30%), nas natas (30%), na manteiga (81%).

As investigações modernas puseram em evidência dois tipos de matérias gordas: os ácidos gordos saturados e os ácidos gordos não saturados. Os ácidos gordos não saturados são substâncias vitais para o organismo, que pode metabolizá-los facilmente, contrariamente ao que se passa com os ácidos gordos saturados, que são de difícil as­similação.

São estes, principalmente, que se acumulam nas reservas de gor­dura (obesidade, celulite…) e os que cobrem as paredes dos vasos sanguíneos (doenças cardiovasculares). Uma vez instalados nos teci­dos, são difíceis de mobilizar, decompor e eliminar.

Todos os alimentos que contêm substâncias gordas são compostos tanto por ácidos gordos saturados como por ácidos gordos não saturados, mas a sua proporção varia de alimento para alimento.

Os alimentos mais ricos em ácidos gordos saturados são de origem animal (com excepção dos derivados da palmeira e do coco).

Os ácidos gordos não saturados, regra geral de origem vegetal, exercem uma acção benéfica para o corpo humano (vitamina F), na sua forma natural.

Quando se submetem a temperaturas demasiado altas, desnaturam-se. Este é o caso dos azeites vegetais refinados ou dos azeites de primeira pressão a frio, utilizados para cozinhar. Tenhamos em conta, também, que os glúcidos em excesso são armazenados no corpo sob a forma de ácidos gordos saturados.

A sobrealimentação de corpos gordos frequentemente caminha a par com a carne, uma vez que, por um lado, as próprias carnes são ricas em gorduras (boi 20%, vitela 11%, presunto 30%, salame 35-49,7%) e, por outro lado, geralmente são preparadas com corpos gordos e servidas com molhos ricos em gorduras.

Os abusos de gorduras podem provir também de um consumo excessivo de produtos lácteos, sobretudo a manteiga: no pão, nos legumes, nos molhos, cozinhados feitos com manteiga, etc.

A nocividade dos corpos gordos aumenta ainda mais, quando se aquecem em demasia. Com efeito, a carbonização dos azeites e das gorduras no momento da cocção (frituras, grelhados…) origina subs­tâncias especialmente tóxicas e cancerígenas.

O corpo não pode digerir e utilizar correctamente as substâncias em excesso.

De: Christopher Vasey

Do livro Compreender as doenças Graves Editorial Estampa Lda.

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